VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

VALOR DOS BENS DOS DEPUTADOS FEDERAIS DO RS CRESCE QUASE 70%

ZERO HORA 23/07/2014 | 04h01

por Cleidi Pereira e Eduardo Nunes

De 2010 para 2014, valor dos bens dos deputados federais do RS cresce 69,93%. Dos atuais 31 parlamentares, 25 concorrem à reeleição e quatro disputarão outros cargos



Foto: Câmara dos Deputados / Divulgação


O valor dos bens declarado à Justiça Eleitoral pelos 29 deputados federais gaúchos que concorrerão nestas eleições aumentou, em média, 69,93%, passando de R$ 17,4 milhões em 2010 para R$ 29,6 milhões em 2014. Um terço dos parlamentares pelo menos dobrou seu patrimônio no período (veja a lista completa no final desta matéria).

A maior variação percentual foi registrada pela deputada Manuela D'Ávila (PC do B), que informou possuir bens que somavam R$ 13,7 mil em 2010, contra R$ 184,3 mil neste ano. A diferença de R$ 170, 6 mil representa uma elevação de 1.240,29%. Já o parlamentar com a maior alta em valores absolutos é Luis Carlos Heinze (PP). Em 2010, o progressista declarou à Justiça patrimônio de R$ 1,84 milhões, montante que saltou para R$ 7,81 milhões quatro anos depois — um incremento de 324,4%.

Manuela alegou que, nos últimos quatro anos, engordou a poupança com seus rendimentos e adquiriu um imóvel. Já Heinze disse que o crescimento seria decorrente de uma revisão nos valores de suas terras, uma área de 1.475 hectares em São Borja. Em 2010, o valor médio de um hectare declarado pelo parlamentar era R$ 840, valor que passou para R$ 4,3 mil neste ano. Apesar do aumento, o montante ainda fica abaixo do valor de mercado. Segundo Sindicato Rural do Município, os valores por hectare variam de R$ 10 mil a R$ 20 mil, dependendo do tipo de terra.

— Valor de mercado é uma coisa. Para fins de tributo, esse é o valor que declaramos. É assim em qualquer lugar: São Borja, Não-Me-Toque... Ninguém declara o valor de mercado. Se eu fosse vender, aí é outro negócio, entra correção e se paga imposto — disse Heinze.

Para o economista Gil Castelo Branco, da Associação Contas Abertas, os parlamentares não cometem nenhuma irregularidade ao declarar o valor de aquisição do seus bens e não o de mercado, já que esta é a norma estabelecida pela Receita Federal. Ele ressalta, no entanto, que a declaração entregue ao TSE tem de ser "rigorosamente idêntica" à do Imposto de Renda e que deveria existir um sistema eletrônico de controle, que permitisse o cruzamento de dados.

A remuneração mensal de um deputado federal é de R$ 26.723,13. O parlamentar também recebe, no início e no final do mandato, uma ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio, destinada a compensar as despesas com mudança e transporte. Em quatro anos de mandato, cada congressista recebe um total R$ 1,28 milhão.

O combate às fraudes em declarações depende da vigilância do cidadão, pois os dados são preenchidos pelos próprios partidos e não passam por qualquer revisão do TSE. Para que haja investigação de casos de bens não declarados ou valores imprecisos, é preciso o registro de denúncia ao Ministério Público. Um outro entrave à transparência é a ausência de padrão no preenchimento dos bens publicados no sistema Divulgacand. No caso dos imóveis, por exemplo, algumas declarações não dizem o tipo de imóvel declarado, apenas o endereço, outras apresentam endereço incompleto. Imprecisões também são encontradas em outros itens das declarações.

COMO FISCALIZAR

1) Acesse o site do TSE: www.tse.jus.br

2) Na barra superior de links, clique em Eleições

3) Clique em Eleições 2014

4) Nas opções que aparecem no centro da página, clique em DivulgaCand 2014

5) Na próxima página, clique novamente em DivulgaCand 2014

6) No mapa que aparece, clique no mapa do Estado que deseja consultar

7) No menu Cargo, escolha o que deseja pesquisar

8) Ao selecionar o cargo, aparecerá uma lista de candidatos. À direita há um campo de busca para facilitar a sua pesquisa

9) Ao encontrar na lista a candidatura que deseja consultar, clique no nome do candidato para visualizar os dados e a declaração de bens

Evolução dos patrimônios dos deputados federais | Create Infographics

http://infogr.am/evolucao-dos-patrimonios-dos-deputados-federais?src=web

PATRIMÔNIO DE DEPUTADOS ESTADUAIS DO RS DOBRA EM QUATRO ANOS

ZERO HORA 23/07/2014 | 04h01

Cleidi Pereira e Eduardo Nunes

Patrimônio de deputados estaduais do RS dobra em quatro anos. Dos atuais 55 parlamentares, 46 tentarão a reeleição e sete disputarão outros cargos públicos em outubro




Foto: Marcelo Bertani / AL


O patrimônio dos 53 deputados estaduais do RS que concorrerão a algum cargo público nestas eleições dobrou nos últimos quatro anos. Juntos, estes parlamentares declararam à Justiça Eleitoral, em 2010, R$ 26,3 milhões em bens — valor que saltou para R$ 53,6 milhões neste ano, um aumento de 103,5% (veja os números de cada candidato no final desta matéria). A inflação acumulada no mesmo período foi de 26,7%, de acordo com o IPCA, considerado o índice oficial de preços.

Na comparação dos valores declarados em 2010 e em 2014, o deputado Paulo Borges (DEM) foi o que teve a maior variação percentual: 952,2%, passando de R$ 70,6 mil para 742,6 mil. O parlamentar mais afortunado e que teve o incremento mais expressivo em valores absolutos é Paulo Odone (PPS), cujo patrimônio saltou de R$ 1,8 milhão para R$ 8,7 milhões — uma alta de 377,6% no período.

Procurado pela reportagem, Odone afirmou que o aumento no montante dos bens é resultado, principalmente, do recebimento de uma herança, uma fazenda de mais de mil hectares no município de Itacurubi, no valor de R$ 6,4 milhões. O deputado, que também possui terras em Barra do Ribeiro, disse que os demais rendimentos são fruto da sua atividade rural. Já a assessoria do deputado Paulo Borges informou que o democrata financiou uma casa e um veículo de maior valor neste período.

Patrimônios dariam um salto se fosse usado o valor de mercado

Em valores de mercado, o tamanho real de alguns patrimônios pode ser ainda maior do que o que consta nas declarações. Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não dispõe de uma norma específica para a declaração de bens, os candidatos informam o preço da aquisição, sem levar em conta, no caso de imóveis, a valorização de mercado (o mesmo critério adotado pela Receita no Imposto de Renda).

Por exemplo, se um candidato comprou há 15 anos um apartamento por R$ 100 mil, o imóvel constará na declaração em 2014 com valor de R$ 100 mil, embora o bem tenha tido uma valorização considerável no período. Isso faz com que os imóveis adquiridos mais recentemente apareçam nas declarações com valores superiores aos mais antigos. Segundo levantamento do Secovi-RS, só nos últimos cinco anos o preço dos imóveis em Porto Alegre teve um aumento médio de 85,59%.

Os dados sobre os bens dos candidatos, que podem ser consultados através do Sistema de Divulgação de Candidaturas (DivulgaCand) do TSE, também mostram que o plenário da Assembleia possui hoje 17 milionários. Com subsídio mensal de R$ 20.042,34, sem incluir benefícios como a "ajuda de custo" (duas parcelas no valor do subsídio mensal, uma no início outra no final do mandato), um deputado estadual recebe pouco mais de R$ 962 mil em quatro anos.

Para o cientista político Humberto Dantas, além da remuneração fora dos padrões brasileiros, o enriquecimento de muitos parlamentares pode ser explicado pelo fato de não haver restrição para o exercício de atividades paralelas.

— Um deputado é um agente público contratado pelo voto, e isso significa que ele tem que prestar contas à sociedade. Então, o eleitor tem que fiscalizar, tem que duvidar, mas com cuidado.

O combate às fraudes em declarações depende da vigilância do cidadão, pois os dados são preenchidos pelos próprios partidos e não passam por qualquer fiscalização do TSE. Para que haja investigação de casos de bens não declarados ou valores imprecisos, é preciso o registro de denúncia ao Ministério Público. Um outro entrave à transparência é a ausência de padrão no preenchimento dos bens publicados no sistema Divulgacand. No caso dos imóveis, por exemplo, algumas declarações não dizem o tipo de imóvel declarado, apenas o endereço, outras apresentam endereço incompleto. Imprecisões também são encontradas em outros itens das declarações.


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira

DECLARAÇÃO DE BENS PARA INGLÊS VER



Por exigência legal, os candidatos têm de declarar seu patrimônio à Justiça Eleitoral no momento de solicitar o registro. Qualquer eleitor pode entrar no site do TSE e conferir os bens de quem disputa seu voto, mas essa informação nem sempre será precisa. E não é culpa dos políticos.

Como a Justiça Eleitoral não exige que os bens sejam atualizados pelo valor de mercado, a maioria informa o patrimônio da forma como está no Imposto de Renda. O problema é a legislação do IR, que não prevê a correção do valor dos imóveis, exceto quando sofrem alguma reforma. Como a Receita manda declarar pelo valor da compra, desconsiderando a correção monetária, na hora de vender, a diferença é considerada ganho de capital, mesmo que seja apenas a inflação. Essa anomalia resulta em desconfiança, por parte do eleitor, de que os candidatos estão sonegando informações, quando apenas reproduzem o que está no IR.

Com os carros ocorre o contrário. Todos os anos, o veículo deve ser declarado pelo valor de compra. Ignora-se a depreciação. Se o candidato reproduz o que está na sua declaração de renda, o carro estará superfaturado. E o eleitor, desconfiado, não entende por que um carro de cinco anos vale o mesmo que um zero quilômetro.

Como não existe um padrão de declaração, cada um faz do seu jeito. Ao declarar um apartamento, por exemplo, os detalhistas informam endereço, metragem, data de aquisição e valor. Outros simplesmente escrevem imóvel na cidade tal e valor, sem dizer se é casa, terreno, escritório ou apartamento.

Mesmo com essas falhas, a declaração tem lá sua utilidade para se conhecer os candidatos. Uma das curiosidades do site do TSE é a quantidade de políticos que guardam dinheiro em casa ou em conta corrente, quando o natural seria manter aplicado para ter rendimento.



COMO FISCALIZAR

1) Acesse o site do TSE: www.tse.jus.br

2) Na barra superior de links, clique em Eleições

3) Clique em Eleições 2014

4) Nas opções que aparecem no centro da página, clique em DivulgaCand 2014

5) Na próxima página, clique novamente em DivulgaCand 2014

6) No mapa que aparece, clique no mapa do Estado que deseja consultar

7) No menu Cargo, escolha o que deseja pesquisar

8) Ao selecionar o cargo, aparecerá uma lista de candidatos. À direita há um campo de busca para facilitar a sua pesquisa.

9) Ao encontrar na lista a candidatura que deseja consultar, clique no nome do candidato para visualizar os dados e a declaração de bens


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terça-feira, 22 de julho de 2014

ELEIÇÕES PARA CONSELHEIROS DE TCE

JORNAL DO COMÉRCIO 22/07/2014

Nardes defende eleição para conselheiros de TCEs

Marcus Meneghetti


MARCELO G. RIBEIRO/JC

Presidente do TCU diz que é ‘normal’ processos contra conselheiros


O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, comentou ontem a pesquisa divulgada pela ONG Transparência Brasil, que revelou que 23% dos conselheiros dos Tribunais de Constas dos Estados (TCEs) respondem a ações judiciais ou tiveram a prestação de contas rejeitada. O presidente do TCU foi o palestrante do almoço-palestra Brasil de Ideias, promovido pela Revista Voto, em Porto Alegre. Na ocasião, Nardes apresentou um cardápio de dados sobre as deficiências na gestão pública brasileira, diante de uma plateia de empresários, advogados, desembargadores e políticos.

O presidente do órgão de controle externo da União não é contra as indicações políticas e defende que a escolha para as vagas de conselheiros dos tribunais de Contas seja feita por meio de eleições no Legislativo. “Nós, ministros do TCU, somos eleitos via Congresso Nacional, como os conselheiros dos TCEs são eleitos pelos deputados estaduais. Em muitos estados, não acontece isso, por conta de articulações políticas”, tergiversou, sugerindo que os partidos indiquem seus candidatos a conselheiro para que realizem uma campanha junto aos colegas de Legislativo. Ele argumentou ainda que o fato de 23% dos conselheiros dos tribunais de Contas estarem respondendo a processos na Justiça não contraria o requisito de “reputação ilibada”, exigido pela Constituição Federal àqueles que pleiteiam o cargo. “O fato de um quarto (dos membros dos TCEs) ter processos é normal, porque muitos vêm da vida pública. E é normal que políticos tenham processos, afinal, na disputa eleitoral, o adversário sempre vai querer prejudicar sua imagem. O problema é se há condenação”, defendeu – acrescentando que pediu pessoalmente ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), para que recusasse a indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) a ministro do TCU, visto que ele havia sido condenado num dos seis processos a que responde.

Nardes disse ainda que é favorável à aplicação da Lei da Ficha Limpa aos conselheiros dos tribunais de Contas. Por fim, enumerou dois grandes impasses que o próximo presidente da República vai ter que enfrentar: a revisão do pacto federativo e a criação de um pacto de governança para fiscalizar e planejar a administração pública. “Estamos propondo um pacto pela melhoria da governança com todos os estados brasileiros. Se o Brasil quiser ser um líder mundial, tem que ter um projeto de Estado, não de partido”, afirmou. Depois de o ministro falar sobre a importância de ter quadros qualificados nos órgãos públicos, um dos empresários questionou “se incentivar a meritocracia no funcionalismo público, em um governo que é contra essa prática (referindo-se às gestões petistas), não seria ‘dar murro em ponta de faca.’”

“A meritocracia é um problema em todo o Brasil. Temos que formar quadros permanentes, para que as políticas públicas tenham continuidade. Temos 12 milhões de funcionários públicos no Brasil. Muitos fingem que trabalham, porque não são submetidos a nenhum tipo de avaliação.” Ao começar a sua palestra, o ministro cumprimentou nominalmente os espectadores que lhe eram conhecidos de longa data. Muitos foram correligionários de Nardes, da época em que ele se dedicava à carreira política. Foi vereador de Santo Ângelo (pela Arena, em 1973), deputado estadual por dois mandatos (pelo PDS, em 1986; e pelo PPR, em 1991), deputado federal por três legislaturas (pelo PPR, em 1995; pelo PPB, em 1999; e pelo PP, em 2003). Inclusive, em uma das mesas, sentava-se o presidente estadual do PP, Celso Bernardi. Quando o microfone foi aberto para perguntas, houve críticas do público ao governo Dilma Rousseff (PT). Nardes não se posicionou, apresentou dados sobre as auditorias realizadas pelo TCU.

MAIORIA DOS DEPUTADOS ESTADUAIS DO RS TENTA REELEIÇÃO


JORNAL DO COMÉRCIO 22/07/2014

Dos 55 parlamentares da Assembleia Legislativa, 46 vão buscar mais um mandato na Casa

Eduardo Amaral



A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul pode ter pouca renovação caso os deputados que concorrem à reeleição consigam êxito. Isso porque 83,63% dos candidatos já possuem mandatos de deputado estadual, o que representa que 46 parlamentares buscam a reeleição para se manter em uma das 55 vagas do Legislativo gaúcho.

Dos 55 deputados eleitos em 2010, apenas seis buscarão a Câmara dos Deputados e um será candidato a vice-governador na chapa de Ana Amélia Lemos (PP). Cassiá Carpes, que foi eleito pelo PTB, concorrerá pelo Solidariedade (SDD) em 2014. Com esse cenário, a composição do Legislativo estadual deve ter poucas mudanças a partir de janeiro de 2015, quando os eleitos assumem.

Na avaliação do cientista político e doutor em Sociologia Flavio Silveira, o grande número de deputados que busca a reeleição é uma consequência do sistema político do Brasil. “É muito natural que isso ocorra pelo sistema político brasileiro, que vai criando nas esferas do poder Legislativo e Executivo um grupo de pessoas que passa a exercer a função como uma carreira. A pessoa se especializa no trato da coisa pública através da atividade legislativa ou executiva e acaba tendo vantagens cada vez maiores (para se eleger)”, explica Silveira, diretor-presidente do Instituto Meta.

Dentre as bancadas com mais deputados, o PT, que é maioria atualmente, é o que mais tem parlamentares buscando a continuidade no cargo. Dos 14 deputados eleitos, apenas Raul Pont não tentará a reeleição. O parlamentar será um dos dois que não concorrerão a nenhum cargo eletivo em 2014. Além dele, Raul Carrion (PCdoB) também não tentará concorrer a nenhum cargo neste ano.

As decisões também não devem interferir nas eleições deste ano, sem causar impactos na conjuntura da Assembleia Legislativa a partir de 2015. “São decisões políticas de caráter individual que podem estar embasadas em posicionamentos político, mas essas posições acabam não tendo repercussão. Os espaços em branco são ocupados por outros”, avalia Silveira. Para o cientista político, a alteração mais significativa nas eleições de 2014 deverá ser impulsionada pela candidatura de Ana Amélia Lemos (PP) ao governo do Estado. Segundo Silveira, o processo que deve acontecer é a majoritária alavancar a candidatura proporcional do partido.

A sigla, que é bem consolidada no Interior do Rio Grande do Sul, tem sete deputados na Assembleia. O número não pode ser considerado inexpressivo, já que é o mesmo do PDT e apenas uma cadeira a menos que a do PMDB, que é a segunda maior bancada da casa. “Neste ano, o que há de diferente na comparação com os anos anteriores é a candidatura da Ana Amélia. O PP é um partido com tradição no Rio Grande do Sul, tendo uma candidatura majoritária e isso sempre fortalece as demais (proporcionais). Isso vai provocar alterações na representação da chapa, por exemplo a Yeda Crusius, quando se elegeu, fez uma bancada forte do PSDB, que não tinha bancadas fortes anteriormente”, explica.

Com a saída de Raul Carrion do cenário político, o PCdoB aposta na candidatura da deputada federal Manuela d’Ávila para manter e até ampliar as vagas na Assembleia a partir de 2015. A candidata foi recordista de votos na bancada gaúcha para deputada federal em 2010.



TCE PRECISAM SER MORALIZADOS


TCEs precisam ser moralizados. Uma proposta positiva é aplicar a Lei da Ficha Limpa aos candidatos a conselheiro. Poucos são mais indicados a se submeter à lei do que guardiões da lisura pública

POR EDITORIAL
O GLOBO 22/07/2014 0:00



A imagem de inoperância dos Tribunais de Contas leva a que se proponha até sua extinção, cabendo a avaliação da execução dos orçamentos apenas a auditores. No entanto, além de muito radical, a ideia deixa transparecer alguma influência corporativista. Mas é certo que, conforme mostraram reportagens do GLOBO, os Tribunais de Contas dos Estados (TCE) precisam passar por um saneamento.

Um problema-chave dos tribunais é seu uso para abrigar apaniguados políticos e até parentes. Os TCEs, cujos conselheiros são indicados pelo Legislativo (dois terços) e Executivo (o terço restante), têm, portanto, o funcionamento prejudicado na função essencial de verificar a lisura no cumprimento de contratos de obras e serviços assinados pelos estados e empresas públicas. A responsabilidade dos TCEs aumentou com a Lei da Ficha Limpa, porque cabe a eles analisar a prestação de contas dos administradores públicos e comunicar aos Tribunais Regionais Eleitorais quais os reprovados, passíveis de terem o pedido de registro de candidatura rejeitado.

Infelizmente, os próprios tribunais não conseguem atender ao requisito constitucional da “reputação ilibada” para altas funções públicas. Pois, dos 189 conselheiros dos 27 TCEs, 44, ou 23%, respondem a algum processo na Justiça ou eles mesmos tiverem contas rejeitadas, conforme a ONG Transparência Brasil.

Jonas Lopes de Carvalho, presidente do TCE fluminense, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter aprovado contratos entre a prefeitura de Carapebus e um escritório de contabilidade. Um presidente do TCE do Amapá, José Júlio de Miranda Coelho, e quatro conselheiros foram destituídos sob a acusação de desvio de milhões dos cofres do tribunal.

Em Mato Grosso, o conselheiro Humberto Melo Bosaipo também saiu por decisão judicial, porque responde a várias ações penais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por peculato e lavagem de dinheiro. Há até mesmo o caso de um homicida: Luiz Eustáquio Toledo, conselheiro do TCE de Alagoas, condenado, na década de 80, por ter assassinado a mulher. Por ter cumprido pena em regime semiaberto, despachava durante o dia no tribunal e dormia no quartel do Corpo de Bombeiros.

Entre os casos mais rumorosos está o do conselheiro Robson Marinho, do TCE de São Paulo, nomeado no governo Covas e hoje envolvido no escândalo do cartel de fornecedores de trens ao estado. Serve de munição do PT nos ataques ao PSDB paulista.

Ligados ao Poder Legislativo, os tribunais de contas custam caro. No Rio de Janeiro, por exemplo, o TCE consome o equivalente a 87% do orçamento da Alerj.

Há debates sobre como aperfeiçoar os TCEs. Uma proposta positiva é aplicar a Lei da Ficha Limpa aos candidatos a conselheiro. Poucos são mais indicados a se submeter à lei do que guardiões da lisura na administração pública.


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PIB ESPREMIDO PELO PESSIMISMO



ZERO HORA 22 de julho de 2014 | N° 17867


CADU CALDAS


PIBINHO À VISTA. Entre falta de confiança e eleição


PELA PRIMEIRA VEZ neste ano, analistas consultados pelo BC projetam que crescimento de 2014 ficará abaixo de 1%. Indicadores mostram perda de fôlego da atividade, mas especialistas cogitam contaminação de clima pré-eleitoral

Cada vez mais pessimistas com o ritmo da economia brasileira, analistas ouvidos pelo Banco Central (BC) projetam que o crescimento do país ficará abaixo de 1% em 2014. Em queda há três meses, a estimativa, divulgada pelo BC no Relatório Focus ontem, sinaliza a falta de confiança dos especialistas em uma recuperação no segundo semestre, mas também pode refletir o clima pré-eleitoral.

A expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) fique em 0,97%. O forte recuo na projeção – uma semana atrás, era de 1,05% – ocorreu após a divulgação do IBC-Br de maio, indicador calculado pelo BC e considerado de maneira informal uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). A queda de 0,18% mostrou que a atividade econômica não retomou o fôlego perdido no primeiro trimestre, quando cresceu apenas 0,2%.

Na onda de pessimismo, o departamento econômico do Bradesco revisou as próprias projeções para expansão do PIB de 1,5% para 1% em relatório divulgado ontem aos clientes. Segundo os analistas do banco, a reavaliação foi movida pela queda da confiança na recuperação econômica. Professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Elerry avalia que é errado rotular o mercado de pessimista.

– É um cenário realista. Esse discurso de que o mercado está de mau humor é balela. Nos últimos cinco anos, os analistas erraram feio apenas duas vezes e nas duas ocasiões foram muito mais otimistas do que a realidade apontou – afirmou Elerry.

Pedro Raffy, professor de economia da Universidade Mackenzie, reconhece a credibilidade do relatório Focus, mas ressalta que a percepção dos analistas pode estar “contaminada” pelo clima eleitoral:

– É preciso ter cautela com projeções muito otimistas ou muito pessimistas, principalmente em ambiente de disputa eleitoral, em que o desempenho econômico tende a se tornar o centro do debate.



SETOR AUTOMOTIVO ESPERA SEGUNDO SEMESTRE MELHOR


Em economia, tão importantes quanto o ritmo da atividade econômica são as expectativas das pessoas quanto ao futuro. São as projeções de consumidores, investidores e empresários sobre o desempenho do país nos próximos meses que definem se é o momento certo para financiar a casa própria, ampliar o negócio ou deixar o dinheiro guardado para eventuais dificuldades. No discurso de posse da diretoria da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) em Porto Alegre, na semana passada, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, reclamou do pessimismo que “emperra a economia” e chamou a atenção para “profecias muito negativas em período pré-eleitoral”.

Em cenário de análises desanimadoras, a surpresa positiva vem do setor automobilístico – o que teve o pior desempenho na indústria no primeiro semestre. Entre os motivos de ânimo apontados por Luiz Moan, presidente da Anfavea, associação que reúne as montadoras no Brasil, está a normalização dos financiamentos via Programa de Sustentação do Investimento (PSI) represados no início do ano, o acordo fechado com a Argentina para retomar a venda de automóveis e o alento do sucesso da organização da Copa do Mundo. O executivo, que acertou o avanço do PIB no ano passado, projeta crescimento mais perto de 2% do que de 1% para 2014.


+ ECONOMIA | Maria Isabel Hammes


PELA PRIMEIRA VEZ, NEM 1%

É arregaçar as mangas, respirar fundo e pôr mãos à obra. Caso contrário, fica difícil tocar adiante quando, pela primeira vez no ano, a expectativa de crescimento da economia brasileira cai abaixo de 1% não passa de raquíticos 0,97%.

No Relatório de Mercado Focus, a previsão de aumento de preços não teve grande variação (6,44%). Agora, o que se aguarda é a divulgação da ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na semana passada, que determinou a manutenção do juro básico da economia em 11% ao ano. A questão maior, porém, é o pouco tempo ou a quase inexistência de fórmula com peso suficiente para tentar uma reação mais vigorosa ainda neste ano.

Na realidade, o que está havendo é uma espécie de contaminação de expectativas negativas, que acabam influenciando a (quase) todos. Em sua análise de mercado divulgada ontem, o Bradesco, por exemplo, classifica de “notável” a deterioração das expectativas na indústria, no comércio, na construção civil, no setor de serviços e entre os consumidores.

Com índices de confiança que recuaram para os níveis mais baixos desde 2009 – época da grande crise global –, investimentos têm sido postergados e estoques estão altos na indústria e no varejo. Além disso, a situação atual da Argentina e a fraca demanda global pesam. A única “tábua de salvação” que ainda aponta uma chance de mudança na tendência é, para os analistas do banco, o consumo das famílias diante dos aumentos reais de salários esperada para o decorrer dos próximos meses. Mesmo assim, ainda a conferir.

Nesse contexto, a ideia é de que, para o próximo ano, a retomada dos investimentos só venha lentamente, trazendo de volta um maior dinamismo à economia.

Qualquer que seja o vitorioso na disputa pelo Planalto, pelo menos no primeiro semestre de 2015 será preciso ajustes no lado fiscal – arrecadação e gastos públicos – e na política de preços administrados, como os de energia e combustível. Não é de uma hora para outra. Mas já pode dar sinais para a recuperação da confiança.









A VOZ DO BRASIL


ZERO HORA 22 de julho de 2014 | N° 17867


MOISÉS MENDES




Escuto parte da Voz do Brasil no carro, lá de vez em quando. Assim fiquei sabendo que um deputado foi à tribuna da Câmara para saudar a colheita da mandioca no semiárido.

Descobri, ouvindo trechos do discurso, que a mandioca tem o nome científico de manihot esculenta. E que somos o segundo maior produtor de mandioca do mundo, atrás da Nigéria.

Por essa e outras, A Voz do Brasil é um desserviço para a atividade pública. Ouço A Voz enquanto vou para casa, desviando das tampas de bueiros que continuam afundando em Porto Alegre. Desvio das tampas e dos buracos que conheço.

Há um buraco no asfalto, 50 metros antes do Zaffari da Cavalhada, que tem mais de ano. Gosto de apreciar os motoristas desviando bem antes do buraco conhecido.

Dia desses, me descuidei e caí numa tampa de bueiro afundada quando ouvi pela Voz do Brasil que o país vacinou mais de 16 milhões de fêmeas bovinas contra a brucelose. Imagine se termino o dia sem essa informação?

Foi pela Voz que ouvi também que a população pode contribuir para o aperfeiçoamento das normas sobre reforma de pneus, que está no Congresso (você entende de reforma de pneus?).

As notícias sobre a mandioca, os pneus e a brucelose vão me colocando a par do Brasil que não entraria na casa da gente (ou no carro, nesse caso) de outro jeito. Mas é duro aguentar as tampas de bueiros afundadas de Porto Alegre e as notícias da Voz do Brasil.

Sei que você vai dizer que A Voz nos informa sobre as vacinações, o Minha Casa Minha Vida, o Enem. É pouco. Para que serve A Voz? Para falar de um Brasil oficioso, dar notícias dos coronéis da política e bajular currais eleitorais.

E sempre tenho a sensação de que um dia, depois da trilha sonora da ópera O Guarani, do Carlos Gomes, será anunciada a invasão de Uruguaiana pelas Forças Armadas da Argentina.

Você sentiria falta da Voz do Brasil? Sei de gente que ouve o programa comendo pinhão ao lado do fogão a lenha em Itaqui. E de presidente de clube que fica corujando pra saber se o deputado vai mesmo discursar sobre a inauguração da nova cancha de bocha. Mas é pouco.

Depois disso tudo, você pode perguntar por que eu não coloco um som no rádio, um CD, um pen drive, enfim, por que não ouço música no horário em que A Voz do Brasil é programa obrigatório.

Porque, no fundo, sou viciado em A Voz do Brasil, tento e não consigo largar. Hoje, por exemplo, estou certo de que A Voz do Brasil vai informar que um deputado foi à tribuna para saudar a “renovação” do comando da Seleção.

Fracassaram os que torciam pela ressurreição da Seleção e do que ela ainda pode significar para nossa identidade, se é que ainda significa alguma coisa. Venceram a mesmice e o compadrio.

O Brasil arcaico, que ainda vai à tribuna para saudar a vacinação contra a brucelose, a colheita da mandioca e os coronéis e sargentos da política e do futebol, é muito pegajoso.