VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A GUERRILHA MILIONÁRIA NAS REDES SOCIAIS

REVISTA ISTO É N° Edição: 2309 | 21.Fev.14

A guerrilha de R$ 30 milhões nas redes sociais. Com um investimento milionário, PT, PSDB e PSB planejam mobilizar 90 mil ativistas da internet. Eles podem ser os grandes cabos eleitorais numa eleição em que a guerra digital será decisiva para a vitória nas urnas

Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br)





Embora a internet já tenha sido um campo de batalha importante em 2010, na expectativa dos marqueteiros dos principais partidos, a guerra pelas redes sociais na campanha presidencial deste ano será ainda mais acirrada e poderá ser decisiva para o triunfo eleitoral. Se é verdade que a propaganda na tevê conserva sua importância e mantém-se como destino preferencial dos gastos dos candidatos, no meio político existe também a convicção de que a internet está destinada este ano a se tornar o espaço prioritário para o eleitor resolver dúvidas, confrontar propostas e, numa função ativa que só as redes sociais permitem, combater no corpo a corpo pelo candidato de sua preferência. Hoje, 105 milhões de pessoas têm acesso à internet no Brasil e cada uma delas costuma passar em média duas horas por dia conectada à rede. Na internet, o brasileiro já faz compras, tira diploma universitário e até se casa com ajuda das redes sociais. É muito provável também que a internet seja usada pelo eleitor para definir seu candidato presidencial. A partir dessa percepção, a pré-candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) já começaram a montar seus bunkers digitais.

Num esforço para capturar o voto desses brasileiros, os comitês do PT, PSDB e PSB programam um investimento total de R$ 30 milhões e planejam mobilizar uma massa de 90 mil militantes eletrônicos até outubro. Com uma verba estimada em R$ 12 milhões, o PT inicia nas próximas semanas as oficinas de preparação de 1.200 coordenadores de redes sociais de 18 Estados. Através deles, o partido pretende organizar uma massa de 20 mil internautas bem conectados, capazes de disparar mensagens que podem alcançar o computador de 20 a até 40 milhões de pessoas em poucos minutos, operação que, bem coordenada, pode alterar os ânimos do eleitorado nas horas difíceis de uma campanha. Em 2010, quando a perspectiva de uma vitória no primeiro turno não se confirmou, criando uma decepção com consequências imprevisíveis entre os eleitores de Dilma, o PT voltou a caminhar através de uma “onda vermelha” organizada em plenárias de militantes que ocuparam boa parte da rede. “A internet representará, em 2014, pelo menos 30% da campanha,” atesta Alberto Cantalice, vice-presidente do partido e coordenador da mobilização digital.



Em 2013, a equipe digital de Dilma foi reformulada e na campanha presidencial sua orientação política ficará por conta do jornalista Franklin Martins, ministro da Comunicação Social do governo Lula. Ainda no ano passado, jovens de tênis All Star, jeans e camisa xadrez começaram a circular pelo Planalto, contratados para animar o Facebook e dar uma nova cara para o Twitter da presidenta. Em menos de um ano, a audiência da página de Dilma saltou de 20 mil curtidas para 220 mil. Entre esse público, 80% não é filiado ao PT nem se considera eleitor fixo do partido, o que é motivo de comemoração, já que ninguém precisa pregar para convertidos. Essa situação, contudo, exige cuidados especiais de forma e conteúdo. Atitudes agressivas podem ser aceitas e até bem-vindas em conversas fechadas. Mas causam constrangimento e mesmo escândalo quando feitas em público, como se viu quando um texto do PT no Facebook, cuja confecção foi atribuída à empresa Pepper Comunicação, classificou o concorrente Eduardo Campos de “tolo” e “playboy mimado”, dizendo ainda que Marina Silva era um “ovo da serpente”, motivada por um “adesismo puro e simples.”



O PSDB não quer cometer esses erros, mas, como o PT, o partido sabe que nem sempre é fácil segurar o ímpeto da militância quando o que está em jogo é a vitória do candidato do coração – ou daquele que lhe paga. Além de acordar o País para um descontentamento profundo, os protestos de junho de 2013 serviram para o PSDB demonstrar uma força nas redes sociais que era desconhecida pelos adversários. Trabalhando silenciosamente desde 2010, os tucanos fazem um esforço para profissionalizar a equipe digital. Apenas em Minas Gerais, que hoje concentra grande parte dessa militância, o número de ativistas aumentou 840%, explica Nárcio Rodrigues, presidente da Juventude do PSDB. “Tínhamos 600 jovens, agora são 5.040, em níveis diferentes de engajamento. Alguns podem passar o dia todo online.”



Depois do Carnaval, a equipe de internet da campanha de Aécio será reforçada. O ex-deputado Xico Graziano, diretor do Instituto FHC, montará uma redação com 50 internautas experientes. A estratégia de trabalho seguirá o cardápio clássico de redes sociais da maioria dos partidos: publicar notícias positivas com formato moderno e leve, desconstruir informações negativas e apontar erros dos adversários. Em 2010, o partido gastou cerca de R$ 8 milhões com a campanha virtual. Quatro anos depois, prevê uma despesa próxima dos R$ 12 milhões admitidos pelo PT.

No PSB, de Eduardo Campos, a guerrilha nas redes sociais também é vista como um bom atalho para a vitória nas urnas nas eleições deste ano. No início do mês, o marqueteiro Diego Brandy, responsável pela campanha de Campos, resolveu submeter seu candidato a uma experiência inédita. Colocou Campos num encontro de duas horas com internautas, numa conversa que gerou 12 milhões de interações replicadas rede afora. Brandy dá sua receita: “Se você chega numa roda de amigos e fala apenas de você, logo todos lhe acharão um chato. As redes são fundamentalmente para o diálogo”.



Em 2010, a equipe de Marina Silva, vice de Eduardo Campos, conseguiu mobilizar 60 mil militantes digitais a partir de 500 internautas, façanha que, ao lado dos eleitores evangélicos, foi uma das alavancas para seus 20 milhões de votos. Para Eduardo Rombauer, o cérebro digital da campanha de Marina, a guerra por votos na internet tem uma característica principal: “Os partidos não entendem que não adianta tentar controlar o debate. É preciso estar a serviço da demanda dos internautas. Por isso, conseguimos 60 mil replicadores sem precisar pagar.” Os gastos, mesmo assim, não foram pequenos. O PV gastou pouco mais de R$ 5 milhões com a campanha na internet, em 2010. Juntos, Marina e o PSB planejam gastar R$ 8,5 milhões este ano.

Cabe lembrar que a mesma tecnologia capaz de criar tantas possibilidades de um ativismo político saudável também permite ações condenáveis, muitas das quais protagonizadas pela militância virtual de 2010 para cá. A internet abre possibilidades sem fim para abusos e golpes baixos. A partir de um site localizado no exterior, é possível divulgar mentiras e calúnias sem que a parte atingida possa tomar qualquer tipo de providência legal. Nos bastidores da campanha, o lado obscuro das redes sociais começa a preocupar os principais candidatos, que debatem a possibilidade de estabelecer uma espécie de código de guerra para definir limites e sanções. Mas, por ora, a guerrilha digital dispõe de sinal verde para entrar em ação. Preparem-se as trincheiras.

Colaborou Pedro Marcondes de Moura
fotos: shutterstock; Darlei Marinho/Parceiro/Ag. O Globo; Carlos Cecconello/Folhapress

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

VOLTA, LULA?

ZERO HORA 21 de fevereiro de 2014 | N° 17711


INFORME ECONÔMICO | MARIA ISABEL HAMMES




Não foi nada ameno o tom do jantar na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), com pouco mais de 20 participantes, na noite de terça-feira, entre os quais alguns dos maiores empresários do país. Em meio a vinho gaúcho, peixe e risoto, sobraram reclamações contra a política econômica, críticas duras ao ministro Guido Mantega e até posicionamentos de defesa do volta, Lula, referência clara ao fato de que a negociação com o ex-presidente era bem mais fácil do que com a presidente Dilma Rousseff, condenada também por seu estilo intervencionista e pela morosidade nas decisões e investimentos para o país. A avaliação é de que o Brasil vive uma crise de credibilidade internacional que afeta o crescimento da economia.

Um dos participantes contou que o empresariado foi ao encontro de “coração aberto”, mas que ele acabou se transformando em um divã de reclamações: infraestrutura precária, “pouco se gasta com ela e, quando se gasta, está atrasado”, carga tributária no limite e uma conjuntura apenas maquiada, não atacada como deveria ser.

Exemplos sobre isso se sucedem: depois da morte do cinegrafista da Band em manifestação no Rio, a decisão foi recrudescer o trabalho da polícia, em vez de tomar uma medida em relação aos manifestantes. A atitude fez “parecer que os mascarados não têm culpa”. Outro fato que chamou a atenção também se relacionou aos protestos. Depois de manifestação em Brasília, líderes do MST foram recebidos pela presidente no dia seguinte.

– Depois de toda a bagunça que fez, o MST ainda foi recebido pela presidente. Isso não é correto – disse um empresário, que lembrou também a crítica a Dilma por manter o ministro Guido Mantega no governo, mesmo com uma gestão que, para eles, ficou manchada por manobras fiscais.

Com o sentimento da maioria de que a “relação com o governo não está fácil e de que com o Lula fluía bem melhor”, os participantes manifestaram inconformidade com algo há muito tempo falado: a preocupação excessiva de Dilma com uma gestão mais técnica e menos política, o que dificulta o relacionamento e o diálogo com vários setores, entre os quais, o empresariado. Na reunião também ficou claro que um grupo de parlamentares, inclusive da base governista, se prepara para acirrar a oposição, tentando forçar o Planalto a “sentar e conversar mais”. Quem participou: empresários de setores como construção, siderurgia, bebidas, telefonia, financeiro, transportes, petroquímica e agronegócio. Entre os convidados, Jorge Gerdau Johannpeter, Gustavo Barreto, da Andrade Gutierrez, José Antonio Martins, da Marcopolo, entre outros executivos.

PROMESSA DE AUSTERIDADE



ZERO HORA 21 de fevereiro de 2014 | N° 17711


EDITORIAIS




Pressionado pela piora nas contas públicas e pelo aumento da desconfiança dos investidores internacionais em relação à estabilidade da economia brasileira, o governo federal comprometeu-se ontem com uma série de indicadores que na prática podem implicar um reforço importante na austeridade até o final do ano. Um deles é a meta de superávit primário equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), que representaria uma reserva de R$ 99 bilhões para pagamento de juros da dívida. Um esforço desse tamanho, levemente inferior ao do ano passado, vai exigir cortes de R$ 44 bilhões no orçamento, atingindo até mesmo investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Por isso, o maior desafio do ministro Guido Mantega, da Fazenda, não será o de convencer o mercado de que as intenções são consistentes, mas, sim, de que são factíveis, num ano marcado por campanha eleitoral.

Embora tenham sido apontados como significativos pelo governo, os números não chegaram a ser considerados relevantes pelo mercado financeiro, como a intenção de limitar a inflação em 5,3% e a de assegurar uma expansão do PIB em 2,5%. Desde que, de uma situação confortável em meio a um cenário de incertezas econômicas, o país passou a ser incluído com insistência no grupo dos vulneráveis, não havia mais como a Fazenda postergar compromissos de rigor fiscal. A política deliberada de expansão dos gastos na tentativa de estimular o consumo e os investimentos acabou pressionando a inflação e, em consequência, a taxa básica de juros, com impacto considerável sobre a dívida pública e as contas governamentais. A prioridade neste momento, portanto, tem que ser a de deter esse círculo vicioso, no qual as receitas não conseguem acompanhar os gastos.

A questão é que, mais uma vez, o país que poderia estar expandindo sua economia de forma consistente para manter conquistas importantes como o pleno emprego e os avanços sociais está diante da necessidade de conter despesas para evitar um impacto maior sobre os preços. Uma parte significativa dos cortes será nas emendas parlamentares, mas, embora haja a garantia de preservar áreas essenciais, o governo não teve como evitar um impacto nem mesmo no PAC, que engloba seus projetos de maior visibilidade.

Depois de tornar claras suas intenções para preservar a economia, o Planalto precisa agora convencer os investidores de que o rigor fiscal é para valer, mesmo num ano eleitoral, e não se prestará para qualquer tipo de prestidigitação. É importante também que, diante de dificuldades desse tipo, possa compensar a falta de recursos oficiais investindo mais em alternativas como as concessões, por exemplo.

RISCO DA IMPUNIDADE

ZERO HORA 21 de fevereiro de 2014 | N° 17711


EDITORIAIS


Preocupado em evitar maior desgaste para seu partido num ano de disputa eleitoral, o ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente nacional do PSDB Eduardo Azeredo decidiu renunciar ao mandato de deputado federal. Ao abrir mão do cargo, o acusado de integrar o chamado mensalão tucano tenta se livrar também de um julgamento definitivo no Supremo Tribunal Federal (STF), por crimes pelos quais o procurador-geral da República pediu pena de 22 anos de prisão. Uma das consequências do episódio é que, na hipótese de o caso ser remetido para a primeira instância da Justiça Federal, em Minas, o julgamento deixa de ocorrer num ano eleitoral e poderá se estender por um tempo indeterminado.

O caso Azeredo, anterior ao do mensalão petista e envolvendo um esquema semelhante de desvio de dinheiro público para fins eleitorais comandado pelo mesmo operador Marcos Valério, é emblemático das dificuldades de se fazer justiça no país na área política. O mesmo foro privilegiado do qual o político mineiro abriu mão agora foi o que assegurou punição no STF aos envolvidos no mensalão petista. E, como até hoje não enfrentou qualquer processo na Câmara, o deputado mineiro não se tornará inelegível, podendo retornar como candidato já neste ano.

É inquestionável que, pela consistência e pela gravidade dos fatos nos quais foi envolvido, o parlamentar mineiro deve ser julgado pelos mesmos critérios jurídicos dos demais réus do mensalão. Ainda assim, é uma falácia querer que seu caso tenha a mesma dimensão da condenação dos petistas, simplesmente porque eles participavam da coligação que estava e continua no poder e tinham, à época, influência nas decisões oficiais.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O PAC DA ILHA DA FANTASIA

O Estado de S.Paulo 20 de fevereiro de 2014 | 2h 07

OPINIÃO


Foi mais um espetáculo digno da Ilha da Fantasia, também conhecida como Brasília, capital do menos dinâmico dos países emergentes. O Brasil cresceu no ano passado mais que em 2012 e deverá crescer ainda mais neste ano, proclamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao apresentar com sua colega do Planejamento, Miriam Belchior, mais um balanço triunfal do PAC 2, a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento. Em 2012 a economia brasileira cresceu apenas 1% e o desempenho no ano passado, tudo indica, ficou longe de brilhante, mas o ministro dispensou esses detalhes. Em seu mundo, muito diferente e muito distante dessas ninharias, os problemas do Brasil vieram todos de fora, na pior fase da crise global. E agora? Com a recuperação dos Estados Unidos e do mundo rico, problemas continuarão sendo importados, porque os estímulos monetários americanos serão reduzidos e os mercados financeiros serão afetados. Em resumo, ruim com crise, ruim sem crise.

Mas o País conseguirá atravessar essa fase sem grandes danos, graças à solidez das contas públicas e à sua saúde econômica, garantiu o ministro da Fazenda. Ninguém sabe ainda quanto cresceu no ano passado o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. As estimativas mais otimistas são próximas de 2,3%. Para este ano, a última projeção do mercado financeiro é um resultado pior, de 1,79%. Talvez os dois ministros tenham tido a esperança de criar, com seu alegre dueto, um pouco mais de otimismo entre os economistas do mercado e, especialmente, entre os avaliadores de risco de crédito, ultimamente mal-humorados em relação ao País.

A mensagem teria sido mais convincente se tivessem apresentado uma boa meta fiscal para este ano - de tamanho razoável e com detalhes críveis de execução orçamentária -, mas o assunto foi evitado. Nem sequer, segundo o ministro da Fazenda, se havia resolvido como cuidar do aumento de custo da energia elétrica, um provável fato de aumento do gasto do Tesouro nos próximos meses.

Mantega e Belchior preferiram concentrar-se na enumeração dos avanços do PAC. Mas, como em todos os balanços anteriores, a retórica oficial foi muito mais impressionante que os detalhes da execução. Segundo o relatório, foram investidos no programa R$ 773,4 bilhões entre 2011 e 2013. Esse valor corresponde a 76,1% do total previsto para aplicação até o fim de 2014. Segundo a ministra do Planejamento, a execução está adiantada, porque essa porcentagem é superior à do período transcorrido (75%). Mas o quadro é muito menos bonito quando visto mais de perto.

Mais uma vez a maior fatia do dinheiro foi destinada ao setor habitacional. Foram destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida R$ 328,1 bilhões. Isso corresponde a 42,42% dos R$ 773,4 bilhões empregados até o fim de 2013. O PAC, portanto, continua sendo principalmente um grande programa de construção habitacional - uma atividade com reflexos na manutenção do emprego a curto prazo, mas com efeito muito limitado na eliminação dos principais obstáculos ao crescimento, como as deficiências no setor de transporte e na área de energia.

Mas o detalhe fica um pouco mais feio quando se decompõe o valor registrado como investimento em habitação. A maior parte desse dinheiro, R$ 253,8 bilhões, corresponde a financiamentos. Falta esclarecer quanto desse valor foi efetivamente destinado a habitações novas.

No eixo de transportes, um dos mais importantes para a política de desenvolvimento econômico, foram aplicados R$ 43,8 bilhões, destinados a 3.080 quilômetros de rodovias concluídos em todo o País. O relatório registra obras em andamento em 6.915 quilômetros de estradas. A soma das duas parcelas - a concluída e aquela ainda em execução - dá 9.995 quilômetros. Só se terminou, portanto, uma fração correspondente a 30,81% das obras iniciadas no setor rodoviário. Isto é apenas mais um dos muitos pormenores feios do balanço. O conjunto reforça uma velha suspeita, renovada a cada balanço: mais que um nome de fantasia, Programa de Aceleração do Crescimento é um nome fantasioso. Não é programa nem acelera crescimento nenhum.

LONGE DO DESÂNIMO

ZERO HORA 20 de fevereiro de 2014 | N° 17710


INFORME ECONÔMICO | MARIA ISABEL HAMMES



As coincidências se restringiram ao mesmo cenário, sede do Council of the Americas, em Nova York. Mas as visões são bem distintas sobre as perspectivas para o Brasil mais a curto prazo. Enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou estrangeiros a não terem medo de aplicar no Brasil, em evento na semana passada, agora o estrategista americano Ralph Davidson, do Itaú Private Bank International, classificou a situação do país como complicada para investidores do Exterior e chegou a prever grande potencial de que deixem o mercado nacional em busca de outros destinos.

Fica a dúvida: quem está errado em seus vaticínios? Como pode haver visão tão distinta de quem se imagina contar com análises bem fundamentadas para traçar o cenário que nos aguarda? Nem um, nem outro. Certo é que o Brasil não mais desponta no ranking preferencial dos investidores externos, mas, se observada a situação a médio prazo, inclusive com a chegada do novo governo ou manutenção do atual, a perspectiva ainda é boa. Problemas a resolver? Temos dezenas, mas ninguém de boa-fé pode deixar de levar em conta que o imenso potencial dos quase 200 milhões de brasileiros não deve ser deixado de lado. Em hipótese alguma. Se há frustração mais generalizada agora, pode ser vencida, mesmo que demore um pouco mais, com a melhora do cenário internacional, dos instrumentos de combate à inflação e de maior controle da gestão pública.

Por enquanto, parece haver mais um pessimismo generalizado que tem permeado a maioria. Se há razões para esse sentimento, também existem motivos que indicam, não rapidamente, uma tendência de acomodação da carruagem. No momento, o que parece mesmo é um exagero demasiado de analistas de mercado sobre a deterioração e o real grau de exposição das economias dos países em desenvolvimento.

Sim, há quem tenha melhor perspectiva a curto prazo, mas a situação brasileira não perdeu todo o glamour se dermos tempo razoável para a engrenagem voltar a funcionar. O insuspeito presidente de uma das maiores companhias – a Vale –, Murilo Ferreira, por exemplo, foi claro ao falar do Brasil:

– Temos uma visão positiva, longe do viés de desânimo, talvez por estarmos em 30 países e eu viajar alucinadamente por nossas operações.

SEM DEBOCHE

ZERO HORA 20 de fevereiro de 2014 | N° 17710


EDITORIAIS



Após duas semanas de negociações, os líderes partidários definiram na última terça-feira o comando das comissões permanentes da Câmara dos Deputados. O PT, partido com maior bancada, negociou com o PTB e assegurou o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH), que estava sendo pretendida pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), assumidamente contrário a tudo o que a comissão se propõe a defender. O debate em torno do assunto, depois da polêmica passagem do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) pela presidência da CDH, deve servir para reabilitar o verdadeiro sentido dos direitos humanos.

Foram as barbáries cometidas na II Guerra Mundial que levaram a Organização das Nações Unidas a proclamar, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos – um conjunto de princípios e valores destinado a promover o respeito universal e as liberdades fundamentais para todos os cidadãos do planeta, sem distinção de raça, sexo, língua, religião, origem nacional ou condição social. Infelizmente, os direitos humanos conti- nuam sendo desrespeitados em todo o mundo, tanto nos países sob regime totalitário quanto nas nações em conflito e até mesmo nas democracias. O Brasil ainda está distante dos ideais humanitários do documento, como se pode observar diariamente na violência urbana, nas desigualdades sociais, nos episódios de discriminação e preconceito, nos presídios superlotados e também nas ironias frequentes dos autodenominados “cidadãos de bem”, que costumam ridicularizar os defensores da igualdade como se somente eles fossem íntegros.

Esse falso messianismo é que comprometeu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara no ano passado, com a prevalência do fundamentalismo religioso sobre a luta pela igualdade e contra a discriminação. Agora, ao evitar que um parlamentar ultraconservador assuma o comando da comissão, as lideranças partidárias ficam no dever de cuidar para que ela efetivamente cumpra o seu papel de legislar em favor da dignidade, da segurança e do bem-estar de todos os brasileiros. Deixar de tratar direitos humanos como deboche já terá sido um passo importante.