VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

DESCRIMINALIZAÇÃO DAS EMENDAS


Ministro diz que emendas precisam ser 'descriminalizadas'. Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho afirmou que é possível destinar emendas para projetos que beneficiem a população e nega 'toma lá, dá cá'

31 de julho de 2013 | 11h 41

Rafael Moraes Moura - Agência Estado


O chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta quarta-feira, 31, que é preciso "descriminalizar" o conceito das emendas parlamentares, ao ser questionado sobre a estratégia do governo de abrir o cofre e liberar três lotes de liberação até o fim de 2013, totalizando R$ 6 bilhões. "Nós precisamos descriminalizar o conceito da emenda. Ela é, sim, historicamente, no País um instrumento que tem feito muita coisa boa.

Em defesa ao instrumento, ele afirmou que é possível destinar emendas para projetos que beneficiem a população sem "essa visão rebaixada" de uma relação meramente "toma lá, dá cá ou fisiológica". "Não é bem assim, não é verdade que é assim. Temos procurado incorporar as emendas, trabalhar com os parlamentares para que emendas sejam destinadas a projetos que atendam efetivamente a população que estejam dentro do programa de governo nosso", disse.

"Eu conheço, pessoalmente, muita creche, muita ponte muita estrada por esse País afora fruto de emenda. Temos de fiscalizar o que ocorre com esse dinheiro que vai para emenda lá na ponta. A população tem de fiscalizar", disse, antes de participar de cerimônia no Palácio do Planalto de lançamento do programa Cataforte - Negócios Sustentáveis em Redes Solidárias.

A presidente Dilma Rousseff fez uma reunião com ministros e pediu que eles fizessem uma lista dos principais projetos contidos nas emendas paradas em cada pasta. Embora a administração federal tenha anunciado corte adicional de R$ 10 bilhões no Orçamento para cumprir a meta fiscal e recuperar a confiança do mercado na política econômica, Dilma decidiu manter a reserva para pagar emendas.

De acordo com Carvalho, a "criminalização" das emendas leva a população a achar que "todo político é bandido" e "desvia recurso". "Isso não é verdade", afirmou. As relações entre os poderes, destacou, exigem um "permanente diálogo e entendimento". "Quando o governo discute uma relação com o Congresso que passa pela discussão de projetos e emendas, é uma coisa, ao meu juízo, a mais natural porque a emenda não pode ser considerada um instrumento inadequado", afirmou.

"A emenda é uma forma com que o parlamentar cumpre também seus compromissos com a sua base e, feita de maneira adequada, traz benefícios à população. O que nós temos feito e a presidente Dilma tem feito de maneira muito correta é trabalhar a discussão dos projetos e, ao mesmo tempo, permitir que o deputado, senador tenha acesso àquela emenda que permite, insisto, que não é para o deputado o dinheiro, tem de tirar essa imagem, é dinheiro para a população. Vai ser empregado em projetos que em geral a gente tem procurado afinar com os projetos governamentais de modo que eles contribuam com a realização do projeto do governo", disse.

LA POLÍTICA È TROPPO SPORCATA

O ESTADO DE S.PAULO 01 de agosto de 2013 | 7h 36


ROBERTO MACEDO *


Ao visitar o Brasil, o papa Francisco falou sobre diversos temas. Dado o estado desalentador da política no País, interessei-me particularmente por suas palavras sobre o assunto. Foram polidas, à sua maneira e para não ser descortês com autoridades locais, algumas delas presentes no eventos, mas distantes dos objetivos e caminhos que ele pregava.

Mas Francisco não deixou de dar os seus recados sobre o tema, como no sábado, no Teatro Municipal do Rio, onde estavam alguns políticos. Lia um texto, mas improvisou para acrescentar: “O futuro exige hoje reabilitar a política, uma das formas mais altas de caridade. O sentido ético é um desafio sem precedentes”. E após a apresentação na Via-Crúcis no dia anterior, afirmou: “Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas”. Também atacou a corrupção na política, como ao visitar a comunidade de Varginha, na quinta-feira, quando pediu aos jovens que não se desiludissem “com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício”. É o figurino de muitos políticos brasileiros.

Sobre a política encontrei na internet uma recente fala papal mais explícita nas suas críticas, que também alcançaram os cristãos. Está em www.youtube.com/watch?v=-F5MwyYWKvQ. Foi em Roma, para uma plateia principalmente de jovens, no início do mês passado. Na ocasião deixou de lado um discurso de cinco páginas, que chamou de “aborrecidas”, segundo a tradução que consta nas legendas do vídeo. E logo se dispôs a responder a questões da audiência.

Um participante, de grupo ligado a escolas jesuítas, pediu-lhe algumas palavras sobre “(...) como nosso compromisso, nosso trabalho hoje na Itália e no mundo, pode ser jesuítico e evangélico”. A resposta: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Temos que nos meter na política, porque a política é uma das formas mais altas de caridade, porque busca o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política”.

Note-se que ele enfatizou a política como a busca do bem comum, o que repetiu aqui, na comunidade de Varginha, conforme assinalei acima. E não ficou apenas na crítica da política na sua prática, e de maneira mais forte, como mostrarei mais adiante. Recomendou que os cristãos participem dela dentro dessa visão centrada no bem comum.

Voltando à fala em Roma, veio a frase que intitula este artigo, traduzida na legenda como “a política está muito suja”. E continuou: “Mas, eu pergunto, está suja por quê? Por que os cristãos não se meteram nela com espírito evangélico? É a pergunta que eu faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros. Mas eu, o que faço? Isto é um dever. Trabalhar para o bem comum é um dever do cristão”.

Não domino o italiano. Mas ao ouvir “sporcata” pareceu-me que o termo tinha um quê de porcaria e consultei um dicionário italiano-português. Em face do que encontrei, parece-me que a tradução da legenda usou a versão mais suave do termo original. No dicionário consta “porcata”, um substantivo significando sacanagem, patifaria, safadeza, porcaria, porcalhada, obscenidade, bandalheira, coisa mal feita, droga. Há também o adjetivo “sporco”, que significa sujo, imundo, porco, porcalhão, imoral, obsceno e outros termos na mesma linha.

Uma tradução mais adequada ao Brasil seria imunda ou emporcalhada, ou outros termos mais contundentes, ou mesmo todos os citados. Sujo é pouco para o que se vê na política, e não só aqui, no Brasil. Sendo argentino e conhecedor da Itália, ele sabe o que falava.

Na Itália, aliás, na sexta-feira vi pela internet que foram presas aproximadamente cem pessoas em ação contra diferentes organizações da Máfia, numa operação que envolveu centenas de policiais. Entre os presos, a maioria na região da Calábria, havia um senador, Piero Aiello, membro do partido conservador do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, um “sporco” de destaque.

No contexto brasileiro, o que Francisco disse em Roma sobre a política reforça a crença na infalibilidade papal. Há as honrosas exceções, mas cada vez mais excepcionais. E vale também sua observação quanto à omissão dos cristãos, e que não é apenas deles. É dos cidadãos em geral.

Recentemente o País acordou dessa omissão e vieram as manifestações de junho, quando a reivindicação de menores ou nulas tarifas de ônibus levou a protestos de caráter político mais amplo, como contra a corrupção e a má gestão de recursos e serviços públicos em geral. Surpresos, políticos reagiram defensivamente, reduzindo essas tarifas e prometendo responder à voz das ruas. Mas a “porcata” também se evidenciou, como na cúpula do Congresso, com o mau exemplo de viagens dos presidentes de suas duas Casas em aviões públicos postos à disposição de interesses privados. E num jantar oferecido pelo presidente da Câmara, por conta da Casa, para companheiros de partido, a R$ 350 por cabeça.

Não sei se por causa das férias escolares, ou qual outro motivo, as manifestações de rua com conteúdo político refluíram bastante em julho, em número e densidade. Na sexta-feira em São Paulo, na Avenida Paulista, o destaque ficou para os vândalos. É preciso que sejam retomadas, e também reforçada a prevenção e a atuação contra o vandalismo. Ontem ele se repetiu em nova manifestação, mas desta vez a polícia foi mais atuante.

Sou economista e tendo a enfatizar questões econômicas, Mas os nós que prendem o Brasil ao atraso estão mais na política do que na economia. Vejo a expressão “política econômica” nesta ordem: a política em primeiro lugar, mas no Brasil ela prejudica muito a economia, pois é muito, muitíssimo “sporcata”.


* ROBERTO MACEDO É ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, CONSULTOR ECONÔMICO E DE ENSINO SUPERIOR.

DA ARTE DE ILUDIR


O ESTADO DE S.PAULO, 01 de agosto de 2013 | 7h 46


DEMÉTRIO MAGNOLI *



Todos eles leram O Leopardo, de Lampedusa. “Se queremos que as coisas permaneçam como sempre foram, elas terão de mudar” - o célebre conselho de Tancredi Falconeri a Don Fabrizio provavelmente não foi enunciado explicitamente na reunião de Dilma Rousseff com os líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), mas uns e outros sabiam que era disso que se tratava. A presidente declarou-se simpática à proposta de reforma política, mas não chegou a anunciar apoio público, algo que “não interessa” ao movimento, segundo o juiz Márlon Reis. O patrocínio oficial ficou, assim, fora dos autos.

Nas ruas, em junho, gritaram-se as palavras “educação” e “saúde”, não “reforma política”. Contudo o governo concluiu, razoavelmente, que o sistema político em vigor se tornou insuportável - e resolveu agir antes que uma nova onda de manifestações se organize sob a bandeira “Fora Dilma”. Os ensaios sucessivos da Constituinte exclusiva, uma flagrante inconstitucionalidade, e do plebiscito, uma tentativa quixotesca de cassar as prerrogativas do Congresso (o que se traduz hoje, na prática, como prerrogativas do PMDB), evidenciaram o desespero que invadiu o Planalto. É sobre esse pano de fundo que surgiu, como derradeira boia de salvação, a iniciativa do MCCE. Tancredi está entre nós.

Antes das manifestações de junho, só o PT tinha uma proposta completa de reforma política. Nos sonhos petistas, o anárquico e corrompido sistema atual evoluiria em direção a algo mais consistente - e ainda mais impermeável à vontade dos cidadãos. O financiamento público de campanha concluiria o processo de estatização dos partidos políticos, que se tornariam virtualmente imunes ao escrutínio popular. O voto em lista fechada concentraria o poder nas mãos das cúpulas partidárias, rompendo os tênues vínculos ainda existentes entre os eleitores e seus representantes. No fim, surgiria uma partidocracia cortada segundo os interesses exclusivos do partido dotado da máquina eleitoral mais eficiente.

O projeto petista, que já esbarrava na resistência do restante da elite política, tornou-se inviável depois do transbordamento das insatisfações populares. No lugar dele, o Planalto inclina-se em direção ao artefato lampedusiano produzido no forno do MCCE. O primeiro componente da proposta, sobre o financiamento de campanha, é um tímido aceno às ruas. O segundo, sobre o sistema eleitoral, é uma versão levemente modificada do projeto petista do voto em listas fechadas. Os autores da proposta têm bons motivos para temer que lhes colem o rótulo de companheiros de viagem do governo.

Dentro da ideia do financiamento público de campanha pulsa um coração totalitário. Sob a sua lógica, os partidos se libertariam por completo da necessidade de persuadir as pessoas a financiá-los. Pela mesma lógica, eu seria compelido a pagar as campanhas de figuras arcaicas restauradas pelo lulopetismo (Sarney, Calheiros, Collor, Maluf), de pastores fanáticos que sonham incendiar bruxas (Feliciano), de oportunistas sem freios atraídos pelas luzes do poder (Kassab, Afif), de saudosistas confessos do regime militar (Bolsonaro) e de stalinistas conservados em formol que adoram ditaduras de esquerda (quase todos os candidatos do PT, do PCdoB e do PSOL). O MCCE rejeitou essa ideia macabra, associando sensatamente o financiamento de campanha à capacidade dos partidos de exercer influência sobre cidadãos livres. Entretanto, curvando-se aos interesses gerais da elite política, a proposta não toca nas vacas sagradas do sistema em vigor: o Fundo Partidário e o tempo de televisão cinicamente qualificado como gratuito.

O sistema eleitoral atual é uma triste caricatura de democracia representativa. Soterrados sob listas intermináveis de candidatos apresentados por dezenas de siglas partidárias e ludibriados pelo truque imoral das coligações proporcionais, os eleitores operam como engrenagens da máquina de reprodução de uma elite política bárbara, hostil ao interesse público. A alternativa petista do voto em listas fechadas corrompe a representação de modo diverso, mas não menos doentio, conferindo aos chefes dos partidos o poder extraordinário de esculpir a composição do Parlamento.

A proposta do MCCE envolve a alternativa petista num celofane ilusório, sem modificar o seu cerne. Os partidos seriam obrigados a realizar prévias internas fiscalizadas pela Justiça Eleitoral para selecionar seus candidatos, o que configura uma interferência antidemocrática na vida partidária. Numa primeira etapa, os eleitores votariam apenas nos partidos. Depois, na etapa derradeira, votariam em nomes constantes de listas com duas vezes mais candidatos que as vagas obtidas na etapa anterior. A valsa complexa conserva o poder de decisão essencialmente com os dirigentes dos partidos, mas distribui alguns doces aos eleitores. O Planalto e o PT entenderam o sentido da obra - que, por isso mesmo, deve ser descrita como “apartidária”.

Uma ruptura democrática seria a adoção do sistema de voto distrital misto. Nos Estados Unidos e na França, a disputa entre apenas um candidato de cada partido em circunscrições eleitorais delimitadas transfere o poder de decisão para os eleitores e provoca nítidas polarizações ideológicas. Sob a sua lógica, os partidos são estimulados a lançar candidatos capazes de sobreviver ao escrutínio direto do público. E, ao contrário do que argumentam os arautos do voto proporcional exclusivo, os candidatos não se podem apresentar como “deputados-vereadores”, pois a dinâmica da disputa majoritária os compele a associar seus nomes às posições doutrinárias de seus partidos.

O MCCE, porém, parece avesso à ideia de uma mudança genuína. “Precisamos do apoio de todas as forças políticas na hora da aprovação no Congresso”, explicou Márlon Reis, o Tancredi disponível na esteira da tempestade de junho.

* DEMÉTRIO MAGNOLI É SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@UOL.COM.BR.


PARLAMENTAR PODE TER COTA DE R$ 10 MILHÕES EM EMENDAS


Após anúncio de Dilma, parlamentar pode ter cota de R$ 10 milhões. Governo quer aumentar a liberação de emendas no ano pré-eleitoral

CRISTIANE JUNGBLUT
O GLOBO
Atualizado:1/08/13 - 9h50


BRASÍLIA — Diante da pressão de ter a cada semana o risco de ver aprovadas as chamadas pautas-bomba do Congresso, com impactos fiscais, a presidente Dilma Rousseff iniciou um movimento para tentar aumentar este ano a média de emendas liberadas por parlamentar, principalmente para os aliados. Se todas as promessas forem cumpridas, ou seja, se o governo liberar, de fato, os R$ 6 bilhões autorizados terça-feira pela presidente Dilma, os parlamentares terão R$ 10,1 milhões em emendas empenhadas (autorizadas para pagamento futuro) este ano, contra a média de R$ 7,5 milhões registrada ano passado.

Todos os anos, os 594 parlamentares apresentam emendas no valor de R$ 15 milhões para cada um, mas esse valor nunca é totalmente liberado pelo governo. A promessa feita nos bastidores aos parlamentares da base é que a cota para empenho — que está em apenas R$ 3 milhões por parlamentar até o momento, contabilizando os R$ 2 bilhões autorizados em junho —, dobre para R$ 6 milhões até a próxima semana. O empenho é a garantia de que um dia a emenda será paga. Se não neste ano, nos próximos.

Os dados do Siafi (o sistema de administração financeira), porém, mostram uma realidade ainda bem diferente da pretendida pelo governo para acalmar a base aliada: dos R$ 29 bilhões em emendas autorizados no Orçamento Geral da União (OGU) de 2013, foram empenhados até agora apenas R$ 6,4 bilhões, ou 21,95%, segundo dados obtidos pelo DEM.

Além disso, dos R$ 4,8 bilhões dos chamados restos a pagar (pagamentos autorizados que ficam de um ano para outro) de 2012 inscritos em 2013, foram pagos até agora R$ 976,4 milhões (20%). O Orçamento de 2013 teve um corte de R$ 38 bilhões, mas foram preservados R$ 7,1 bilhões em emendas parlamentares. Se todos esses recursos preservados fossem empenhados, o que não deve ocorrer, a cota por parlamentar subiria para R$ 12 milhões.

O hiato entre a ordem para gastar e as ações dos ministérios foi o motivo da reunião de Dilma com os ministros, terça-feira. Ela quis saber por que os ministérios não promoveram empenhos do OGU de 2013, já que o limite financeiro para o gasto de R$ 2 bilhões foi dado em 18 de junho.

Tradicionalmente, os ministérios das Cidades, da Integração, do Esporte, do Turismo e da Cultura são os campeões de emendas aprovadas, porque os parlamentares destinam os recursos das emendas para obras e projetos em suas paróquias eleitorais, como construção de quadras de esporte e realização de eventos culturais. A maior parte, no entanto, é destinada a ações básicas de Saúde, que geralmente são pagas.

Para se ter uma ideia de como os parlamentares distribuem suas emendas, foram pesquisados dois casos. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) distribuiu os seus R$ 15 milhões em quatro ações em Minas: R$ 10,5 milhões para atenção básica à Saúde; R$ 2 milhões para assistência hospitalar e ambulatorial; R$ 1 milhão para ações de combate e prevenção de drogas; e o restante para as universidades de São João Del Rey e de Juiz de Fora. Só as ações para Saúde foram empenhadas.

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) distribuiu sua cota em 17 ações no Rio: R$ 6 milhões para infraestrutura em educação básica; R$ 2 milhões para atenção básica à Saúde, e R$ 1,2 milhão para a Biblioteca Nacional. O restante foi para escolas técnicas e ações de inclusão digital, entre outros. Foram empenhados apenas recursos para projetos educacionais.

RELAÇÃO PROMÍSCUA


ZERO HORA 01 de agosto de 2013 | N° 17509

EDITORIAIS


De tão previsível, não surpreende a mais ninguém o gesto da presidente Dilma Rousseff de autorizar a liberação de R$ 6 bilhões (em três parcelas de R$ 2 bilhões) para emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União, a fim de evitar surpresas desagradáveis nas votações previstas para este mês no Congresso. Já é tradicional no Brasil que o relacionamento entre o governo federal e a base aliada no Congresso se organize a partir de um duplo movimento: no início do ano, o chamado contingenciamento ou congelamento da execução de parte do Orçamento do ano corrente, e, à medida que se aproxima o final do exercício, a abertura seletiva da torneira para irrigar a propensão de deputados e senadores a serem fiéis ao Planalto.

Não é por falta de engenho que a elite política brasileira não consegue resolver problemas críticos da nação. Afinal, em pouco mais de duas décadas da promulgação da Constituição de 1988, governantes e representantes tiveram sucesso em uma empresa de rara complexidade: convencer quase 190 milhões de cidadãos de que, por um lado, o Orçamento Geral da União é um autêntico ordenamento de receitas e despesas públicas e que, por outro, a forma e o ritmo de sua execução dependem do livre-arbítrio do presidente da República. Um subproduto desse conto de fadas é o mecanismo da emenda parlamentar ao Orçamento, pelo qual deputados e senadores criam despesas, quase sempre sem receitas correspondentes, e, caso o referido gasto seja efetivamente realizado, assumem perante os eleitores a paternidade da obra ou do serviço.

A verdade, porém, é bem outra. Em primeiro lugar, o Orçamento Geral da União pertence, no mais das vezes, ao terreno da literatura fantástica e não da literatura realista. Em segundo, a emenda parlamentar não é uma prodigalidade do parlamentar em relação ao eleitor, e sim uma rédea pela qual o Executivo garante a obediência do Legislativo. E, em terceiro, os benefícios previstos nas emendas parlamentares – como, de resto, em todo o Orçamento – são um dever do Estado, custea-do por meio de impostos pagos pelo contribuinte, e não favor prestado pelo Congresso.

O atual debate sobre reforma política tomaria um rumo promissor se fosse examinada seriamente a possibilidade de se disciplinar e moralizar de forma severa a elaboração, a execução e o controle do Orçamento Geral da União. Já existem propostas a esse respeito, como abolição das emendas individuais e adoção de mecanismos de fiscalização e participação popular na composição e na execução da peça orçamentária. O que não se pode tolerar é a continuidade do atual estado de coisas, no qual recursos consideráveis oriundos dos cofres públicos tornam-se objeto de barganha entre poderes.

EMENDAS NÃO SÃO SOLUÇÃO, DIZ LÍDER DO GOVERNO NO SENADO

ZERO HORA 01 de agosto de 2013 | N° 17509

RETORNO TENSO. Emendas não são solução, diz líder

Planalto anunciou pagamento de R$ 6 bilhões em três etapas para agradar a aliados no Congresso



Líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) afirmou que a decisão da presidente Dilma Rousseff de liberar R$ 6 bilhões até o fim do ano em emendas ajuda a distensionar a relação com o Congresso. Mas advertiu que, sozinha, a ação não resolverá eventual derrubada de vetos presidenciais.

Após o recesso, o Legislativo retoma os trabalhos hoje e, no dia 20, deve apreciar pelo menos seis vetos que, se derrubados, podem causar um impacto de R$ 6,2 bilhões aos cofres públicos até o final de 2014.

– É um movimento positivo, mas é só uma etapa no processo de aproximação – disse o líder.

Antes do recesso, o Congresso decidiu que todos os vetos a iniciativas legislativas têm de ser apreciados em sessão em até 30 dias em votação secreta, sob pena de trancarem a pauta. Braga afirmou que há temas que tiveram amplo apoio dos parlamentares quando tramitaram e reconheceu que há vetos a essas propostas com risco de caírem.

Apesar de louvar o gesto da presidente, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), lembrou que liberação de emendas faz parte de um conjunto de ações que precisam ser melhoradas, entre elas a articulação política entre o Planalto e o Congresso:

– Deputado aqui não vai deixar votar ou deixar de votar só porque recebeu ou deixou de receber emenda.

O peemedebista revelou que está empenhado em levar de volta o suplente Eliseu Padilha de volta à Câmara como vice-líder da bancada:

– Padilha é muito importante aqui. Eu tinha colocado ele aqui para fazer uma parte de plenário e me deixar um pouco mais solto. Quando saiu, me desfalcou.

Cunha disse que tratou do assunto com o vice-presidente Michel Temer. Ele pensou em convencer o deputado Mendes Ribeiro (RS) a pedir licença e ceder o lugar a Padilha.

JOVENS FORMAM O MAIOR GRUPO DE DESEMPREGADOS



ZERO HORA 01 de agosto de 2013 | N° 17509

KAMILA ALMEIDA

EM BUSCA DE VAGAS. Jovens formam o maior grupo de desempregados

Na Região Metropolitana, 41,3% das pessoas que procuram emprego têm entre 16 e 24 anos



Lanna Tesori Mendes, 18 anos, reúne as características de quem procura emprego na Região Metropolitana. Ela é mulher e tem entre 16 e 24 anos – sexo que representa 57,4% dos desocupados e faixa etária que reúne 41,3% dos 125 mil desempregados registrados em junho.

A história da jovem que cursa o Educação de Jovens e Adultos (EJA) e deixou os estudos no 1º ano do Ensino Médio porque precisava trabalhar é semelhante a de muitos outros que buscam oportunidades.

A taxa de desemprego vem se mantendo praticamente estável na região metropolitana de Porto Alegre – passou de 6,5% em maio para 6,6% em junho, conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem. Para especialistas, essa situação proporcionaria maior estabilidade às famílias, permitindo que os jovens fiquem mais tempo em casa estudando, mas essa não é a realidade preponderante.

– O jovem tem dificuldades em encontrar a porta de entrada no mercado de trabalho. Também não se sente estimulado a seguir estudando – afirma Ana Paula Queiroz Sperotto, supervisora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/RS), responsável pela PED juntamente com as fundações Gaúcha do Trabalho e Ação Social e de Economia e Estatística.

Foi assim com Lanna. A mãe, que é dona de um salão de beleza, se esforçou para que a menina terminasse a escola e depois pensasse em ganhar dinheiro. Só que Lanna ansiava por independência. Começou a trabalhar com 17 anos e foi demitida em fevereiro. Ontem, esteve no Sistema Nacional do Emprego (Sine) e saiu de lá com uma entrevista marcada em uma loja de shopping na Capital.

– Eu me esforço, mas é bem complicado dar conta dos estudos – diz.

A jovem foi ao Sine acompanhada de uma amiga de 17 anos em situação semelhante: foi demitida e agora busca nova colocação.

Com relação à escolaridade, há maior concentração de pessoas com mais tempo de estudo buscando emprego – 42% dos desempregados têm Ensino Médio completo.

– Ao longo dos anos, as pessoas estão ingressando mais na escola e melhoram seus níveis de formação. É por isso que há mais desempregado nesse segmento. Se existe mais gente com nível de escolaridade maior, consequentemente isso se reflete no índice – explica Ana Paula.