VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

LANÇADO NA CÂMARA MANUAL COMPARA POLÍTICA AO COMÉRCIO


Deputado e professor lançam manual com dicas de como organizar um gabinete. O livro “Marketing político - administrando o gabinete” foi lançado na Câmara por Doutor Ubiali (PSB-SP) e Sérgio Trombelli. Parlamentares devem, por exemplo, priorizar cabos eleitorais e financiadores de campanha, visitar obras e dar entrevistas


EVANDRO ÉBOLI 
O GLOBO
Publicado:7/11/13 - 9h00


O deputado federal Dr. Ubiali (PSB-SP) no lançamento de seu livro “Marketing político - administrando no gabinete” Ailton de Freitas / Agência O Globo


BRASÍLIA - Senhor vereador, senhor deputado: no seu gabinete, priorize os cabos eleitorais e os financiadores de campanha; visite obras, use o capacete, dê entrevista nem que seja para seu site na internet e leve alguém para chamar a atenção dos moradores; pegue os dados de todos que forem pedir algo no gabinete, inclusive para que time de futebol torcem e que religião seguem; mantenha um advogado para atender todos os problemas do eleitor, de vaga em hospital a tratamento com dentista. Essas são algumas das centenas de dicas para políticos que constam no livro “Marketing político — administrando o gabinete”, de autoria do deputado federal Doutor Ubiali (PSB-SP) e do professor Sérgio Trombelli, lançado ontem na Câmara. É uma espécie de manual de como se perpetuar na política.

Os autores ensinam que, num gabinete de vereador ou deputado, há escalas de preferência no atendimento. Em primeiro lugar, vêm os cabos eleitorais: “Fazem parte do gabinete. Todos os assuntos deles são de relevância”. Depois, a prioridade são representantes de redutos e, em seguida, financiadores. “Afinal, não há eleição sem recursos. Por isso, é desnecessário falar mais sobre o assunto”. Ubiali, neurocirurgião que está no segundo mandato de deputado federal, já aprendeu muito da política.

Saber montar um gabinete, ensinam, é primordial: tem que misturar militante com técnico. “Quem opta por um prato só, se dá mal”. E recomendam que o parlamentar contrate um advogado para ajudar os eleitores. “Todos têm problemas com Justiça: pensões alimentícias, despejos, dívidas, parentes presos, enfim, uma gama enorme de pedidos”. Um gabinete também precisa de um assessor que conheça hospitais públicos ou filantrópicos, para arrumar consulta, mesmo em consultórios particulares com médico conhecido ou até pagando. E também um dentista, “a fim de auxiliar aquele que precisa de dentes para poder sorrir”.

O parlamentar, sugerem, deve organizar visitas a obras e registrar o evento. E dão dicas de oratória: “Os eleitores esperam que o candidato seja bom no discurso. Este bom não significa ter a voz do William Bonner ou a oratória de Leonel Brizola. O presidente Lula fala cometendo erros de português, emite conceitos equivocados sobre Geografia e História, mas convence a massa. No fundo, desde que o político use da palavra e diga coisas que façam sentido, ele se faz entender. E isso basta”.

Os autores dizem que os pedidos que chegam são um “inferno de coisas” e que alguns devem ser atendidos e outros, não. “Carne para churrasco, remédios, conta de telefone, dinheiro emprestado, viagens para visitar parentes, doentes (...). No meio deste inferno de coisas, se você começar a atender alguns pedidos não poderá deixar de atender a outros. E sua fama correrá pela cidade como clientelista, e a partir daí seu mandato será um toma lá dá cá. Impossível de controlar e vai perder mais votos que ganhar”.

A política é comparada ao comércio: eleição é “venda”; o mandato, “pós-venda”; e o eleitor, “cliente”. E, para “fidelizar” o cliente, ou seja, manter os eleitores para a eleição seguinte, valem frases feitas para usos emergenciais para idosos (“não há maior injustiça que esquecer de quem fez o progresso que temos hoje”), mulheres (“não há desenvolvimento social e econômico sem a mulher”) e deficientes (“se perfeitos sentimos o peso da vida, imagine aqueles que possuem deficiência”).

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ALÉM DAS PROMESSAS


ZERO HORA 05 de novembro de 2013 | N° 17605

EDITORIAIS



Foi oportuna a cobrança feita pela presidente da República, que exigiu de seus ministros mais rapidez na execução de projetos para o Rio Grande do Sul. Nem tudo o que foi prometido pela senhora Dilma Rousseff anda no ritmo desejado. A preocupação do governo, diante de determinados atrasos, tem um forte componente político, às vésperas de um ano eleitoral, o que exige, para quem está no Executivo, a aceleração dos trabalhos. Para o Rio Grande do Sul, não importa se as benfeitorias trarão ou não dividendos eleitorais para o governo. O que interessa é obter os benefícios esperados, pois estes serão executados com o dinheiro de todos e não de determinadas lideranças políticas eventualmente no poder.

Alguns projetos estão no contexto da Copa do Mundo. Mas a maioria independe do evento para que se concretize, como é o caso das melhorias em rodovias. O país não precisa do pretexto de um acontecimento mundial para melhorar estradas. O mais importante, no entanto, pela urgência e pelo alcance social, são os projetos da área social. Poucas prioridades podem ser colocadas, pela importância para a grande maioria da população, ao lado da construção de creches e de Unidades de Pronto Atendimento. O Brasil é deficitário na rede de proteção à criança, e o Rio Grande do Sul, em particular, tem uma das mais precárias estruturas nessa área. As UPAs, da mesma forma, são reclamadas pela sociedade e por especialistas em saúde pública como decisivas para desafogar principalmente as emergências dos hospitais.

O balanço geral das obras em andamento, considerando-se todas as frentes, é positivo. Para o contribuinte, que ouviu promessas e acompanha a execução do que foi anunciado, é irrelevante a pretensa paternidade dos projetos. Importa que a presidente cobre celeridade de seus ministros e que os trabalhos tenham um controle rigoroso de custos. São bem-vindas, nesse contexto, atitudes que, além de pressa, exijam também transparência e austeridade.

O FINANCIAMENTO DA DEMOCRACIA

Editorial05
ZERO HORA 05 de novembro de 2013 | N° 17605


EDITORIAIS



Mais do que atenção, merecem imediata reação das lideranças políticas as advertências feitas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2014 estará no comando do processo eleitoral. O magistrado defende a proibição de doações de empresas a candidatos, o que considera quase extorsão. Sugere também limitação na contratação de cabos eleitorais por partidos e candidatos, como forma de moralizar as campanhas. Quem tem o direito de financiar a democracia?, pergunta o ministro. A resposta não poderia ser outra: só o cidadão deveria ter essa prerrogativa, tanto através do fundo partidário já existente quanto por meio de doações individuais, registradas com clareza e transparência.

A manifestação do ministro, feita em entrevista publicada ontem pelo jornal O Globo, coincide com a luta que vinha sendo travada por instituições da sociedade civil, entre as quais a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por uma mudança imediata na forma como os partidos patrocinam hoje suas campanhas. A ideia, basicamente, é vetar as contribuições por parte de empresas, restringindo-as às do atual fundo partidário e às de pessoas físicas, até um determinado limite. Infelizmente, por razões óbvias, é sempre difícil motivar o Congresso a fazer uma opção mais consciente por campanhas mais austeras. Esse, porém, tem sido um dos pedidos mais reiterados nos cartazes exibidos nos protestos de rua multiplicados por todo o país a partir de junho. Seria oportuno, portanto, que os políticos refletissem mais sobre o tema.

Por mais que o Congresso resista, o país precisa mudar a forma como candidatos políticos são bancados hoje, restringindo as margens para o uso de caixa 2 e para esquemas de corrupção que tanto desgastam a democracia. O simples veto à participação de empresas no processo evitaria de vez que grupos econômicos influentes possam eleger bancadas numerosas, preocupadas simplesmente em retribuir favores de campanha. Além disso, teria um efeito importante de conscientização, pois levaria os partidos a se preocupar menos com mar- keting e mais com a conquista de filiados, entre os quais os que se disponham a contribuir dentro dos parâmetros legais.

Obviamente, a proposta defendida por um número cada vez maior de brasileiros e referendada pelo futuro ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) depende de um reforço na fiscalização para dar certo. Os contribuintes só se mostrarão menos resistentes em financiar políticos quando houver certeza sobre uma adequada utilização dos recursos despendidos com esse objetivo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

BLACK BLOCS INCENDEIAM A CAMPANHA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2294 | 01.Nov.13

Baderna e vandalismo entram no debate político e obrigam autoridades a discutir novas formas de combate à violência

Paulo Moreira Leite e Josie Jeronimo



CINZAS
Caminhão-cegonha e carros incendiados em protesto, em São Paulo

A 11 meses da eleição presidencial e para governadores de Estado, os brasileiros estão diante de um problema tão difícil de definir quanto de resolver – a “baderna,” também chamada de “vandalismo”, praticada pelo grupo que se define como “ Black Blocs.” Os protestos de junho e todas as mobilizações posteriores comprovaram que os métodos tradicionais do Estado brasileiro para garantir a liberdade política dos cidadãos sem comprometer a defesa da ordem e da lei necessitam de uma reforma urgente e ampla. O recurso automático de convocar soldados da Tropa de Choque para assegurar a paz das ruas com base na pura violência revelou-se um fracasso já nos primeiros dias, levando a diversos atos de repúdio por parte da sociedade. A atitude seguinte, de baixar a guarda e aceitar o que parecia um nível tolerável de baderna, só estimulou novos atos de violência civil e desmoralização da polícia. Depois de quebrar vidraças, automóveis e estações de metrô, a agressividade de civis mascarados atingiu o ponto culminante há duas semanas, quando um coronel da PM foi espancado no centro de São Paulo. Na cena seguinte, um estudante da periferia foi executado com um tiro no peito por um soldado da mesma PM. Em reação, integrantes do PCC – por que perderiam a oportunidade? – incendiaram caminhões e ônibus, além de bloquear uma rodovia federal, a Fernão Dias. Vinte e quatro horas depois, mais uma morte e novos bloqueios. Repetindo uma postura que já assumira na primeira semana de protestos, a presidenta Dilma Rousseff elevou o tom na semana passada: “Defendo qualquer manifestação democrática. Agora, acredito que a violência dos mascarados não é democrática, é antidemocrática, é uma barbárie, e tem de ser impedida.” Os black blocs entraram de vez na campanha.



Por determinação da presidenta, na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, encontrou-se com Fernando Grella, secretário de Segurança de São Paulo, e Mariano Beltrame, titular do mesmo posto no Rio de Janeiro. Num reflexo das dificuldades para se travar uma discussão dessa natureza, ainda mais com uma eleição no horizonte – quando ninguém quer se arriscar com medidas capazes de dificultar a busca de votos – no final foram anunciadas medidas razoáveis, previsíveis e triviais. Cardozo disse que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tentará rastrear responsáveis pela baderna. Grella pediu um agravamento na pena de prisão de manifestantes violentos. Beltrame lembrou que é preciso oferecer uma resposta equilibrada ao assunto. “Nosso foco é a ordem, sem a ordem não há democracia. Mas esse problema não vai se resumir a um policial fardado, precisa ser enfrentado também por outros atores”, afirmou.



Para Carlos Ranulfo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “as manifestações violentas não têm legitimidade, porque agridem o Estado de Direito, e os governadores irão se desgastar se não souberem reagir”, afirma o professor, lembrando que, para a maioria dos brasileiros, a violência é um problema de responsabilidade dos governos estaduais e não do governo federal. Em Pernambuco, Estado de Eduardo Campos, o secretário de Defesa Social Wilson Damázio transformou-se num ídolo local ao fazer a violência recuar. Damázio alterou o protocolo de atuação da polícia para impedir mascarados de protestarem nas ruas e garantiu que, antes de cada manifestação, a tropa de choque revistasse mochilas. “A polícia foi orientada a proteger os transeuntes e manifestantes pacíficos e a deter quem danifica patrimônio público e privado,” afirma Damázio.



Naturalmente, não se trata da única mudança possível. A violência da PM contra a população civil é uma tragédia conhecida, que alimenta uma roda sem-fim de agressões. O Congresso começou a discutir dois projetos sobre o assunto. No Senado, debate-se uma emenda constitucional para desmilitarizar as PMs, medida que, conforme a imensa maioria dos estudiosos, poderia contribuir para que abandonem as práticas herdadas do regime militar para submeter-se às regras da democracia. Outro projeto, número 4.471/12, exige uma investigação formal e rigorosa diante de toda morte ocorrida em confrontos com a PM, eliminando os tristemente célebres “autos de resistência seguida de morte” que costumam acobertar execuções sumárias. O eleitor terá a chance de saber quem, em ano eleitoral, irá fazer este debate.


domingo, 3 de novembro de 2013

CIDADES APARTADAS DO DESENVOLVIMENTO


ZERO HORA 03 de novembro de 2013 | N° 17603

CLEIDI PEREIRA

MUNICÍPIOS SEM ASFALTO


Era uma festa. Moradores celebravam e faziam planos. Placas foram espetadas pelo Estado para anunciar as localidades beneficiadas pelo programa que prometia “asfalto para todos”. Quinze anos se passaram e 73 municípios ainda não têm um acesso pavimentado, fator decisivo para despertar a economia local. No lugar do asfalto, pedras, poeira e barro atrasam o desenvolvimento. A reportagem de ZH viajou a quatro cidades para mostrar essa realidade. Em duas delas, encontrou comunidades ainda ilhadas pelo chão batido. Nas outras duas, a expectativa de uma vida melhor está depositada nas máquinas que, nos últimos meses, espalham a cobertura escura e viscosa sobre a estrada.

Faz calor, mas as janelas estão fechadas. A poeira dança pela estrada, deixando árvores, postes e plantações no mesmo tom pardo opaco. Quando chove, o problema é o barro, e as viagens de apenas alguns quilômetros de chão batido podem se tornar impossíveis. Para as 73 cidades do Rio Grande do Sul que não têm acesso pavimentado, o asfalto ainda é um sonho, sinônimo de esperança e progresso.

Nestes rincões do Estado, as cenas de homens a cavalo e de carroças puxadas por bois fazem parte de um cotidiano bucólico. As estatísticas, no entanto, escancaram as consequências de mais de uma década de descaso. As comunidades em que a ligação com os grandes centros se dá por meio de vias de terra e pedra são mais pobres e menos desenvolvidas. Quase metade dessas 73 cidades está entre os cem últimos colocados no ranking estadual do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

O pavimento foi anunciado na gestão Antônio Britto (1995-1998), mas nunca chegou para a metade das localidades que, segundo a propaganda oficial, seriam beneficiadas. Por falta de dinheiro, os governos seguintes foram tocando a promessa de acessos aos trancos, fazendo inaugurações esparsas ao longo dos anos. Para quem ficou para trás, a rotina é marcada por isolamento, acidentes, veículos danificados, dificuldade para escoar safra, produtos mais caros nas prateleiras e problemas de saúde provocados pela poeira. Juntas, essas localidades somam cerca de 220 mil habitantes.

Isolamento piora ciclo da pobreza

Especialista em logística, a engenheira de produção Maria Fernanda Hijjar afirma que a falta de acesso pavimentado em municípios do Interior gera um fenômeno ainda mais perverso: a concentração de desenvolvimento econômico em regiões que já têm infraestrutura. O resultado é migração e bolsões de pobreza.

Foi justamente o que aconteceu em Porto Vera Cruz, no noroeste do Estado. A população da cidade banhada pelas águas do Rio Uruguai caiu 25% em uma década, e o comércio estagnou. A barca que fazia a travessia Brasil-Argentina de 200 veículos por dia até a década de 1990 hoje transporta metade desse montante por semana. Indústrias e turistas agora desviam do município, optando por caminhos asfaltados que antes não existiam.

– A esperança é o asfalto. Não tem outro caminho. Se vier, melhora para todo mundo: para o porto, para o comércio, para a agricultura – diz o comerciante Jaime Taffarel, 51 anos.

Proprietário de uma loja que vende “de tudo um pouco”, de tecidos a equipamentos de pesca, ele conta que chegou a empregar 17 pessoas, mas, em função da queda no movimento, atualmente tem apenas uma funcionária.

Essa realidade pode estar prestes a mudar. Depois de anos de paralisação, o Daer autorizou, no mês passado, a retomada do asfaltamento do trecho de 16,4 km que liga o município a Santo Cristo. Há quem só acredite vendo, como o marinheiro Altamiro Melo, 55 anos, cansado de oscilar entre expectativa e frustração. No passado, conta, já acompanhou “umas três vezes” os festejos para largada da obra, que, apesar de ter sido contratada em 1998, nunca saiu do papel.



Onde as máquinas soam como música


Faltava pouco para o meio-dia. Com a mesa posta para o almoço, a família Balz assistia ao vaivém de um rolo compressor passando a alguns metros da porta da casa amarela e de paredes de madeira, que vibrava toda vez que a máquina se aproximava.

O barulho produzido pelo equipamento – quase insuportável para os ouvidos de fora – soava como música para o casal de avicultores Jorge, 32 anos, e Maristela, 33. Afinal, era a filarmônica do maquinário avisando que o tão aguardado asfalto estava chegando a Sério.

Com pavimentação do trecho de 22,8 km que liga o município a Forquetinha, no Vale do Taquari, em andamento, os Balz voltaram a fazer planos. Coisas simples, como pintar a casa e trocar de carro, mas que servirão para resgatar a autoestima da família.

A construção em Sério, se cumprido o planejamento do Daer, deve ser concluída no atual governo. Segundo o secretário de Infraestrutura e Logística, João Victor Domingues, até o final de 2014 devem ser entregues 40 acessos, contemplando pouco mais da metade dos 73 municípios:

– Neste momento, já estamos com o dobro da média de 10 acessos entregues pelos governos anteriores.

Ele admite que a meta de zerar a fila não será cumprida devido ao “entrave burocrático de contratos malfeitos e projetos, muitas vezes, inexistentes”. A promessa consta no plano de governo apresentado pelo então candidato Tarso Genro. “Nosso governo perseguirá a meta de implantar, ao menos, um acesso viário pavimentado em todos os municípios”, diz o texto.

Motorista celebra percurso rápido

Ao optar pela continuidade dos contratos, a maioria de 1998, o governo deparou com uma série de adversidades em função do tempo transcorrido: empresas falidas, desinteresse em tocar a obra, defasagem no volume de tráfego da via – o que demanda mais recursos e material – e pedreiras esgotadas. Outros entraves são provocados pela própria máquina estatal: a burocracia, a falta de pessoal e o licenciamento ambiental.

– Temos recurso e vontade política para executar a obra, mas há problemas de toda ordem – resume o diretor-geral do Daer, Carlos Eduardo Vieira, que viaja para o Interior uma vez por semana para dar explicações sobre as obras paralisadas.

Professor de Transportes da UFRGS, Luiz Afonso Senna lamenta o cenário:

– Temos uma incompetência sistêmica no setor rodoviário.

Em Sério, os Balz temem que falte verba para concluir a obra. Porém, as facilidades que o asfalto promete – como a de locomoção – são também um incentivo para que Jorge e Maristela permaneçam na propriedade da família, contrariando as estatísticas. Vestígios do êxodo rural, que encolheu a população da cidade em 15,7% em uma década, estão por todos os lados. Às margens da estrada, por exemplo, a reportagem contou 10 casas abandonadas.

Apesar de o serviço ainda estar pela metade e da ausência de sinalização e de acostamento nos 9,8 km já pavimentados, benefícios já são sentidos pela população. Transportador de leite há quase duas décadas, Delmo Rempel, 47 anos, cita como exemplo economia de tempo nas viagens. Além disso, prossegue, a cena de caminhões atolados na estrada é cada vez mais rara.

– A comunidade está ansiosa – diz.


MENOS CHORO, MAIS GESTÃO

ZERO HORA 03 de novembro de 2013 | N° 17603


PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA



Em meio à interminável crise que assola as prefeituras brasileiras devido à queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios, o enxugamento da máquina não é mais opcional, mas obrigatório para os gestores. Alguns deles, como os prefeitos de Espumoso, Derly Helder (E), de Santo Ângelo, Valdir Andres (C), e de Tapera, Ireneu Orth, se valeram da experiência de terem governado os seus municípios por mais de uma vez para antecipar pagamentos e cortar gastos. Exemplo para os mais de 300 prefeitos que participaram da marcha para pedir ajuda financeira ao governo do Estado.

Gestores que se anteciparam à crise e passaram a economizar terão um final de ano mais sereno. Em Rolante, o prefeito Ademir Gonçalves (PDT) reduziu o próprio salário para colaborar, cortou secretarias e adotou práticas do setor privado na gestão.

Enquanto mais de cem prefeituras, segundo a Famurs, não têm condições de pagar o 13º em dezembro, o benefício já foi pago para a maioria dos funcionários de Tapera e Espumoso.

– A crise não vai terminar. Estamos orientando que os prefeitos economizem até palito para não deixar de pagar a folha. Tem de pensar no 13º desde o início do ano – afirma Andres, que é presidente da Famurs.

A redução da máquina nessas prefeituras não só ajudou a manter o salário em dia como mostrou aos prefeitos que administração inchada não compensa.


Nova edição após fiasco

Depois de entregar aos deputados o tradicional Guia dos Municípios repleto de erros, a Famurs decidiu elaborar uma nova edição para o início do ano que vem.

A ideia é corrigir os equívocos, que vão dos nomes dos prefeitos até endereços e telefones de prefeituras, e acrescentar os gestores eleitos em pleitos suplementares.

O material é fundamental para os deputados poderem contatar as prefeituras.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O Brasil precisa de uma nova constituição que permita uma profunda e ampla reformas tributária e federativa. A República Federativa está sendo devastada pela ganância da União que centraliza e consome a maior parte dos impostos arrecadados em níveis recordes. A reforma federativa precisa redistribuir estes recursos de modo que o município deixe de ser considerado ente federativo obrigado a ir de chapéu na mão e chorar recursos aos nobres muito bem instalados e privilegiados nos ambientes luxuosos da Versalhes tupiniquim, para ser um importante ente de Estados autônomos e mais próximos, com mais recursos e maior importância no contexto federativo.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

OS JOVENS E A PRIMEIRA VEZ


ZERO HORA 01 de novembro de 2013 | N° 17601

ARTIGOS

Thiago Roberto Sarmento Leite*



Toda primeira vez tende a associar-se a conotações marcantes, as quais normalmente permanecem na mente do ser humano (seja para o bem, seja para o mal); mormente com decorrências imediatas e/ou supervenientes... Assim, o ato de votar pela primeira vez por parte dos jovens (moços/moças) se constitui em algo de alta relevância para os mesmos, eis que se torna circunstância de imensa importância à afirmação da personalidade de cada um. Por quê? Por possibilitar efetivo engajamento no processo sociopolítico; então, deixando de ser mero espectador para tornar-se real protagonista. Especialmente quando o voto lançado na urna eleitoral tiver sido antecedido por séria reflexão definindo cunho de responsabilidade no tocante ao(s) candidato(s) escolhido(s).

Faz sentido? Certamente que sim! Razão pela qual são de se louvar as oportunas medidas adotadas pela Justiça Eleitoral: estimular e facilitar o alistamento eleitoral de jovens na faixa dos 16 aos 17 anos, com vistas à obtenção do título eleitoral. Daí, propiciar que – nas eleições que se avizinham (2014) – jovens já possam (em virtude de implemento legal de idade) exercer o direito de sufragar os nomes dos que, eventualmente, poderão ser seus lídimos representantes nas diversas esferas públicas.

Por evidente, o voto livre, secreto e universal há de ter concreta eficácia, para o que os jovens estão sendo chamados a influir. No momento, aliás, em que grassam desencanto e, mesmo, frustrações em relação a muitos dos integrantes da denominada “classe política”; isto, lamentavelmente, face a “condutas vedadas” (atuações antiéticas e perniciosas em relação ao erário etc.), assumidas por parte de muitos. Todavia, cumpre não ser olvidado, aqui, que outros tantos, felizmente, têm se conduzido digna e devotadamente à causa pública e em prol da coletividade. De destacar: voto, portanto, que há de ser entendido e exercido como autêntico e fundamental filtro para o fortalecimento e desenvolvimento social. Em boa hora, o Tribunal Regional Eleitoral/RS cuida de incrementar ações tendo como meta participação da juventude no processo eleitoral. Inclusive, contando com o precioso apoio dos meios de comunicação em geral, com chamamentos para conscientização, tais como: “Eu me represento: eu voto”. A propósito, a diligente presidente da Corte, desembargadora Elaine H. Macedo, concitou os “... jovens que fizeram manifestações nas ruas, sobretudo no mês de junho...” (seguramente referindo-se aos que agiram de maneira ordeira), e aduzindo, com propriedade, que “... podem agora marcar suas posições políticas através do voto...”. Com efeito, o voto há de ser, com absoluta garantia, o modo para aclamar os mais capacitados a atuar e, consequentemente, poder ocorrer legítima evolução pacífica, consistente e favorecedora da sociedade. Jamais, pois, podendo ser adotado “voto em branco” ou “voto nulo”, preconizados por alguns céticos que nada mais são do que simples desagregadores. Enfim, será viável alcançar algumas mudanças neste momento histórico? Afirmativo! E a visão de maior amplitude que logo exsurge é que o jovem – a partir de sua “primeira vez” no âmbito cívico-político-eleitoral – possa estrear (marcado pelo bem e não pelo mal) em cenário realista e por acurada concepção e vir contribuir positivamente na construção de uma sociedade mais equânime com a justiça social.

*EX-JUIZ DO PLENO DO TRE-RS