VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Conselho de Ética da Câmara poderá ser presidido por réu em três processos no STF


Candidato a Conselho de Ética responde a três processos. Indicado pelo PTB para suceder Ricardo Izar, Sérgio Moraes é acusado de mandar oficiais de trânsito não multarem carros da prefeitura - Eduardo Militão, Congresso em Foco.

Cotado para assumir a presidência do Conselho de Ética, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) responde a três processos por crime de responsabilidade no Supremo Tribunal Federal (STF). A bancada do PTB na Câmara, “dona” da vaga de presidente do Conselho, indicou Moraes como candidato ao posto deixado pelo deputado Ricardo Izar (PTB-SP), morto no último dia 2. Até agora, o gaúcho não tem concorrentes para a eleição, marcada para quarta-feira que vem (28).

Ele não assume ser o futuro presidente do Conselho, mas acredita que sua escolha será pacífica e que não surgirão mais candidatos. “Eu estou tranqüilo, a não ser que a imprensa passe a fazer manchetes: 'Sérgio Mores tem tantos processos'. É uma bobagem tão grande”, afirmou Moraes ao Congresso em Foco, ontem (20) à tarde.

O petebista responde a três ações penais no STF, todas movidas inicialmente pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, por fatos ocorridos entre 1997 e 2004, quando Moraes dirigia a prefeitura de Santa Cruz do Sul (RS).

Segundo o advogado Marco Antônio Borba, que defende o deputado, a Ação Penal (AP) 447 é baseada em gravação feita por oficiais de trânsito da cidade. Nela, a secretária de Transporte pede para os fiscais não multarem os veículos da prefeitura, porque foi o prefeito que pediu.

“Ele não determinou nada, nem sabia de nada”, argumenta Borba, que, assim como em relação aos outros processos, acredita na absolvição. A ação está no gabinete do ministro Carlos Ayres Britto.

Na Ação Penal 416, a Procuradoria Geral da República pede a condenação do prefeito porque, segundo a denúncia original, Moraes instalou um telefone comunitário da prefeitura no armazém de seu pai. De acordo com Borba, isso aconteceu “casualmente” e foi feito em 1981, muito antes de seu cliente comandar a prefeitura.

Já a AP 448 trata da contratação sem concurso público de enfermeiros. Borba diz que essa ação deve ser arquivada como aconteceu num caso semelhante de contratação de professores (na Ação Penal 423, o deputado foi absolvido). “A contratação emergencial tinha autorização da Câmara de Vereadores e nós tínhamos um problema no concurso público do governo anterior”, afirma o advogado.

Qualquer um denuncia

Moraes entende que essas acusações não podem servir para vetarem seu nome no Conselho. “São crimes ambientais de quando eu era prefeito. Nenhum é improbidade. São essas coisinhas”, disse ele à reportagem, antes que seu advogado explicasse o real teor dos processos. “Não tem crime de desvio de dinheiro, nada que abale a minha ética”, avisou o deputado.

Ele disse que já chegou a ser processado pelo Ministério Público até por mandar derrubar duas árvores e também porque seu vice-prefeito destinou verba para um time de futebol da cidade. “Em todos eu fui absolvido.”

Reunião

O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), diz ter costurado o nome de Moraes com todos os líderes da Casa, da base e da oposição, na semana passada. Ele alega que a vaga é do PTB por acordo e, como o partido fechou com Moraes, ele deve ser o escolhido para presidir o Conselho. “Esta Casa, se não cumprir acordo, pode fechar”, avalia Jovair.

Segundo o líder, os colegas que comandam outros partidos receberam bem o nome indicado pelo PTB. Mas o comandante do PT, Maurício Rands (PE), afirmou que não tem opinião, porque ainda não consultou sua bancada. Os oposicionistas ACM Neto, do DEM, e José Aníbal, do PSDB, também disseram que não foram ouvidos sobre o tema. O líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que o governo não se intromete no tema: “É um assunto do Parlamento”.

Para Jovair, o fato de Moraes responder a três processos não o descredencia para o posto. “Todos os que já foram administradores no Brasil respondem a processos. Ele tem que responder por isso”, despistou o líder do PTB.

Sem questionamentos

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) se mostrou surpreso com a informação de que o candidato único à presidência Conselho de Ética responde a três processos no Supremo. Ele disse à reportagem que o corregedor da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PR-PE), lhe passou a informação de que Moraes “não tinha problema algum” e “nada contra ele”.

Para o deputado, é importante que o presidente do Conselho que vai regular a ética parlamentar esteja isento de acusações formais. “Mesmo que sejam questões menores, é ideal que se procure alguém que não tenha processos. A gente defende que os candidatos tenham esse pré-requisito: nenhum processo, nenhum questionamento”, argumentou Alencar.

Se for eleito, o deputado Sérgio Moraes vai assumir um mandato-tampão até fevereiro de 2009. Depois, o Conselho se reúne para escolher um novo presidente, que não será, necessariamente, do PTB.

Dinheiro em espécie sem origem para uso em campanha eleitoral


PF apreende R$ 7 milhões e pede prisão do prefeito de Coari - 21/05/2008, Jailton de Carvalho - O Globo

A Polícia Federal aprendeu na terça-feira à noite em Coari (AM) R$ 7 milhões escondidos em malas e caixas de papelão em uma casa que pertence à Prefeitura, durante operação contra desvio de verba - Divulgação da PF BRASÍLIA - Depois de prender 23 pessoas na Operação Vorax, a Polícia Federal aprendeu na terça-feira à noite em Coari (AM), a 400 quilômetros de Manaus, R$ 7 milhões escondidos em malas e caixas de papelão em uma casa que pertence à Prefeitura de Coari. Há suspeita que o dinheiro tenha origem ilegal e seria usado em campanhas eleitorais. A PF pediu a prisão preventiva do prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PMDB), suspeito de ser o chefe da quadrilha, pela segunda vez. O primeiro pedido foi negado pelo desembargador Cândido Ribeiro.

O esquema fraudulento estaria em funcionamento desde 2001. As cinco malas aprendidas e as caixas de papelão estavam abarrotadas de notas novas de R$ 100 e R$ 50, com cintas do Banco do Brasil. De acordo com a polícia, é difícil aferir o exato valor dos desvios até agora realizados. Entretanto, as investigações detectaram que somente para cinco das empresas utilizadas no esquema foram repassados recursos da ordem de mais de R$ 49 milhões.

Com a quadrilha, a polícia apreendeu ainda 23 carros de luxo, entre eles um Audi, um Ford Fusion e um Corola, e uma lancha de luxo. Só os carros estão avaliados em mais de R$ 1,5 milhão. Entre os acusados estão Carlos Eduardo do Amaral Pinheiro, irmão de Adail Pinheiro, e alguns dos principais auxiliares do prefeito: o secretário de Administração, o presidente da Comissão de Licitação e o comandante da Guarda Municipal de Coari. Só numa mala, os policiais contaram R$ 1 milhão. O dinheiro foi levado para uma agência da Caixa Econômica Federal.

- O dinheiro foi colocado em malas e caixas. Parece que foi tudo juntado na correria. Acho que queriam esconder da polícia - afirmou o superintendente da PF no Amazonas, Sérgio Lúcio Fontes.

Segundo as investigações, a organização criminosa que foi desarticulada era especializada em dilapidar o patrimônio público, apropriando-se indevidamente de recursos de origem federal e de royalties recebidos pela Prefeitura de Coari pela exploração de petróleo e gás natural, daí o nome da operação de Vorax, por se tratar de uma bactéria desenvolvida para se alimentar de petróleo.

A Polícia Federal cumpriu na terça-feira mandados de prisão temporária e de busca e apreensão de documentos nas cidades de Manaus (AM), Coari (AM), Novo Airão (AM), Boa Vista (RR) e Brasília (DF).

Comentário do Bengochea - Guardar dinheiro em espécie para utilizar em campanha política é uma prática neste país. Assim, os políticos podem acobertar seus gastos e dispor de recursos para vencer a corrida de forma suja e desigual.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Governistas querem mais taxar mais impostos ao reviver CPMF



Governistas decidem propor nova CPMF

Imposto permanente sobre movimentação financeira, com alíquota de 0,1%, seria instituído com a justificativa de cobrir aumento de verbas da saúde previsto com regulamentação da Emenda 29

Com o argumento de que a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) seria a única forma de garantir recursos para a execução da Emenda 29, que destina mais verbas à saúde, líderes dos partidos que apóiam o governo definiram ontem uma proposta para trazer de volta o imposto do cheque, com uma alíquota de 0,1%.

Antes de ser extinta no Senado em dezembro, a CPMF tinha alíquota de 0,38% sobre as movimentações financeiras. Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT), a contribuição será permanente e sua arrecadação, exclusiva para a saúde. A alíquota poderá arrecadar R$ 10 bilhões no próximo ano, segundo estimativa de Fontana.

- Não é jogo de cena. Se queremos regulamentar a Emenda 29, precisamos adicionar fontes de receita - afirmou o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE).

O acordo foi fechado em reunião na casa do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). Ainda restam dúvidas sobre a forma escolhida para encaminhar a proposta. Os governistas querem criar a contribuição por meio de projeto de lei complementar, aproveitando a proposta de regulamentação da Emenda 29, e não por emenda constitucional (PEC), que é mais difícil de ser aprovada. Juristas tentam encontrar uma solução que evite a inconstitucionalidade, pois esse mecanismo deve ser uma iniciativa do Executivo, e não do Legislativo. A orientação dos aliados é de que a solução técnica seja decidida até o final desta semana.

Para Lula, novo imposto é "problema do Congresso"

Os aliados podem apelar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo que o governo envie uma proposta sugerindo o novo imposto. Durante anúncio de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em obras de saneamento e construção de moradias nas cidades da Baixada Santista, Lula afirmou ontem que a criação de qualquer novo tributo é "um problema do Congresso".

- Quero deixar claro que não haverá por parte do governo qualquer iniciativa para que o Congresso aprove um novo imposto. Esse é um problema do Congresso. O governo perdeu a CPMF em dezembro de 2007 e estamos trabalhando sem a CPMF. Agora, temos de ver se o Congresso quer regulamentar a Emenda 29 e aumentar investimentos para a saúde - afirmou Lula.

Seja qual for o caminho para recriação do imposto, líderes da base decidiram que vão assumir em conjunto a responsabilidade pela proposta. Na prática, isso impedirá que um ou outro partido seja criticado pela paternidade de uma idéia contestada.

Líderes da oposição criticam criação de novo imposto

O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse que a oposição não apóia a proposta.

- Isso parece uma chantagem da liderança do governo. Nada que signifique aumento de impostos terá o nosso apoio. Acho que essa idéia não tem a menor chance de prosperar - disse.

Segundo ACM Neto, a oposição vota, na próxima semana, a regulamentação da Emenda 29, sem a criação de novas fontes de recursos para a saúde. Segundo ele, existem recursos do orçamento suficientes para que se amplie a atenção na área da saúde, sem que seja necessária a criação de novo imposto.

Para o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), a idéia iria "desviar o foco" das votações que a Câmara vem realizando.

- Não faz o menor sentido. Todas as indicações são de que o governo tem excesso de arrecadação suficiente para cobrir o investimento previsto na Emenda 29. Não há necessidade de recurso adicional - disse Aníbal.

A polêmica

- O imposto do cheque foi criado em 1993 com o nome de Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). Inicialmente, os recursos deveriam ser destinados à saúde

- Foi extinto em dezembro de 2007, com perda na arrecadação calculada em R$ 40 bilhões

- A oposição quer votar, na próxima semana, a regulamentação da Emenda 29, projeto que aumenta os gastos da União com a saúde. Dos atuais 7% da receita bruta, o setor receberia 10%. O reforço seria de R$ 8 bilhões em 2008

- O governo sustenta que cabe ao Congresso definir a fonte de recursos da ampliação de gastos com a saúde antes da regulamentação da Emenda 29. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em reunião com a coordenação política do governo que não iria reeditar a CPMF "de jeito nenhum"

- Líderes aliados querem recriar a CPMF, com uma alíquota de 0,1% em vez da taxa anterior de 0,38%

- A idéia é de que a contribuição gere R$ 10 bilhões ao ano. A previsão pode ser reduzida a R$ 3 bilhões

Opinião - Maurício Rands, Líder do PT na Câmara - "Não é jogo de cena. Se queremos a Emenda 29, precisamos adicionar fontes de receita."

Comentário do Bengochea - Impostos e mais impostos. Sai a CPMF e entra o IOF, fica o IOF e acelera a CPMF, aumenta a produtividade de petróleo e sobe a gasolina. O dólar sobe e sobe tudo, e o dólar em baixa continua subindo tudo. Os pobres pagam 40% de impostos a mais que os ricos. Apesar dos recordes de arrecadação de impostos, mesmo com o fim da CPMF, o Governo não perde sua mania de continuar inventando taxações, quando não consegue evitar os desvios e abusos com dinheiro público. O perigo para a democracia é criar dentro dos Poderes de Estado, classes de nababos financiados com dinheiro público. A carga tributária, apesar de ser uma das mais elevadas do mundo, não se reflete em bons serviços públicos. É só ver a situação caótica que se encontram as áreas da segurança, saúde e educação (a tríplice calamidade)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vereadores de Panambi/RS aprovam 40% de aumento salarial



Reajustes valerão em 2009 e contemplam também prefeito e vice

Vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários do municípo de Panambi, no noroeste do Estado, contarão a partir de janeiro de 2009 com salários 40% mais altos.

Com o reajuste aprovado segunda-feira, os vencimentos dos vereadores passarão para R$ 3.043,15. Secretários e vice-prefeito receberão R$ 5.262,24 e o prefeito, R$ 9.745,33.

Em entrevista à RBS TV, o presidente da Câmara, Daniel Carvalho Santos (PMDB), ressaltou que a Constituição prevê a definição, pelos atuais parlamentares, dos salários da próxima legislatura. E afirmou que a atividade dos vereadores justifica o reajuste:

- Precisamos comprar roupas, nos locomover. Há várias despesas, e é necessário um mínimo de subsídio.

Antes de sancionar o projeto, o prefeito de Panambi, Delmar Hinnah (PMDB), aguarda parecer da assessoria jurídica da prefeitura.

- Precisamos checar se os percentuais são viáveis no município. Mas é da competência da Câmara decidir sobre os salários para a legislatura seguinte. Não cabe ao prefeito gostar ou não - declarou Hinnah, provável candidato à reeleição.

Dos nove vereadores de Panambi, sete votaram favoravelmente ao projeto e um se absteve. O único que votou contra o reajuste foi Paulo Sergio Moreira Rodrigues (PT).

- Nosso município é de porte médio. Os cerca de R$ 2 mil pagos atualmente aos vereadores são suficientes, até porque os parlamentares mantêm suas atividades profissionais fora da Câmara - declarou Rodrigues.

No município de Canguçu, foi aprovado em abril um aumento de até 65% para vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários. Outras cidades, como Santa Cruz do Sul, Riozinho e Dois Irmãos tiveram a decisão da Câmara vetada pelos prefeitos.


PIETRO RUBIN - Zero Hora de 08/05/2008

Comentário do Bengochea - Os políticos aumentam seus próprios salários às custas do dinheiro do povo, aproveitando-se de um povo cordeiro e amordaçado que não reage ao achaque e aos assaltos ao erário. Parece que o dinheiro público não tem dono nem limites e que saúde, segurança e educação não precisam de investimentos. É, somos um país de aproveitadores, palhaços e otários.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Das nulidades da votação


Lei Nº 4.737 de 15 de julho de 1965.

Art. 220. É nula a votação:

I - quando feita perante mesa não nomeada pelo juiz eleitoral, ou constituída com ofensa à letra da lei;

II - quando efetuada em folhas de votação falsas;

III - quando realizada em dia, hora, ou local diferentes do designado ou encerrada antes das 17 horas;

IV - quando preterida formalidade essencial do sigilo dos sufrágios.

V - quando a seção eleitoral tiver sido localizada com infração do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 135. (Incluído pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)

Art. 221. É anulável a votação:
I - quando houver extravio de documento reputado essencial; (Inciso II renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)

II - quando for negado ou sofrer restrição o direito de fiscalizar, e o fato constar da ata ou de protesto interposto, por escrito, no momento: (Inciso III renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)

III - quando votar, sem as cautelas do Art. 147, § 2º. (Inciso IV renumerado pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966)

a) eleitor excluído por sentença não cumprida por ocasião da remessa das folhas individuais de votação à mesa, desde que haja oportuna reclamação de partido;

b) eleitor de outra seção, salvo a hipótese do Art. 145;

c) alguém com falsa identidade em lugar do eleitor chamado.

Art. 222. É também anulável a votação, quando viciada de falsidade, fraude, coação, uso de meios de que trata o Art. 237, ou emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado por lei."

...

Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.


Esses artigos referem-se aos casos de votação anulável ou situações que provocam a nulidade do processo eleitoral e não a casos de voto nulo. A nulidade diz respeito a urnas, conjunto de urnas, seção eleitoral.

O voto nulo é decisão pessoal do eleitor. A nulidade da votação é decisão do juízo eleitoral.

Portanto, uma eleição ou votação é anulável apenas nas circunstâncias descritas nos artigos 220, 221 e 222 da Lei Nº 4.737.

Comentário do Bengochea - Por que será que esta lei que instituiu o Código Eleitoral ainda não foi substituída por outra mais atual? O Brasil se diz uma república democrática, mas na realidade é governado em bases totalitárias e fora dos princípios propostos na constituição de 1988. Não dá ao eleitor a possibilidade de argüir a legitimidade do processo, obrigando-o a votar em qualquer um obedecendo determinações obrigatórias do juízado eleitoral. O meu voto é meu futuro e o nosso voto mais os da minha comunidade podem construir o futuro da nossa sociedade. A sociedade não deveria tolerar uma legislação arcaica e divergente que ampara um legislativo omisso e inoperante, de alto custo, de orçamentos luxuosos, de vantagens abusivas e de número elevado de parlamentares que decidem por bancadas.

Por estes e outros motivos é que não concordo com o atual sistema político corrupto e corruptor, onde meu voto não significa mudanças e nem decisões para o bem da nação, onde meus representantes naufragam diante do poder de influência e mando do Executivo e da ganância individual e partidária. Portanto, as únicas alternativas para deixar de ser OTÁRIO são não votar, votar em branco, zerar o voto ou ficar clamando ao vento por uma atualização da legislação eleitoral e dos processos eletivos e fim do voto obrigatório.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Presidente da Câmara assinou auxílio sem ler dando mais R$ 16,5 mil reais a deputados e ex-deputados


Chinaglia diz que assinou auxílio-funeral sem ler

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou, na tarde de hoje (6), que assinou sem ler o projeto que dá R$ 16.500 em auxílio-funeral para a família de deputados falecidos. Ele disse que só tomou melhor conhecimento da proposta ao ler reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira. Por isso, prometeu “rediscutir o assunto” com a Mesa Diretora, que aprovou a medida em 26 de março, embora o plenário ainda tenha que ser consultado.

“É o presidente da Câmara que assina todas as decisões da Mesa”, afirmou Chinaglia. Ele recordou que o secretário-geral da Mesa, Mozart Viana, por exemplo, lhe dá dezenas de papéis para assinar todos os dias. “Você acha que eu vou ler despacho burocrático? Não leio mesmo”, disse o presidente da Casa.

Em entrevista coletiva, Chinaglia disse que vai propor a rediscussão do tema porque se sentiu “incomodado” com algumas propostas do projeto. Mas ele não soube precisar quais eram essas medidas. “Pra falar a verdade, eu fui alertado por minha assessoria sobre isso”, disse o presidente da Câmara, que acrescentou que até os funcionários fizeram piada com o tema do auxílio-funeral.

Porém, ele comentou que, se os parlamentares quiserem, podem pagar um seguro para caso de falecimento em serviço. Chinaglia destacou que a idéia do projeto foi do diretor-geral da Casa, Sérgio Sampaio, e que assinou o documento por confiar no servidor e no aval do primeiro secretário, Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Chinaglia destacou que algumas famílias de deputados sofrem para fazer o traslado do corpo quando ele está fora da cidade e que há parentes de parlamentares de baixa renda. “Você pode duvidar que tenha família pobre de deputado, mas tem.”

Além do salário de R$ 16.500, cada um dos 513 deputados ganha auxílio-moradia, passagens aéreas, verba indenizatória, cota postal e telefônica, verba para contratar funcionários, material de expediente e cota para impressão e reprodução de documentos. (Eduardo Militão - Congresso em Foco)

Governador promove passeio edílico na Europa às custas do Erário.


Ele escolheu uma data sugestiva. Era segunda-feira 28, o “Dia da Sogra”, quando o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB) – que completara 45 anos no dia anterior –, adentrou no grande salão do Palácio Iracema para tentar explicar o inexplicável: por que cargas d’água ele havia decidido gastar quase R$ 400 mil fretando um jatinho Citation da empresa Táxi Aéreo de Fortaleza (TAF) para uma idílica viagem pelo continente europeu, com dinheiro dos cofres públicos, levando a tiracolo uma entourage familiar. A explicação mais inusitada do governador: teve que levar a sogra, Pauline Carol Habib Moura, a pedido da mulher, Maria Célia. “Se eu cometi alguma falha, e por isso peço desculpa, sempre procurei agir de boa fé, foi por ter atendido a um pedido de minha mulher.” Mais surpreendente é que o governador não reconheceu ter cometido qualquer irregularidade no ato. Afinal, no seu entender, é bastante natural que um político saia pelo mundo a bordo de um jatinho fretado para uma viagem pública que inclua, além da mulher, a sogra e as esposas de assessores.

Antes da viagem, Pauline, 50 anos, era conhecida como uma mulher com preocupações sociais. Além de Maria Célia, ela tem uma filha com necessidades especiais e milita há mais de dez anos na defesa dos deficientes físicos. A sogra de Cid Gomes preside a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Juazeiro do Norte e também a Federação das Apaes do Ceará, que reúne 24 dessas associações. Em abril, o governador Cid Gomes firmou um convênio no valor de R$ 2,4 milhões com a federação presidida por sua sogra, para atender 7.500 deficientes. O acordo foi assinado depois de uma licitação ocorrida em 2007. Após a viagem, através da assessoria de imprensa de sua filha Maria Célia, Pauline negou qualquer favorecimento e disse que a entidade já foi desclassificada em outras três licitações anteriores.

A viagem à Europa abriu uma grande polêmica no Estado. A oposição na Assembléia Legislativa, formada por dois deputados, Heitor Férrer e Adahil Barreto (PR), pediu ao Tribunal de Contas do Estado para checar as contas de outras viagens do governador. Em resposta à investida dos minguados adversários, Cid mobilizou sua bancada de 44 deputados para enterrar a “CPI da Sogra”. Mas correm informações sobre outra viagem suspeita da família de Cid, dessa vez para o paraíso caribenho de San Martin. Enquanto a procuradora- geral de Justiça, Maria do Socorro, promete investigar o caso, o governador se recusa a dar mais explicações. E garante que cumpriu compromissos oficiais.

Cid Gomes insiste que seu procedimento não fere a ética pública. Os deputados da oposição reagem. Querem que o governo do Ceará preste informações sobre a agenda oficial em pelo menos dois países: Inglaterra e Escócia. Em Edimburgo, a comitiva do governador ficou no sofisticado hotel Rocco Forte Balmoral, o melhor da cidade, um castelo freqüentado por príncipes árabes e toda uma legião de bilionários do planeta.

HUGO MARQUES - Revista Isto É.