VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A DANÇA DA PIZZA


Jacqueline Roriz foi a “dança da pizza” de Vacarezza - por João Bosco Rabello - O ESTADO DE SÃO PAULO. 31.agosto.2011 10:37:13

De mais um episódio de espírito corporativo protagonizado pela Câmara, com a absolvição da deputada Jacqueline Roriz (PMN-DF), velhos truques espúrios ganham conotação cínica e institucionalizam o crime político.

“Em 2006 eu era uma cidadã comum, não era deputada, não era funcionária pública”. A frase é uma confissão de culpa, mas foi peça de defesa da deputada, por mais surrealista que isso pareça. Não contesta o delito, até porque está em filme, mas concede licença para cometê-lo.

Como cidadão, sem mandato, portanto uma pessoa “comum”, Jacqueline Roriz pode delinqüir. Com mandato, portanto uma pessoa “não comum”, não está sujeita às conseqüências de seu ato.

À parte o conceito que divide os cidadãos em “comuns” e “incomuns”, a tese transforma o mandato em habeas corpus definitivo. Com a agravante de que o mandato absolve o crime eleitoral, ou seja, aquele cometido para viabilizá-lo.

Mas é apenas um dos truques do arsenal corporativo. O outro é o voto secreto, que vai permanecendo ano a ano apesar das contestações internas e externas. Em nome de sua abolição pura e simples, não o torna seletivo, adotável segundo as circunstâncias.
Argumenta-se que ele não pode deixar de existir porque na circunstância de exame de um veto presidencial, a pressão do governo seria insuportável e retaliativa. Então, porque não restringi-lo a essa – e só a essa – circunstância?

A condenação na comissão, em votação aberta, e a absolvição no plenário, em voto secreto, não deixam margem a dúvida: quando exposto pelo voto, o parlamentar joga para a platéia, no caso, o eleitor; quando preservado pelo sigilo, protege o colega – e a si mesmo, como ficou claro no principal argumento da defesa, aquele que realmente sensibiliza o parlamentar desses tempos: votem em mim, porque eu sou você amanhã.

O que o plenário da Câmara aprovou ontem foi que parlamentares têm licença para delinqüir, o que não encontra respaldo, é óbvio, em nenhum código legal.

O PT, vide o abraço comemorativo do líder do governo, Cândido Vacarezza (SP), na deputada absolvida, mostra que a intolerância contra a corrupção sempre foi apenas estratégia eleitoral.

O abraço cúmplice de Vacarezza lembra a “dança da pizza” da ex-deputada Angela Guadagnin (PT-SP) , que coreografou a absolvição do então deputado João Magno (PT-MG), acusado de envolvimento no mensalão do governo Lula.


O líder do governo também desconsiderou que a história do vídeo de Jacqueline Roriz tem origem no que se combinou no PT de denominar “mensalão do DEM”, embora suprapartidário, implantado no governo de José Roberto Arruda em Brasília.

O PT, que explorou como pôde o episódio para compensar o desgaste com o mensalão do governo Lula, agora abraça, quase dança, com a mensaleira de Roriz.

Da mesma forma, o juízo de ontem da deputada Jacqueline Roriz em relação à então deputada distrital Eurides Britto, a quem chamou de cara-de-pau” por defender-se da mesma acusação, igualmente documentada pela cinemateca de Durval, não tem a menor importância para seus julgadores de hoje.

Abraço dado, passa-se à Ordem-do-Dia, tudo na maior naturalidade.

A FAVOR DA CORRUPÇÃO - AGORA É A VEZ DE ABSOLVER OUTRO

Após absolver Jaqueline, Câmara, agora, deve livrar Valdemar. Absolvição da deputada Jaqueline Roriz pela maioria do plenário anima defesa do parlamentar, que já espera por arquivamento do caso - 31 de agosto de 2011 | 19h 54 - Eduardo Bresciani, do estadão.com.br

BRASÍLIA - A absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) - flagrada em vídeo recebendo dinheiro do esquema de corrupção conhecido como "mensalão do DEM" - com uma larga margem de votos tranquilizou a defesa de outro parlamentar que está tendo sua conduta analisada ainda no Conselho de Ética e Decoro da Câmara. Ao contrário de 2005, quando teve de renunciar para escapar da cassação, Valdemar da Costa Neto (PR-SP) poderá ser absolvido já no início do processo.

Deputado teria envolvimento em esquemas de fraude do Ministério dos Transportes
No dia 14 de setembro o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentará seu parecer preliminar. Independentemente da posição do tucano, a expectativa é a de que o processo seja arquivado.

Valdemar foi levado ao Conselho de Ética por PSOL e PPS. Os partidos reuniram denúncias veiculadas pela imprensa que apontam a participação do deputado em reuniões no Ministério dos Transportes nas quais se pedia a empresários o pagamento de propina para a liberação de recursos.

Consta também no pedido de investigação um vídeo no qual Valdemar negocia a liberação de recursos do ministério para que o deputado Davi Alves Silva Júnior ingresse no PR. A representação traz um trecho de entrevista do deputado a uma rádio de Mogi das Cruzes na qual ele diz "querer" uma diretoria de um banco público para ajudar aliados a liberar verbas. Um aditamento incluiu ainda no escopo da investigação a denúncia de fraudes na "Feira da Madrugada" em São Paulo.

Apoio. Ao contrário do que aconteceu com Jaqueline, a defesa de Valdemar é feita de forma aberta por alguns deputados. "Não há materialidade nenhuma", diz o líder do PR, Lincoln Portela.

Mesmo quem ataca o deputado já dá a absolvição como certa. "No caso do Valdemar, talvez a absolvição seja ainda no Conselho. Essa legislatura precocemente mostrou uma senilidade de valores", afirma o líder do PSOL, Chico Alencar. Para ele, o resultado no caso Jaqueline mostrou que a Câmara considera a corrupção como algo natural.

Em 2005, Valdemar foi um dos citados no escândalo do mensalão e renunciou ao mandato. Ele é réu no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ATO INDECOROSO DA CÂMARA DE DEPUTADOS

O ato indecoroso da Câmara - OPINIÃO O Estado de S.Paulo - 01/09/2011

Primeiro, a boa notícia: a banda limpa da Câmara dos Deputados congrega 1/3 dos seus 513 membros. São os 166 deputados que, embora protegidos pelo escrutínio secreto, tiveram a decência de votar pela cassação da colega - no sentido puramente formal do termo - Jaqueline Roriz, do PMN do Distrito Federal(DF), filha do notório capo político local Joaquim Roriz. A notícia é boa porque até experientes observadores dos modos e costumes do Legislativo brasileiro calculavam que a bancada da decência seria muito mais rarefeita. Nada, nada, é um consolo.

Agora, a constatação devastadora: Lula talvez tenha sido até generoso quando disse, em 1993, que havia no Congresso "uns 300 picaretas que defendem apenas seus próprios interesses". A julgar pelo desfecho da votação de anteontem, pode-se presumir que só na Câmara eles sejam ainda mais numerosos. São, antes de tudo, os 265 que absolveram a parlamentar filmada em 2006 recebendo dinheiro do pivô (e depois delator) do chamado mensalão do DEM, Durval Barbosa. A bolada se destinava ao caixa 2 da campanha de Jaqueline a um segundo mandato na Câmara Legislativa do DF. A cena foi divulgada em março último pelo portal do Estado.

Aos 265 que não perderam mais essa oportunidade de induzir a opinião pública a perder as migalhas de respeito que ainda pudesse ter por seus representantes, somem-se os 20 que se abstiveram e os 62 que nem sequer compareceram à sessão. Dá um total de 347 deputados. Mesmo que um punhado deles possa oferecer desculpas aceitáveis para a abstenção ou a omissão, o número é acachapante. Não custa lembrar que, em decisão aberta, o Conselho de Ética havia aprovado por 11 a 3 o pedido do PSOL de abertura de processo contra Jaqueline por quebra de decoro, para a sua subsequente expulsão da Casa.

A rigor, os que preservaram o mandato da deputada agiram como quem faz um seguro para proteger a própria carreira. Afinal, mais dia, menos dia, podem surgir contra qualquer deles provas irrefutáveis de bandalheiras que tenham praticado antes de se aboletar no Legislativo federal, pondo em xeque o bem-bom de que desfrutam. A cassação de Jaqueline abriria um intolerável precedente. Criaria uma legítima jurisprudência política, segundo a qual o procedimento indecoroso é incompatível com o processo eleitoral e a atividade parlamentar, seja quando e em que circunstâncias haja ocorrido. Não se trata de refazer a história, como alegam desavergonhadamente os defensores da impunidade.

A razão é simples: os 100.051 eleitores do DF que em outubro passado marcaram na urna eletrônica o nome de Jaqueline não sabiam que ela recebera dinheiro sujo ao menos uma vez, no vasto esquema rorista de corrupção mantido pelo então governador José Roberto Arruda, do DEM. (A propósito, também ele foi flagrado embolsando R$ 50 mil do mesmo operador Durval Barbosa que financiou Jaqueline.) Ainda que 100.050 daqueles eleitores não dessem a mínima para o delito posteriormente evidenciado, bastaria um único caso de lesa-eleitor para tornar ilegítimo o mandato da deputada.

Contesta-se a Lei da Ficha Limpa porque ela impede o registro da candidatura de políticos que tenham sido inculpados por fatos anteriores ao advento da medida saneadora. O argumento é que as leis só podem retroagir em benefício dos réus. Na realidade, porém, o passado de um candidato não pode conter transgressões ao princípio constitucional da moralidade na vida pública. Assim também na questão do decoro parlamentar. Trata-se de uma exigência que precede o momento em que o político põe os pés pela primeira vez numa Casa legislativa.

Já para os deputados que seguraram a cadeira de Jaqueline Roriz, para garantir as deles em circunstâncias similares, é como se a integridade não fosse parte inamovível do caráter de cada qual. Teria uma espécie de prazo de validade às avessas e poderia, ou não, se manifestar conforme a circunscrição territorial em que se movem. Isso, em meio à aberração do voto secreto no Parlamento. Nesse sistema de valores virado de ponta-cabeça, nada mais natural do que a queixa de Jaqueline, antes da votação, de que a imprensa, ao expô-la, havia destruído a sua "honra".

GRATIFICAÇÃO NA ASSEMBLÉIA VIRA SALÁRIO PRIVILEGIADO


DINHEIRO PÚBLICO. Gratificação vira salário para servidores da AL. Cargos de confiança passam a ter direito ao benefício e cai a exigência de cinco anos na função - UPIARA BOSCHI, DIÁRIO CATARINENSE, 01/09/2011

A Assembleia Legislativa aprovou, ontem, projeto de resolução que permite a incorporação de gratificações de servidores ao salário nos mesmos moldes das realizadas pelo Tribunal de Contas e pelo Tribunal de Justiça em 2009. Atualmente, apenas os ocupantes de cargos de chefia podem ter as gratificações somadas ao salário.

A proposta também flexibiliza a regra atual, em que só era possível pedir a agregação após cinco anos no cargo. A partir de então, o servidor passaria a ter o direito de agregar 10% do benefício a cada ano a mais na função. Com a proposta aprovada ontem, todos os cargos de confiança passam a ter o mesmo direito e cai o período mínimo de cinco anos na função. O projeto estava em discussão desde março, mas esbarrava na falta de acordo com os servidores e com a bancada do PT – que exigia alterações na proposta e o cálculo do custo dos gastos no Orçamento da Assembleia. O líder do partido, Dirceu Dresch manteve o projeto parado desde o início de maio.

Ontem, a costura de um acordo com outros parlamentares do PT garantiu a votação em reunião extraordinária das comissões de Constituição e Justiça e de Finanças e a aprovação em plenário, em votação simbólica. O deputado Jailson Lima (PT) comandou as discussões pelo partido. O acordo foi possível com quatro alterações no projeto original, encaminhado pela mesa diretora. Funcionários que pediram incorporações não poderão mais ser beneficiados, a incorporação do adicional de insalubridade passa a exigir 10 anos na função e fica restrita a um limite de R$ 400, cursos de pós-graduação à distância não darão mais direito à gratificação e foi excluído do projeto o adicional criado para garantir aos consultores especiais (antigos procuradores) equiparação ao salário de desembargador.

Baseado na concessão de benefícios similares a outros poderes, parte dos funcionários pressionou pela aprovação do projeto. Cerca de 200 servidores estariam esperando pela aprovação para requerer pedidos de aposentadoria – com os contracheques incrementados. A Assembleia não informou o número de servidores beneficiados, nem o custo.

– Posso dizer que ficou bem menos impactante que as incorporações incorporadas no Tribunal de Contas e no Tribunal de Justiça – diz o presidente Gelson Merisio (DEM-PSD).

Jailson Lima minimiza os custos e diz que é menor que a economia do corte de salários acima do teto de R$ 20.040, determinada em junho por Merisio após o vazamento de uma lista produzida pelo petista com os nomes de 61 funcionários que recebiam mais que os deputados.

O acordo para aprovação do projeto não teve unanimidade na bancada. Dresch e Luciane Carminatti foram votos vencidos.

– Acho que esse tipo de proposta deveria ser feita por projeto de lei complementar – afirma Dresch.

Para servidor concursado

A função gratificada é exercida por funcionários concursados. O Estado gasta, pelo menos, R$ 2,46 milhões. Para o professor da Udesc Leonardo Secchi, pesquisador da área de administração pública, a função gratificada é a forma adequada de promover o pessoal técnico-administrativo para exercer liderança e imprimir mudanças na direção das políticas públicas.



A NOIVA REGRA

O QUE FICOU NO PROJETO - Além de quem ocupou cargos de chefia e assessoramento superior, os demais comissionados passam a ter direito a acumular as gratificações. Acaba o período de cinco anos para começar a valer a incorporação do benefício.

O QUE MUDOU - Os valores da incorporação do adicional de insalubridade são os estabelecidos pela regra atual, que variam de R$ 200 a R$ 400. Antes era possível ter como base os valores da antiga legislação, que chegavam a R$ 3 mil. Além disso, o tempo mínimo na função considera insalubre será de 10 anos. O servidor que já recebeu incorporações em outros períodos não poderá pedir novamente o benefício. A gratificação para aqueles que tem pós-graduação só será aceita em casos de cursos presenciais, com o trabalho final apresentado na Escola do Legislativo. Cursos à distância estão fora. A gratificação criada para equiparar os salários dos “consultores especiais” aos dos antigos procuradores (R$ 24,1 mil) não poderá ser incorporada. A criação dos cargo está em discussão na Justiça e uma liminar já havia suspendido seu pagamento.

COMO ERA A REGRA - A gratificação era acumulada apenas por quem exerceu cargos de direção ou de assessoramento superior. O direito começava a valer após cinco anos no cargo. Daí em diante, ele poderia acumular 10% da gratificação por ano, até o limite de 100%.

EFEITO JAQUELINE - UM PERDÃO MERECE PERDÃO


O EFEITO JAQUELINE. Um perdão que merece perdão? Deputados absolvem colega acusada de corrupção e recebem enxurrada de críticas na internet - MAYARA RINALDI, DIÁRIO CATARINENSE, 01/09/2011

A absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), na sessão da Câmara de terça-feira à noite, provocou reação imediata nas redes sociais e, novamente, uma discussão sobre ética, corporativismo e tolerância à corrupção. O perdão dos parlamentares à colega despertou a ira dos internautas. Apesar do sentimento de decepção, especialistas alertam que o caso deve servir para que a sociedade se organize cada vez mais contra os escândalos.

Para o promotor de Justiça Affonso Ghizzo Neto, idealizador da campanha O que você tem a ver com a corrupção?, não se deve deixar que o desânimo inicial se transforme na sensação de que tudo está errado e nada tem jeito. Segundo ele, esse discurso só contribui para o aumento da impunidade. O promotor afirma que o fato deve ser um exemplo para que a opinião pública reflita sobre questões como a votação secreta da Câmara.

– Se fosse aberta, a votação teria sido igual? Esse caso demanda um posicionamento da socidade. Ela precisa comprar essa briga – diz.

Ghizzo Neto divide em dois grupos os deputados que votaram pela absolvição de Jaqueline. Na avaliação dele, ou os parlamentares se identificaram com a acusação e ficaram com medo de ser acusados e condenados por situações semelhantes ou receberam algum benefício e votaram por conveniência política. Ghizzo discorda da tese da defesa de que o fato foi antes do mandato.

– Isso é balela. O que está sendo julgado é a ética e a moral para exercer o mandato político.

Reflexão e mobilização é, também, o que defende o vice-presidente da Associação Catarinense de Ciência Política, Sérgio da Silva. Ele diz que, mais um vez, o Congresso deixou a desejar e não exerceu seu papel fiscalizador. Ele entende que os exemplos de corrupção que vêm a público precisam de uma resposta da população.

– Está na hora dos eleitores manifestarem sua indignação publicamente, nas ruas – afirma Silva.

Para o professor universitário Flávio Ramos, doutor em Sociologia Política, a absolvição da parlamentar, filha do ex-governador do DF Joaquim Roriz, mostra a força do corporativismo dos políticos e, com isso, cada vez mais o Parlamento se distancia da sociedade.

– Parece que os parlamentares perderam o bom senso, não se preocupam mais com a opinião pública. O grau de passividade da população brasileira é muito grande. As pessoas aceitam como uma coisa natural, e isso é preocupante.

Na terça-feira, depois da absolvição, o relator do processo contra Jaqueline no Conselho de Ética da Câmara, deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), criticou o resultado da votação. Ele questionou se haveria a mesma atitude do plenário se fosse descoberto que algum deputado tivesse estuprado alguém.

– Se viéssemos a saber no dia de hoje, por imagens de vídeo, que determinado parlamentar praticou pedofilia, que ele matou, que ele estuprou, o que essa Casa iria dizer à sociedade brasileira? – afirmou o tucano.

Ontem, lideranças da oposição no Congresso fizeram um novo manifesto a favor da comissão parlamentar de inquérito da corrupção, para apurar suspeitas de irregularidades em diversos ministérios do governo. Até agora, a CPI conta com o apoio de 126 deputados e 20 senadores. Para sair do papel, precisa da assinatura de 171 deputados e 27 senadores. Estavam presentes no ato PSDB, DEM, PPS e PSOL.

Uma manifestante vestida de capeta protestou no Salão Verde da Câmara contra a manutenção do mandato de Jaqueline. Leiliane Rebouças conseguiu ficar por 10 minutos no local até ser retirada pelos seguranças, com o argumento de que não estava vestida apropriadamente, como determina o regimento. Além da fantasia, ela levava um cartaz que expunha seu protesto. “Senhores(as) deputados(as) que salvaram Jaqueline Roriz, vão para o inferno e que o diabo os carregue”.


Placar geral

- 166 pela cassação

- 265 contra

- 20 abstenções

Eram necessários: 257 votos para decretar a perda do mandato

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É mais uma prova que a maioria dos Deputados toleram a corrupção e são coniventes com os corruptos dentro de seus quadros. Os deputados que se dizem honestos não podem ser álibis da bandidagem, mas já que aceitaram a votação secreta, por suposição fazem parte da mesma camarilha dos que votaram na absolvição da mensaleira do DEM. Nenhum deputado pode falar mal do mensalão do PT. Resta ao povo colocar o nariz de palhaço e de patrocinador da corrupção.

DEPUTADOS FEDERAIS E O ATESTADO DE IMORALIDADE


ATESTADO DE IMORALIDADE - EDITORIAL ZERO HORA 01/09/2011

Ao absolver a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada e filmada recebendo dinheiro de propina do chamado mensalão do DEM, a Câmara Federal passou à nação um verdadeiro atestado de imoralidade. Sob o pretexto de que o fato ocorreu antes da eleição da parlamentar e acobertados pelo voto secreto, os deputados fecharam os olhos para um delito escancarado e viraram as costas para os cidadãos, que exigem o fim da corrupção na política nacional. Jaqueline preservou o mandato e agora se filia a um grupo considerável de parlamentares abrigados pela impunidade. Desde 2005, a Câmara abriu processos contra 32 deputados, mas apenas quatro foram cassados. A decisão tomada em plenário na noite de terça-feira, com a anistia concedida à mensaleira, apenas reafirma uma postura que consagra o corporativismo e soterra eventuais indícios de que também o Congresso poderia se submeter a uma faxina.

O argumento para a absolvição contraria o relatório apresentado pela Comissão de Ética da própria Câmara e afronta noções básicas de decoro. Jaqueline defendeu-se com a desculpa de que recebeu a propina em 2006, quando não era deputada, e que o vídeo com o flagrante só veio a público em março último, três meses depois da posse. Como não conseguiria refutar a prova, buscou o pretexto de que era uma “cidadã comum”. Pois a parlamentar deveria, sim, ser julgada por seus pares pelo delito que cometeu antes de ser eleita. Como observou o relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP), o confisco do mandato seria uma reparação aos eleitores que somente tomaram conhecimento do fato quando a deputada já estava empossada.

O que prevaleceu não foi a defesa esdrúxula apresentada pela parlamentar, mas a ameaça feita da tribuna por seu advogado de que a cassação de sua cliente abriria um precedente para que muitos outros também fossem processados. Tanto que, apesar de ter o apoio de 265 deputados, que rejeitaram o pedido de cassação, contra 166 que se manifestaram por sua exclusão do parlamento, Jaqueline ouviu a voz solitária de um defensor. O gaúcho Vilson Covatti (PP) foi o único a falar em plenário. Por que nenhum dos outros 264 colegas foi à tribuna para endossar a inocência? Os silenciosos estavam protegidos pela votação secreta, que encobriu a identidade dos protetores da deputada.

Explica-se, assim, por que uma proposta de emenda constitucional que acaba com as votações secretas, inclusive quando da cassação de mandatos, está engavetada na Câmara desde 2006. Deliberações sigilosas quase sempre prestam dois desserviços, especialmente em circunstâncias como a da última terça-feira. Ocultam do eleitor os que, por fal- ta de coragem, não expõem publicamente suas posições. E, ao mesmo tempo, subtraem o direito de todos de identificar os parlamentares comprometidos com a correção no exercício de um mandato. A preservação da cadeira de Jaqueline Roriz comprova que esses últimos, infelizmente, são minoria. Resta esperar que a Justiça acolha a ação do Ministério Público contra a deputada, por peculato, e repare a complacência da Câmara com os atos indecorosos de seus integrantes.

MARAJÁS PORTO "ALEGRES"- O MICO DO ANO

Vereadores de Porto Alegre poderiam ter evitado o mico do ano - BEATRIZ FAGUNDES, REDE PAMPA, O SUL, Porto Alegre, Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011.

Por 265 votos contra, 166 a favor e 20 abstenções, a deputada Jaqueline Roriz (PMN/DF), flagrada em vídeo recebendo dinheiro do pivô do mensalão dos Democratas, foi absolvida e vai continuar lépida e faceira sua bem sucedida carreira! A deputada encaminhou um "memorial" de 28 páginas aos 513 parlamentares pedindo a rejeição do parecer do Conselho de Ética.

O memorial argumentava que Jaqueline "não se encontrava no exercício de qualquer mandato, especialmente de deputada federal" quando ocorreram os fatos, em 2006. Deu para entender? O fato ocorreu no passado enquanto ela não estava no exercício do mandato, portanto, agora não vale condenação. Antes que alguém cobre: e os outros? Respondo: então o País nunca vai começar o processo de moralização e punição exemplar? Quer dizer que parlamentares que tenham no passado cometido algum crime tipo assassinato, roubo e pedofilia também estão liberados?

A situação exige uma resposta que encontro no texto da poetisa e atriz Elisa Lucinda, cujo título "Só de Sacanagem" é inspirador: "Meu coração está aos pulos; Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração está no escuro, à luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: ?Não roubarás', ?Devolva o lápis do coleguinha", Esse apontador não é seu, minha filhinha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem! Dirão: ?Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba' e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre ético e o escambau. Dirão: ?É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal'. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!"

Os vereadores de Porto Alegre poderiam ter evitado o mico do ano. Em decisão tomada na tarde desta terça-feira, o TCE-RS (Tribunal de Contas do Estado) emitiu decisão cautelar suspendendo o aumento concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre aos subsídios dos vereadores dos atuais 10.335,00 reais para 14.837,00 reais. Um desgaste profundo na imagem de todos os parlamentares, inclusive daqueles que votaram contra.

A população está cada dia mais descrente da democracia.