VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

DEFENSOR DA ÉTICA


O Estado de S.Paulo
02 de fevereiro de 2013 | 2h 07


OPINIÃO



Renan Calheiros é presidente do Senado Federal. A Casa está de joelhos. Cinquenta e seis senadores renderam-se aos interesses subalternos do caciquismo político que transformou o Congresso Nacional no mais desprestigiado poder da República. Cumpriu-se, de resto, mais uma etapa importante da consolidação do projeto de poder do lulopetismo. Mais uma vez, os detentores da hegemonia política no plano federal demonstraram sua habilidade em usar a mão do gato para atingir seus objetivos. Para completar a destruição da credibilidade do Parlamento, só falta agora consumar-se a eleição do notório deputado Henrique Alves como presidente da Câmara dos Deputados.

Para os brasileiros que acompanharam pela televisão as sessões plenárias do julgamento do processo do mensalão pelo STF, a transmissão ao vivo da eleição de Renan Calheiros e da melancólica despedida de José Sarney foi ilustrativa, didática mesmo, por escancarar a falta de cerimônia com que muitos dos nobres parlamentares se esmeram em usar as palavras para esconder o que pensam e dissimular suas verdadeiras intenções. Sob esse aspecto, o comportamento dos petistas foi memorável.

Foi necessária uma eleição porque havia, teoricamente, dois candidatos à presidência. Pedro Taques (PDT-MT) e o notório Renan Calheiros (PMDB-AL). Mas a ampla maioria da base de apoio ao governo, diligentemente construída ao longo de 10 anos, não permitia qualquer dúvida quanto ao resultado. O próprio Pedro Taques se apresentou como "anticandidato", em discurso deliberadamente elaborado para denunciar a farsa que se encenava. Uma tentativa quase quixotesca, saudada com aplausos frouxos, rápidos e encabulados.

Pela tribuna desfilaram 20 senadores. Ironicamente, a maioria manifestou apoio a Taques. Os apoiadores de Calheiros nem se deram ao trabalho de gastar o verbo. Deixaram a missão para os líderes, como o novo comandante do PT na Casa, o piauiense Wellington Dias, que se desincumbiu do modo mais protocolar possível. Eduardo Suplicy (PT-SP), que não perde uma oportunidade de aparecer, não teve coragem de declarar que não aprovava a candidatura Renan e apelou para o recurso esperto de sair pela tangente com a proposta delirante da eleição de um terceiro nome "de consenso".

Os apoiadores da candidatura oficial insistiram no argumento de que o PMDB, como bancada majoritária, tinha o direito regimental de indicar o nome para a presidência. É verdade. Só não está escrito em lugar nenhum que o candidato teria que ter ficha suja, um comprometedor retrospecto de malfeitos exatamente no cargo para o qual estava sendo reconduzido depois de ter a ele renunciado para preservar o mandato de senador. Os opositores bateram insistentemente na tecla do "resgate da credibilidade" do Congresso. Certamente interpretam o sentimento da grande maioria dos brasileiros - que quer exatamente isso. Mas há muito tempo perderam, eles próprios, a capacidade de fazer oposição séria e consequente.

Nos 20 minutos em que, antes da votação, apresentou seu programa, Renan Calheiros repetiu várias vezes, sem corar, que só assumira a condição de candidato havia menos de 24 horas, depois da reunião realizada na noite anterior pela bancada do PMDB que oficializou sua indicação. Uma afirmação tão deslavadamente falsa quanto a crítica que fez, aos brados, dos homens públicos que atuam não em defesa dos interesses nacionais, mas de seus próprios interesses pessoais e de grupos.

O que é verdadeiro é o regozijo de Lula & Cia. com Calheiros na presidência do Senado. Trata-se de um exímio operador, habilitado como poucos ao toma lá dá cá que viabiliza o apoio do Congresso às matérias de interesse do Palácio do Planalto. Certamente isso terá um preço, que não será baixo. Mas Lula já ensinou e Dilma parece estar aprendendo que há sempre um preço a pagar.

Empossado no lugar de Sarney, Renan voltou a discursar, dessa vez para fazer promessas, que não mereceriam qualquer referência não fosse o fato de ter-se declarado o guardião da ética no Senado!

N. da R. - No editorial Combustíveis para crise (31/1), a influência citada no fim do segundo parágrafo é sobre os IGPs, não sobre os IPCs.

ELEIÇÃO CONSTRANGEDORA


ZERO HORA 02 de fevereiro de 2013 | N° 17331

EDITORIAL


A política tem a virtude de corrigir injustiças e promover reabilitações, mas apresenta também sua outra face mais sombria quando a imagem recuperada é o que existe de pior em qualquer democracia. É o que se configura com a eleição do senador Renan Calheiros para a presidência do Senado. Calheiros é uma figura que não deveria ter, pelo histórico como político, uma nova chance de comandar a mais alta casa legislativa do país. É absurda a situação em que o novo presidente da Casa poderá ser, ao mesmo tempo, seu gestor e réu em processo baseado em denúncias que o procurador-geral da República encaminhou ao Supremo, nas quais o senador alagoano é acusado dos crimes de falsidade ideológica, peculato e uso de documentos falsos.

Os senadores elegeram Calheiros, apesar do anunciado constrangimento que enfrentariam. Esperava-se, após o julgamento do mensalão, que o Congresso adotasse algumas providências no sentido de moralizar suas atividades. Não há como esperar mudança de atitude com a decisão tomada ontem, quando Calheiros obteve ampla maioria para assumir a presidência. Lembremos que o senador já desempenhou o cargo, ao qual foi obrigado a renunciar em 2007, depois de denúncias feitas pela imprensa de que recebia mesadas de uma empreiteira para pagar a pensão alimentícia de uma filha. Calheiros ainda tentou se defender, alegando que ganhara muito dinheiro com lucros fantásticos na venda de gado, mas foi obrigado a desistir. As notas fiscais do tal negócio eram frias, como consta da denúncia do procurador-geral encaminhada ao STF.

Mesmo assim, o político conseguiu ser reeleito, em 2010, e agora foi consagrado pelos próprios colegas. Obteve 56 votos, derrotando com facilidade Pedro Taques (PDT-MT). A estratégia que o reconduziu à presidência é a repetição de práticas condenáveis da política. Calheiros distribuiu cargos, para obter apoios, mas esse clientelismo não basta para explicar o que ocorreu ontem. O novo presidente tem a admiração e a solidariedade de quase todos os partidos – ou não teria obtido votação tão expressiva –, porque sempre assumiu posições corporativas em defesa de colegas sob investigação. Foi assim que contribuiu de forma decisiva para que a CPI do Cachoeira, que investigava o bicheiro, se transformasse numa sindicância tão confusa, que não resultou em nada.

Calheiros é a expressão de todas as mazelas da política. Foi eleito e, é claro, tem o direito de exercer seu mandato. Foi escolhido ontem para a liderança da Casa e será empossado. Mas não há como aceitar sem questionamentos o fato de que teve o apoio maciço dos colegas, apesar de todas as denúncias que pesam contra ele. Por esse ato, o Congresso poderá, ainda este ano, enfrentar uma situação ainda mais complexa do que a provocada pelas condenações do mensalão. Calheiros, se condenado pelo Supremo, poderá ser julgado pelo próprio Legislativo que o transformou em líder. Estaremos, mais uma vez, diante da vergonha de ver o Senado, e não só seu presidente, sendo julgado por seus atos.


PAIM SURPREENDEU


ZERO HORA 02/02/2013 | 07h36

Paulo Sant'Ana


É de relativa surpresa que o senador Paulo Paim (PT-RS) tenha votado ontem em Renan Calheiros para presidente do Senado Federal.

Paim declarou que votaria com seu partido, o PT.

Não é surpresa que o PT tenha eleito Renan Calheiros ontem. O PT há muito tempo já foi desvirginado.

Surpresa é o Paim, que tinha ainda o hímen quase íntegro e ontem foi tudo para as cucuias.

***

O que terá levado o Paim a votar em Calheiros, o assecla de Sarney?

Fidelidade partidária não foi. Tantas vezes o Paulo Paim já tinha sido infiel ao PT, uma vez mais não teria feito diferença.

Foi por interesse pessoal que o Paim deu esse infeliz voto?

Será que o Paim não percebeu que o eleitorado que prega a moralidade esperava que ele não fosse ceder à tentação do poder?

O fato é que Paim era um dos últimos baluartes da ética. E, com esse seu infausto voto, não há mais em quem o eleitorado possa confiar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

SENADO ELEGE PRESIDENTE SENADOR CHEIO DE DENÚNCIAS

ZERO HORA  01/02/2013 | 15h40

Renan Calheiros é eleito presidente do Senado. Candidato que sobe ao cargo em meio a denúncias fez 56 votos, contra 18 de Pedro Taques


Calheiros foi eleito com 56 votos para a presidência do SenadoFoto: Marcos Oliveira / Agência Senado/Divulgação


O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi eleito nesta sexta-feira presidente do Senado. Ele substituirá o companheiro de partido José Sarney (AP) e presidirá a casa legislativa por dois anos. Calheiros, eleito em meio a denúncias do procurador-geral da República, obteve 56 votos, contra 18 do senador Pedro Taques (PDT-MT). Houve dois votos em branco e dois nulos. Ao todo, 78 dos 81 senadores participaram da votação.

Antes da eleição, senadores falaram na tribuna do Senado, manifestando opiniões contrárias e favoráveis a Calheiros. Colega de partido do novo presidente da Casa, o gaúcho Pedro Simon afirmou que, em razão das denúncias envolvendo o seu nome, Calheiros não deveria ter se candidatado.

— Não sou íntimo de Renan. Mas, se fosse, eu lhe diria: não se meta nisso — disse Simon, que também criticou os colegas de plenário por não fazerem silêncio durante os discursos.

O ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL) tentou desqualificar a figura do procurador-geral Roberto Gurgel e dizer que ele não pode apresentar denúncias contra Calheiros:

— [Gurgel] é prevaricador, chantagista e sem autoridade moral — disse.

Em seu discurso, antes da votação, Pedro Taques se apresentou como perdedor. Disse que a vitória de Renan estava garantida e mas insistiu na importância moral da sua candidatura, citando "perdedores" como o Apóstolo Paulo e Tiradentes.

— Sou o candidato do PDT, do PSOL, do PSB, do DEM, do PSDB e de corajosos senadores de outras legendas que não se submeteram. Nós, os que vamos perder, saudamos a todos com a dignidade intacta — disse.

Na sua vez de falar, Calheiros se concentrou nas suas propostas para o exercício da presidência, entre elas a criação de um "banco de dados federativo" para auxiliar os senadores no conhecimento de assuntos relacionados aos Estados e ao DF. Prometeu criar uma Secretaria da Transparência, sem custo adicional para a Casa, e afirmou que pretende resgatar o papel do Senado como espaço legislativo e desburocratizado.

— Se no passado nós fomos capazes de remover o entulho autoritário, vamos remover o entulho burocrático do Brasil — disse.

Antes da votação, José Sarney fez o seu último discurso como presidente do Senado. Ele avisou, no começo, que a fala seria longa, pedindo desculpas aos colegas senadores, e em seguida enumerou todas as realizações no comando da Casa.

Dança das cadeiras

Os nomes dos candidatos à presidência do Senado são indicados pelas bancadas partidárias. A prioridade na escolha do cargo está vinculada ao número de senadores diplomados, por bancada, nas últimas eleições. Dessa forma, cabe ao PMDB a indicação do presidente.Desde 2003, o comando do Senado é praticamente uma dança das cadeiras entre Sarney e Calheiros, que presidiram a casa quase de modo ininterrupto. No quesito originalidade, o Senado merece nota zero. Com o retorno de Renan à cadeira de presidente nesta sexta, se completará mais de uma década sem que ele ou José Sarney estejam fora da presidência da Casa. A única exceção é Garibaldi Alves, em 2007: mas ele só foi eleito porque o alagoano renunciou para salvar o próprio mandato. Veja o quadro que mostra os presidentes eleitos para a casa nos últimos 10 anos:





COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -Os senadores mostram suas caras nesta eleição para presidente do Senado Federal, contrariando a opinião pública e a ética. Resta considerar este presidente persona non-grata no RS, se é que ainda resta indignação aos políticos e ao povo gaúcho, começar a reavaliar os senadores que votaram nele, e abraçar a campanha pelo fim do Senado.

CONTROLE VETADO NA AL-RS


ZERO HORA 01 de fevereiro de 2013 | N° 17330

AINDA MAIS DISTANTE

Parecer veta projeto de ponto na Assembleia


CARLOS ROLLSING

Iniciado no segundo semestre de 2012, após Zero Hora flagrar uma servidora que costumava passear com o cachorro em horário de trabalho, o processo de instalação de ponto eletrônico na Assembleia está mais longe de ser concretizado. Na terça-feira, o procurador-geral do Legislativo, Fernando Ferreira, remeteu ao então presidente Alexandre Postal (PMDB) o parecer final sobre a contratação do sistema, apontando problemas no termo de referência, documento base para o lançamento do edital de licitação.

Ferreira sugere que o termo de referência seja reformulado para corrigir duas fragilidades, do seu ponto de vista, fundamentais. A primeira delas é a alteração do tipo de licitação. Enquanto o documento indica o modelo de contratação por menor preço, o procurador sustenta que o ideal é optar por “técnica e preço”. Ele justifica que a prestadora de serviço precisa provar ter capacidade para desenvolver um sistema de ponto eletrônico de qualidade, o que justificaria a avaliação da técnica.

Ferreira apontou que o termo de referência não fez alusão à necessidade de estabelecer comunicação entre os sistemas de ponto e o de recursos humanos. Sem essa interligação, diz ele, o programa que gera a folha de pagamento não reconheceria os registros de ponto, cujo teor indicaria eventual corte de salário por descumprimento de carga horária.

Empossado ontem em sucessão a Postal, o novo presidente da Assembleia, Pedro Westphalen (PP), tem poder para lançar a licitação nos atuais termos, mesmo com o parecer contrário. No entanto, por questão de segurança jurídica, é praxe entre os deputados acatar os apontamentos.

Ontem, após a posse, Westphalen evitou aprofundar comentários sobre a pauta, que encontra resistências entre servidores da Casa.

– Os bons projetos vão ter continuidade – disse, referindo-se à gestão de Postal.

Questionado se o ponto é um “bom projeto”, Westphalen foi evasivo.

– Ainda não recebi nada da procuradoria – resumiu.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Os fantasmas agradecem. Todo esforço é inútil, quando ser trata de colocar qualquer tipo de controle e moralização na casa do povo.

A RENDIÇÃO DO CONGRESSO


A rendição do Congresso ao chiqueiro da política. Com um terço de seus parlamentares acusados criminalmente, o Congresso de Renan e Henrique dá sinais de preferir a imundície ao asseio das normas impostas pela moralidade pública

EDITORIAL
POR CONGRESSO EM FOCO | 31/01/2013 18:15




Agência Senado

Nossa opinião: no Congresso, cidadãos sob suspeita abusam da paciência de um povo tolerante demais com políticos bandidos“chiqueiro (sentido figurado) – casa ou lugar imundo”

Sintomático que o presidente do Senado, José Sarney, tenha proibido a manifestação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), convocada por várias entidades e apoiada pelo Congresso em Foco.

Os manifestantes pretendiam fazer ontem a lavagem simbólica da rampa do Senado para expressar a indignação que levou, até o momento em que é publicado este texto, mais de 250 mil brasileiros a subscrever o abaixo-assinado contra a volta de Renan àpresidência do Senado.

O problema é que limpeza é algo que não combina muito com o Congresso. Nas últimas duas décadas, ele proporcionou seguidas demonstrações de afronta aos cidadãos que custeiam suas bilionárias despesas (perto de R$ 8 bilhões no ano passado): escândalo do orçamento em 1993, compra de votos para aprovar a emenda da reeleição em 1997, violação do painel em 2001, mensalão em 2005, sanguessugas em 2006, farra das passagens e atos secretos em 2009… a lista é infindável.

Mas sempre pode ser enriquecida, aumentando o tamanho dos golpes contra a cidadania, prova agora o processo em curso de eleição das Mesas do Senado e da Câmara. Estamos diante de uma daquelas tristes situações que nos levam a constatar que, em se tratando do Congresso brasileiro, sempre é possível piorar.

Exemplar é o caso de Renan. Na iminência de receber a maioria folgada de votos dos seus pares, foi até agora incapaz de esclarecer as denúncias que, seis anos atrás, o obrigaram a renunciar à presidência do Senado para preservar o mandato de senador.

Reconduzir Renan ao posto, antes de eliminar todas as dúvidas quanto à sua conduta, põe sob suspeita todo o Legislativo. Um poder que já apresenta um gigantesco passivo no que se refere ao “controle interno” dos seus integrantes e das suas ações. E daí? O Congresso, que tem um terço de seus parlamentares às voltas com acusações criminais, continua a dar sinais de preferir a imundície dos chiqueiros ao asseio das normas impostas por aquilo que, algo pomposamente, poderíamos chamar de moralidade pública.

Com menos pompa, poderíamos dizer que se espera atenção a pelo menos duas normas básicas: não roubar o dinheiro dos contribuintes e investigar ou colaborar com a investigação de crimes contra a administração pública, sobretudo quando os acusados forem deputados e senadores.

Oposta é a regra que prevalece no Congresso. Ali, cidadãos sob suspeita gozam de proteção oficial, tapinhas solidários nas costas, carro e despesas pagas pelo erário, e abusam da paciência de um povo que demonstra excessiva complacência em relação a políticos bandidos.

Desfilam pelos corredores do Legislativo desde políticos condenados a prisão até a espantosa figura de Paulo Maluf, alvo de um mandado da Interpol que lhe impede de pisar em qualquer outro país do mundo, sem ir imediatamente para a cadeia, mas que pode, legalmente, ser deputado no Brasil.

A precária mobilização popular, muito aquém do tamanho dos desaforos que o Parlamento tem metido pela goela abaixo da sociedade, contribui para o escárnio não ter fim.

Apoiado por todos os grandes partidos, inclusive da oposição, é dado como favorito na disputa da presidência da Câmara outro político sob fortes suspeitas, o atual líder peemedebista, Henrique Eduardo Alves (RN).

Questionados sobre possíveis desvios de conduta, ele e Renan reagem de modo semelhante. Ignoram a denúncia, ao mesmo tempo em que instruem adversários a atribuir os graves questionamentos que lhes são feitos a meros preconceitos contra nordestinos. Esta, aliás, é uma das imbecilidades preferidas da meia dúzia de militantes pró-Renan que nos últimos dias tenta infestar este Congresso em Foco com centenas de comentários, invariavelmente usando nomes falsos e termos ofensivos.

Como não há limites para o abismo moral, o PMDB, outrora valente combatente da ditadura e hoje confortável abrigo para novos e velhos suspeitos, prepara-se para eleger como líder outro parlamentar sob investigação, Eduardo Cunha (RJ). Também deve explicações à Justiça seu rival na disputa, Sandro Mabel (GO).

Em comum a Renan, Henrique, Eduardo Cunha e Mabel, a facilidade com que se aliam aos governos de plantão, sempre multiplicando os instrumentos a serviço de um tipo de política que, definitivamente, não cheira bem.

O Congresso em Foco sente-se no dever de manifestar perplexidade diante de tudo isso e se colocar à disposição dos brasileiros que pretendem ver um Congresso radicalmente diferente. Afinal, fazemos jornalismo na esperança de contribuir para as coisas mudarem para melhor – não para pior.



CONGRESSO EM FOCO, 26/01/2013

Gurgel denuncia Renan no caso dos bois de Alagoas. Senador é suspeito de usar notas frias para comprovar que ele, e não o lobista de empreiteira, pagou suas despesas particulares

POR EDUARDO MILITÃO, EDSON SARDINHA E MARIO COELHO


Denúncia de Gurgel trata de suspeita de uso de notas frias na compra de gado no Nordeste

O procurador Geral da República, Roberto Gurgel, denunciou o candidato favorito a tornar-se o próximo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no caso das notas dos “bois de Alagoas”, derivado das suspeitas de ter despesas particulares pagas por um lobista de empreiteira após o parlamentar ter um filho com a jornalista Mônica Veloso. A denúncia no inquérito 2593 foi apresentada na sexta-feira (25) ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski. A papelada já soma mais de 5.600 folhas.

Em 2007, Renan foi acusado por Mônica Veloso, sua ex-amante, de usar dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar suas despesas com a pensão do filho e do aluguel da jornalista. Para comprovar que tinha condições de arcar com os gastos sozinho, o senador apresentou notas fiscais de vendas de bois. Mas a Polícia Federal apontou que aqueles documentos não garantiam recursos para quitar a pensão. Também afirmou que os papéis não comprovavam a venda de gado. Havia a suspeita que as notas eram frias. O caso levou o senador a deixar a presidência do Senado, cargo que agora volta a postular.

Por meio de assessoria, Gurgel disse ao Congresso em Foco neste sábado (26) que não informaria por qual crime denunciou Renan Calheiros. “Não vou dar detalhes porque o inquérito corre sob segredo de Justiça”, afirmou ele, na tarde de hoje. O inquérito foi aberto na Procuradoria Geral da República a pedido do próprio Renan, que queria ser investigado na expectativa de comprovar não ter cometido nenhuma irregularidade.

Com a denúncia em mãos, Ricardo Lewandowski deverá fazer um relatório e um voto para levar o caso ao plenário. Quando isso acontecer, os 11 ministros do Supremo decidirão se recebem a denúncia ou se rejeitam o pedido de Gurgel. Caso aceitem a denúncia, Renan se tornará réu em uma ação criminal.

Tráfico de influência

Essa não é a única acusação contra o favorito para suceder José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. Renan é alvo do inquérito 2998 por tráfico de influência e improbidade administrativa, que corre em segredo de Justiça no STF.


Estrada que liga fazenda de Renan a rodovia foi pavimentada em uma reserva ambiental

Também responde ao inquérito 3589 por crime ambiental. Para o Ministério Público, o senador pavimentou ilegalmente, com paralelepípedos, uma estrada de 700 metros na estação ecológica Murici, administrada pelo Instituto Chico Mendes, em Flexeiras, a 66 km de Maceió (AL). O instituto, porém, não foi consultado e não concedeu qualquer licença ou autorização para a obra. A unidade, de 6 mil hectares, conserva áreas de Mata Atlântica. A estrada liga a fazenda Agropecuária Alagoas Ltda, de propriedade do grupo de Renan, à principal rodovia que corta o estado, a BR-101.

Crise e quase cassação

O caso das despesas de Mônica Veloso causou uma crise no Senado em 2007. A empreiteira Mendes Júnior – supostamente a fonte de recursos de Renan para pagar a pensão da jornalista – executou uma obra no Nordeste que recebeu uma emenda do senador na Lei de Diretrizes Orçamentárias.

As denúncias multiplicaram-se no Conselho de Ética, chegando até mesmo a uso de laranjas para esconder a propriedade de veículos de comunicação em Alagoas, o que é proibido aos parlamentares segundo a Constituição. Das seis denúncias no Conselho, duas foram ao plenário. Mas Renan escapou duas vezes da cassação do mandato. Entretanto, teve que renunciar ao cargo de presidente para garantir a sobrevida política.

Renan “mergulhou” no ano seguinte, ou seja, adotou uma postura mais discreta e atuou preferencialmente em negociações reservadas. Mas já em 2009 tornou-se líder do PMDB, cargo importante para quem desejava voltar a ter a relevância de outrora na política. Desde o ano passado, Renan costura seu retorno à presidência da Casa, o que parece estar cada vez mais perto. Por enquanto, seus adversários são Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT).

A reportagem não conseguiu localizar Renan e sua assessoria neste sábado.

DONO DO SENADO

 
ZERO HORA 01 de fevereiro de 2013 | N° 17330


Renan à espera de sua volta por cima

PMDB oficializa alagoano como candidato a retornar à presidência da Casa

Alheio a qualquer pressão ou constrangimento, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi lançado oficialmente por seu partido como candidato à presidência do Senado. Alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República por supostas irregularidades em notas fiscais que apresentou para comprovar renda em 2007, o alagoano, que foi presidente por duas vezes – na segunda, renunciou para salvar o mandato –, é o favorito para a disputa de hoje.

Abaixo-assinados pipocam via internet, pedindo que Renan não seja eleito. Um protesto na quarta-feira pôs 81 kits de limpeza (um para cada senador) diante do Congresso para evitar o retorno do senador. Em 2007, o alagoano renunciou à presidência do Senado após uma onda de denúncias contra ele. À época, chegou a ser alvo de seis processos de cassação, mas apenas dois deles chegaram ao plenário, tendo sido absolvido dos dois.

Ontem, acabada a reunião que o formalizou como candidato, Renan não quis atender à imprensa.

– A candidatura não pertence até este presente momento ao senador Renan, e sim ao partido. Pertence à bancada e ao partido, que deliberou para o último dia. Ele estava construindo a candidatura – disse o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

O presidente da sigla não acredita que a candidatura de Renan esteja constrangendo os peemedebistas.

– O preço do PMDB é ver restabelecida a democracia no Brasil, ter ajudado governos a desenvolver o país. Ajudou no governo Fernando Henrique, no governo Lula, no da presidente Dilma, com o presidente Sarney e com Tancredo Neves – afirmou.

Na reunião, o PMDB definiu Romero Jucá (RR) como candidato à segunda vice-presidência da Mesa. Estavam presentes à reunião 17 senadores. Só faltaram Luiz Henrique (SC), por motivo de saúde, Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), ambos considerados independentes.

Não houve voto contra Renan, mas vários senadores do partido contestaram a forma e a demora no processo de escolha. Aos colegas, o alagoano prometeu uma série de ações para mudar a gestão do Senado. Uma delas é a criação da Secretaria da Transparência.

Independentes apoiam Taques para ampliar constrangimento

A resistência à volta de Renan à presidência está confinada aos poucos senadores independentes. Após uma reunião também ontem, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) desistiu de sair candidato para apoiar Pedro Taques (PDT-MT). Taques obteve ainda o reforço do PSDB e do PSB. Na contabilidade dos votos, é pouco provável que ocorra uma surpresa. A tentativa dos independentes é fazer barulho para amplificar ao máximo o constrangimento de Renan e José Sarney (PMDB-AP), atual presidente e parceiro de rodízio com o alagoano na presidência da Casa (veja destaque).

– Pedro Taques tem uma missão, que é resgatar o Senado Federal. Eleger Renan é caminhar para o precipício – disse Randolfe.

Questionado se teria chances de vencer, Taques disse que o número de votos “é o menos importante”.

– O que precisamos mostrar é que no Senado existe vida, e que ela não está atrelada ao passado – disse o candidato dos independentes.

Brasília