VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

domingo, 24 de agosto de 2014

CONFIANÇA ABALADA

ZERO HORA 24 de agosto de 2014 | N° 17901


EDITORIAL


Sucessão de números negativos altera o ânimo de quem produz e de quem consome e desafia projetos dos presidenciáveis.



A combinação de indicadores e de atitudes de quem produz e consome forma um cenário pouco promissor para a economia brasileira. Os dados estatísticos, mesmo que informem o que já passou, iluminam também as condutas de quem pretende investir, comprar ou planejar ações de médio e longo prazo. E os indicadores do ano até agora não são bons para a performance econômica em geral e para questões específicas como inflação, contas públicas, juros, contas externas e consumo interno. Pretendentes à Presidência da República se defrontam com uma realidade que os números explicitam mensalmente e passam a ser desafiados por uma constatação incômoda: há, claramente, uma perda gradual de confiança por parte dos empresários e também da população em geral.

Os números são incontestáveis. A indústria reduziu o ritmo, o consumo pode ter chegado ao limite e, o que mais preocupa, a criação de emprego começa a perder fôlego. Por muito tempo, o maior trunfo da economia, exaltado pelo governo, foi a geração de vagas, em todos os setores. Áreas consideradas decisivas para a manutenção dessa tendência, como a automobilística, refreiam a produção, com menos encomendas, e começam a demitir. É abalado um pilar da política econômica, sustentado basicamente pelo fortalecimento do mercado interno, via crédito abundante e outros estímulos, como redução de preços de bens duráveis, com a desoneração tributária. Perdem efeito as ações muito mais táticas do que estratégicas, que representam esforços pontuais, na tentativa de estimular o consumo e transmitir a sensação de estabilidade.

Os resultados não são os almejados. A percepção média de que é preciso cautela faz com que as amostragens de investimentos revelem apreensão, com o adiamento de projetos, por parte do setor produtivo. Na outra ponta, do consumo, indicadores do comércio sugerem um refluxo na capacidade de endividamento da população. A inflação, igualmente no limite da meta estabelecida pelo próprio governo, mantém uma preocupante estabilização em níveis que, sob quaisquer pontos de vista, afastam-se do que seria razoável. É assim que os preços ascendentes, especialmente de produtos de primeira necessidade, corroem o poder de compra das famílias de mais baixa renda e, também nesse caso, comprometem projetos pessoais e abalam confianças.

Observadores de conjuntura chegam a traçar um cenário menos preocupante para 2015 para o ritmo da economia, mas o próximo ano reserva o impacto de correções de preços, bem acima da média histórica, para combustíveis e energia. Há exagero nos que, a partir desses dados, põem o Brasil no pior dos mundos. Mas é preciso atentar para os sinais que são emitidos pelo conjunto de indicadores, pelos impactos mais imediatos e pelas reações que provocam no ânimo de todos. O país contabiliza avanços importantes que não podem ser desperdiçados, e uma das missões dos presidenciáveis é a de transmitir com clareza o que pretendem fazer para que a economia volte a crescer com estabilidade e em níveis compatíveis com suas potencialidades.


Editorial publicado antecipadamente no site de Zero Hora, na quinta-feira, com links para Facebook e Twitter. Os comentários para a edição impressa foram selecionados até as 18h de sexta-feira. A questão: Editorial diz que é preciso recuperar confiança na economia. Você concorda?

O LEITOR CONCORDA

Concordo. Temos que reconhecer e partir daquilo que é positivo para melhorarmos. O principal motivo da falta de confiança na economia Brasileira, é uma máquina pública cara, ineficiente e corrupta. Para sustentar esta máquina inchada, trabalhadores e empreendedores do Brasil todo têm em comum um sócio chamado governo e sua máquina arrecadatória (esta sim, funciona e muito bem). Este sócio é ao mesmo tempo oculto, inativo (porque nada faz) e majoritário (porque é quem mais leva na arrecadação). Digam os presidenciáveis quem serão seus ministros nas pastas da fazenda, saúde e educação que definirei meu voto.

IVO RICARDO LOZEKAM - PORTO ALEGRE (RS)

Não tenho o conhecimento necessário para argumentar, mas me parece claro que é preciso, sim, recuperar a confiança em geral, no governo e, portanto, na economia. É inquestionável o aumento dos preços, basta ir no mercado. Isto gera insegurança e desconfiança.

VÂNIA DOELER - PORTO ALEGRE (RS)

O LEITOR DISCORDA

Só se pode transmitir confiança e ter saúde econômica quando se moderniza o Estado, o deixando mais leve, com mais eficiência. Com tantos comunistas e socialistas querendo mais e mais regalias do Estado, a saída encontrada por esse monstro burocrático tem sido sempre de querer mais e mais impostos, não haverá interesse do capital moderno em investir e gerar riquezas já que o lucro é visto como pecado. Infelizmente o Brasil vive a doença do esquerdismo míope que só alimentou parasitas que não produzem nada e ao contrário são os principais responsáveis pela corrupção. Com tal ambiente negativo, não será possível mudar esse cenário a curto prazo. É preciso uma mudança de lideranças políticas e empresariais e se copiar modelos vencedores como Estados Unidos, Alemanha, Canadá etc. Enquanto olharmos para Cuba, Venezuela e Argentina o resultado será esse para pior.

EDUARDO MANNA PORTO ALEGRE (RS )

Discordo do editorial, nossa economia tem obtido crescimento nos últimos anos, superior inclusive a países chamados de desenvolvidos. Muito embora ainda necessite ampliar o crescimento através de uma articulação com os Brics.

EDUARDO SILVEIRA - PORTO ALEGRE (RS)

MAU HUMOR, OCIOSIDADE E ESPERANÇA



ZERO HORA 24 de agosto de 2014 | N° 17901.


CAIO CIGANA. ATIVIDADE LENTA.


Só metade das vagas ocupadas



A fábrica planejada para estar bombando enfrenta 40% de ociosidade. Em razão da necessidade de a economia brasileira avançar em produtividade para ser mais competitiva, o empresário Werner Spieweck, proprietário da Omnitec, de Canoas, imaginava que os equipamentos de automação industrial que produz teriam grande procura. A gradual desaceleração nas fábricas e as expectativas nada otimistas para os próximos meses fizeram as encomendas minguarem.

– Tenho 15 funcionários, mas deveria ter entre 25 e 30. Com a estrutura que temos, poderíamos faturar o dobro ou o triplo – calcula.

Com as vendas em baixa, as compras de insumos como aço e componentes eletrônicos também diminuíram. Investimentos que Spieweck planejava foram postergados, e custos, como treinamentos, cortados. O reflexo desse momento da economia, entende, realimenta o círculo vicioso. Como as fábricas pararam de investir, o resultado logo adiante será uma perda ainda maior de competitividade.

– Montar uma indústria forte é dificílimo. Desmontar é uma barbada – compara o empresário.


Investimento espera avanços consistentes


Apesar de alguns índices que medem o humor da indústria, do comércio e do consumidor terem interrompido a longa sequência de piora na confiança, a reversão do ciclo, com uma reação a outros indicadores da economia, ainda dependeria de sinalizações positivas mais firmes em uma série de fatores que geram incerteza, diz Viviane Seda, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Entre os quais, um recuo consistente da inflação, solução para o endividamento das famílias, retomada do mercado de trabalho e o fim das dúvidas relacionadas às eleições e às intenções do futuro presidente da República, seja quem for, ao sinalizar que medidas pretende adotar.

Para a economista Juliana Serapio, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o recente recuo inflacionário é uma semente de esperança.

– O IPCA (índice de inflação com alta de apenas 0,1% em julho) mostrou deflação em vários quesitos, como nos alimentos, que pressionaram muito os preços no início do ano. Isso pode ajudar a melhorar a confiança. Outros indicadores precisavam ter uma forte reversão, como a queda nos juros – afirma Juliana.

Para Aloisio Campelo, também da FGV, é possível que a confiança dos empresários ensaie uma retomada tímida nos próximos meses em função do maior número de dias úteis – ao contrário do período da Copa, quando feriados e pontos facultativos afetaram a indústria e o comércio.

Mesmo assim, não é de se esperar a retomada a altos níveis nos próximos 12 meses. Um ponto-chave, concorda Campelo, será a definição das eleições ou pelo menos a cristalização de um quadro que permita prever o desfecho da votação.


BRISA DE ESPERANÇA
Razões que indicam leve retomada da atividade econômica no segundo semestre deste ano

-A projeção do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) é de que as vendas do setor cresçam 3,1% em agosto, 2,8% em setembro e 3,1% em outubro. Em julho, houve queda de 0,7%.

-Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que, em julho, a ociosidade e o excesso de estoques das fábricas reduziram. Mesmo assim, seguem em níveis históricos altos. As grandes empresas também aumentaram a produção na comparação com junho.

-A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) espera crescimento das vendas no segundo semestre. Com isso, a comercialização, que caiu 7,6% na primeira metade do ano, deve fechar 2014 com retração menor, de 5,4%.

-Os índices da confiança da indústria medidos pela CNI e pela Fiergs pararam de cair neste último mês. O do consumidor, avaliado pela FGV, subiu nos dois últimos meses e o do comércio voltou a crescer em julho.

-Manutenção das baixas taxas de desemprego, apesar da redução da criação de novas vagas.
-Desaceleração da inflação, principalmente dos alimentos, deve dar alguma folga às famílias.





A FÓRMULA


ZERO HORA 24 de agosto de 2014 | N° 17901


INFORME ESPECIAL - TULIO MILMAN



Ganhar eleição no Brasil é uma barbada. O primeiro truque são as promessas. Muitas promessas. Encomende pesquisas, veja quais são as maiores preocupações do povo e invente soluções para todas elas. Depois de eleito, não precisa se preocupar. É só culpar a crise internacional, a oposição ou o sistema.

Ou então jurar que cumpriu, mesmo que não tenha. Use gráficos.

Ingrediente número 2: abuse dos autoelogios. Diga que você inventou o sol, a chuva e o picolé de chocolate. As crianças adoram e, mesmo que elas não votem, seu poder de influência, de acordo com as pesquisas, é gigantesco. Ética e transparência são palavras básicas. Exagere nelas. E nem perca tempo tentando entender o que significam. Não precisa. Apenas use.

Ainda no quesito elogios, pega bem contratar artistas desconhecidos, ou usar militantes, para que os testemunhos de terceiros pareçam espontâneos. Não esqueça de marcar bem os sotaques: nordestino, gaúcho, carioca, paulista e mineiro. Só dos maiores colégios eleitorais. Sotaque do Amapá não precisa.

Jamais fale mal do Bolsa Família. Mesmo que, no fundo, você ache que é um programa paternalista e assistencialista. Criticar o Bolsa Família, mostram as pesquisas, tira votos.

Sorriso no rosto, um jingle bonito com palavras tipo “esperança, novo Brasil, amanhã e futuro”. Ache rimas, quaisquer rimas. Grave em ritmo de samba, forró, xote e sertanejo.

Se o eleitor chorar de emoção, o voto é seu.

Tire do baú algumas fotos antigas da família. Histórias de superação e pobreza são altamente eficazes.

Apareça no horário eleitoral gratuito fazendo coisas que você não faz, mas que as pesquisas mostram que todo mundo faz: andar de ônibus, cozinhar, ir ao supermercado.

Não olhe para a câmera durante a gravação dessas cenas de rotina. Faça de conta que você nem sabe que ela está ali. Tipo ator de novela. Pode errar que a equipe edita, ou grava de novo.

Pronto.

Você tem tudo para se eleger presidente do Brasil.

ECONOMIA NO FUNDO DO POÇO


ZERO HORA 24 de agosto de 2014 | N° 17901


CAIO CIGANA

ATIVIDADE LENTA. OS NÚMEROS DO MAU HUMOR. Vendas ladeira abaixo seguram contratações 

FREADA NA ECONOMIA. CRESCIMENTO CADA VEZ MENOR e inflação que só em alguns meses dá sinais de bom comportamento estão entre fatores que preocupam de empresários a trabalhadores sobre o futuro imediato do Brasil


A situação do empresário Paulo de Souza Rodrigues, dono de uma loja de calçados femininos no bairro Bom Fim, na Capital, exemplifica como a falta de confiança reverbera em toda a economia. Com as vendas no primeiro semestre abaixo da expectativa e sem perspectivas de uma boa reação na segunda metade de 2014, decidiu postergar a compra da coleção de verão.

– Normalmente, teria feito isso há um mês. Mas a margem para erros está menor. É melhor aguardar um pouco mais – explica Rodrigues.

A decisão do comerciante, provavelmente acompanhada por milhares de outros lojistas, impacta nas fábricas de calçados. Com esperanças reduzidas de melhora no movimento e espremido pelo aumento de custos, Rodrigues também adotou outra decisão típica de momentos de incerteza: com as vendas abaixo do que imaginava, os planos de novas contratações foram engavetados.

– Eu teria de contratar, mas não vou aumentar o número de funcionários porque não sei como será o segundo semestre – avisa o empresário, tomando uma decisão que, se reproduzida por seus colegas lojistas, também vai afetar a geração de emprego.

Para Rodrigues, parece que até as mulheres, conhecidas pelo impulso para comprar sapatos, estão retraídas, contagiadas pela cautela, um sentimento também capturado por outras sondagens.

O índice de confiança do consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV), por exemplo, chegou em maio ao mais baixo patamar da série histórica, iniciada em setembro de 2005.

Até subiu nos últimos dois meses, mas a melhora no humor da população ainda não pode ser apontada como o início de uma tendência consistente de reversão do pessimismo, diz a economista Viviane Seda, coordenadora da pesquisa.

CONSUMIDOR ESTÁ CAUTELOSO

Para Viviane, a melhora da percepção do consumidor em junho e julho se deveu a fatores pontuais como a organização da Copa do Mundo ter sido considerada um sucesso e a inflação ter desacelerado.

– Mesmo sem aumento do desemprego até agora, as pessoas estão mais preocupadas com o futuro. Isso leva a uma cautela na intenção de compras. E gera um efeito psicológico para empresários e consumidores que tem reflexos em toda a economia – sustenta Viviane.

Com os compradores cautelosos, o reflexo nos demais setores é imediato. O índice de confiança do varejo apurado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) completou nove meses em queda e chegou em julho ao piso da sondagem iniciada em 2010.

Aonda de indicadores que mostram a economia em ritmo lento neste ano, seguindo a trilha do fraco crescimento do país desde 2011, aumenta a atenção para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre que será divulgado pelo IBGE na próxima sexta-feira. Nos últimos dias, especialistas passaram a considerar a probabilidade de que o previsível resultado negativo entre abril e junho seja agravado por uma revisão para baixo dos números dos três primeiros meses do ano.

Cresceu a hipótese de que o crescimento quase nulo – mas ainda positivo – de 0,2% seja recalculado para uma retração. Caso se confirmarem dois trimestres seguidos de recuo no PIB, o Brasil teria passado a primeira metade de 2014 em recessão técnica – conceito definido por dois trimestres sucessivos de redução da atividade econômica.

Mesmo que as previsões mais pessimistas não se confirmem, a atividade em marcha lenta, avaliam economistas, é o resultado da crescente perda da confiança de empresários e consumidores, alimentada por uma série de fatores. O quadro que desanima quem produz e quem compra tem vários elementos: baixa produção industrial, juro alto, inflação acumulada, endividamento das famílias, custo da energia decolando, investimentos em infraestrutura que ficaram só no anúncio e, para fechar um círculo que se realimenta do próprio pessimismo, pacotes do governo federal que não surtem efeito, travados por falta de confiança.

Para completar, o quadro eleitoral joga mais gasolina na fogueira da incerteza. Se há um consolo nesse ambiente desanimador é o fato de que mesmo analistas que projetam recessão e crescimento inferior a 1% em 2014 preveem que a economia bateu no fundo do poço. A tendência para o restante do ano e 2015 é de recuperação, mesmo que em patamares tímidos.

SINDICATO ANALISA JORNADA FLEXÍVEL

O que começou com sentimentos – perda de confiança e pessimismo – já reflete em dimensões mais concretas: queda na produção, redução nas vendas e, ao menos no Rio Grande do Sul, corrosão do nível de emprego. Dados de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério de Trabalho, mostraram que no mês passado houve 6.390 mais demissões do que contratações. Chamado de “saldo negativo na geração de empregos”, significa que há mais vagas fechando do que abrindo. Mesmo na média do Brasil, o resultado inquieta: o saldo ainda é positivo, de 11.796 contratações a mais do que demissões, mas é o menor dos últimos 15 anos.

Na última sexta-feira, a divulgação da arrecadação do governo federal acentuou o cenário: com queda de 1,6%, foi a menor para julho nos últimos quatro anos. Os indicadores reais começaram a se encontrar com os que apontavam, desde o fim de 2013, piora no humor de empresários e consumidores. Analistas ponderam que, mesmo que representem algo abstrato, esses indicadores de otimismo ou pessimismo costumam antecipar ciclos da economia e têm poder de potencializar momentos extremos de euforia ou, como agora, de depressão.

– Essas percepções retroalimentam tendências. Quando uma empresa está confiante, a postura é mais otimista quanto a investimentos e contratações. Quando está em baixa, age como um freio – explica Aloisio Campelo, superintendente-adjunto de ciclos econômicos da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O indicador de confiança da Confederação Nacional do Indústria (CNI), por exemplo, parou de piorar em agosto, após chegar em julho ao mais baixo nível da série histórica, por ser o setor que há mais tempo sente o desaquecimento da economia.

Para Marcelo Azevedo, economista da CNI, as sondagens de confiança têm o condão de antever ciclos da economia e permitir que empresários programem ou posterguem investimentos, acelerem ou coloquem um pé no freio da produção por medirem um estado de ânimo que envolve uma avaliação do futuro.

Entre a dúvida e a esperança, os sindicalistas admitem a flexibilização da jornada para preservar empregos. Luis Carlos Ferreira, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul, avalia que o segundo semestre será melhor. Em Gravataí, a GM voltou neste mês a produzir aos sábados, mas uma grande empresa de autopeças negocia suspensão temporária de contratos de trabalho.

– Somos sensíveis ao momento – afirma Edson Dorneles, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí.


OS HUMORES E OS RESULTADOS


INDÚSTRIA
 -O Índice de Confiança da Indústria recuou 3,2% entre julho e junho, para 84,4 pontos, o menor desde abril de 2009. A produção industrial acumula queda de 2,6% neste ano.

COMÉRCIO -O indicador de confiança do comércio foi o menor em junho, mas melhorou em julho. As vendas no varejo têm alta de 4,2% de janeiro a junho deste ano.

CONSTRUÇÃO CIVIL -O Índice de Confiança da Construção caiu 10,3% de maio a julho em relação ao mesmo período de 2013. A A atividade na construção civil está em queda, conforme sondagem da CNI que aponta 44,5 pontos. Abaixo de 50, indicador mostra recuo.

SERVIÇOS -O Índice de Confiança de Serviços (ICS), da FGV, recuou 0,6% entre junho e julho.Bateu em 107,3 pontos, o menor nível desde abril de 2009 (103,4 pontos). De janeiro a junho, os negócios no segmento cresceram 7,4%.

CONSUMIDOR -O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) chegou à menor pontuação em maio, mas subiu nos últimos dois meses.

MERCADO DE TRABALHO -O Índice de Medo do Desemprego, da CNI, teve em junho pontuação de 76,1. Ficou 6,7% acima do mesmo período do ano passado. Em 1999, superava cem pontos. Em julho, houve apenas 11,8 mil contratações a mais do que demissões no período.

POR QUE MONITORAR A CONFIANÇA?

Porque mostra tendências para a economia. No caso dos consumidores, identifica a variação das intenções de ir às compras. No caso da indústria, monitora o que deve ocorrer com a produção e o apetite de empresários para fazer investimentos.

Uma das principais vantagens da pesquisa é a rapidez com que os dados são colhidos, processados e divulgados. Estatísticas quantitativas, como as de produção e de emprego, podem ser conhecidas com defasagem de até 60 dias.

QUAIS ITENS SÃO ANALISADOS?

No caso dos consumidores, os questionários tentam captar – tanto no dia quanto para os próximos meses – o sentimento sobre economia, situação financeira familiar, inflação, juros, emprego e decisões de poupança e consumo.

Na indústria, são analisados pontos como uso da capacidade instalada, estoques, demanda, empregos, produção e situação dos negócios. São verificados os indicadores do trimestre anterior, do período em que é feito a pesquisa e para os próximos seis meses.

sábado, 23 de agosto de 2014

DECRETO IMPOPULAR, MAS CONSTITUCIONAL



FOLHA.COM 23/08/2014 02h00


Carlos Viegas e Claúdia Viegas



Recentemente, o Poder Executivo promulgou o decreto nº 8243, com o qual pretendeu instituir o que denominou ser a Política Nacional de Participação Social. Instantaneamente, a publicação do ato normativo suscitou uma discussão acerca dos seus aspectos jurídicos e políticos, com a emissão das mais variadas opiniões de diversos setores da sociedade, majoritariamente contrárias ao decreto por considerá-lo atentatório à Constituição brasileira e à democracia.

O deputado Mendonça Filho (DEM-PE) apresentou o projeto de decreto legislativo nº 1.491/14, com a finalidade de suspender o decreto do Executivo, reputando-o inconstitucional. Sua fundamentação é, sobretudo, ideológica e pouco ou nada jurídica, pois não considera o alcance normativo do instrumento utilizado para estabelecer o que, com grandiloquência, chamou-se de Política Nacional de Participação Social ao decreto presidencial.

Ora, pela via do decreto, o que se estabeleceu foi um procedimento interno, no âmbito do Executivo, que regula as relações entre os órgãos daquela função estatal e algumas entidades representativas, nada mais. Não há qualquer alteração nos fundamentos constitucionais, não se suprime instância alguma e, muito menos, se subverte o princípio democrático.

A Constituição atribui ao presidente da República a competência para organizar, mediante decreto, o funcionamento da administração federal, que dita seus procedimentos com total independência dos demais Poderes da República.

Trata-se de um regulamento interno que não afeta em nada a posição do Congresso na sua primazia formal para liderar os debates sobre os rumos das políticas públicas e, muito menos, no seu papel de fiscalização dos atos do Poder Executivo.

Não é esta, contudo, a falha do destacado decreto. Seu infortúnio é não inovar em nada sobre o que já vem sendo praticado pelo governo no que se refere à participação popular nas decisões sobre o estabelecimento de políticas públicas.

Na verdade, ele apenas ilumina uma prática política muito comum e já bem conhecida, implementada ao longo dos últimos anos na administração pública –qual seja, a cooptação dos movimentos sociais e sua incorporação no aparelho estatal.

O decreto é, portanto, constitucional, mas, impopular. Isso porque continua privilegiando a participação das entidades corporativas, de seguimentos minoritários altamente organizados e das ONGs geridas por uma militância carreirista e profissional.

Embora aparentemente democrática, a forma adotada pelo governo exclui da discussão sobre as políticas públicas o cidadão comum, que não tem o mesmo tempo nem a estrutura financeira daqueles que se dedicam profissionalmente à militância junto ao aparelho estatal.

Na sociedade complexa em que vivemos, as pessoas não têm tempo, nem interesse, em participar de instâncias de decisão às quais não se sentem vinculados, principalmente pelo baixíssimo nível apresentado pelos seus membros. Assim, quisessem os governantes manter o diálogo com a população, deveriam buscar formas alternativas para a inclusão de todo o povo nos processos decisórios, considerando seus limites de tempo, suas necessidades individuais e, principalmente, sua descrença no sistema político.

Nesse caso erram o Congresso e o Executivo. Aquele por achar que possui o monopólio da discussão e da fiscalização das políticas públicas. O governo, por sua vez, equivoca-se ao consolidar um modelo ultrapassado que monopoliza, na prática, os fóruns de discussão sobre os rumos das políticas públicas.

A integração das instâncias discursivas da sociedade civil junto ao aparelho estatal não contribui para a emancipação política do povo. Ao contrário, permite a unificação e a homogeneização do discurso político que se torna monocórdio e, por isso mesmo, perigoso.



CARLOS ATHAYDE VALADARES VIEGAS, 46, é mestre em direito e professor de direito constitucional do Instituto J. Andrade
CLAÚDIA MARA DE ALMEIDA R. VIEGAS, 44, é mestre, doutoranda em direito e professora de direito privado da Uniesp

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A REDUÇÃO DE MINISTÉRIOS


ZERO HORA 23 de agosto de 2014 | N° 17900


EDITORIAL



O excesso de pastas, para contemplar apoiadores, é a expressão das distorções do Estado atrofiado e dos interesses partidários.

Se fossem desafiados a citar o nome da pasta e seu respectivo titular, os ministros do atual governo certamente não completariam a lista de colegas sem cometer erros, sem vacilações e sem omissões. Não há como saber quem são os 39 ocupantes do primeiro escalão do governo, considerando-se as secretarias que têm status de ministério. A dificuldade é ampliada pelo fato de que somente neste ano 13 ministros foram substituídos. E as trocas, infelizmente, não se orientam pela competência e pela habilitação de cada um para o cargo, mas pela conveniência política. Repete-se a dança das cadeiras que tenta acomodar, em rodízio, os indicados pelos caciques das alianças partidárias de sustentação ao Planalto. É assim que ministérios se transformam em biombos políticos, com altos custos e poucos resultados.

A simples existência de 39 pessoas em cargos de comando seria um contrassenso administrativo, em qualquer setor, em governos ou na área privada. Não há como governar com a pulverização de atribuições, que poderiam ser concentradas num número bem menor de pastas, com racionalidade de despesas e de decisões. Tanto que há ministros que raramente despacham com a presidente da República, até porque a senhora Dilma Rousseff sabe da desimportância de muitos deles. Áreas ligadas à infraestrutura, por exemplo, poderiam ser concentradas num único ministério. E também é no mínimo questionável a existência de pastas como a da Pesca e Aquicultura, cujas atividades são ignoradas pela grande maioria da população.

É sabido que ministérios como este não significam apenas uma sigla, orçamento próprio, um cacique e desperdício de recursos. Cada pasta sustenta uma estrutura de privilegiados, ocupantes de cargos em comissão, que ali estão, em muitos casos, para contemplar demandas de apoiadores. São nomeados mantidos pelo sistema de compadrio e de troca de favores. Tanto que, dos 39 ministérios do atual governo, 13 têm como titular políticos indicados por partidos da base de apoio, muitos dos quais sem a competência específica que os habilitaria para as funções.

A partilha do primeiro escalão foi ampliada nos governos Lula-Dilma, que herdaram 24 ministérios de Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Ambos andaram na contramão das referências mundiais, como os governos europeus e mesmo latino-americanos, nos quais a média fica em torno de 20 ministérios. Para citar dois exemplos, a Alemanha tem 14 pastas, e os Estados Unidos, 15. É importante que o inchaço brasileiro esteja na pauta dos candidatos e se transforme em tema obrigatório da campanha eleitoral. O excesso de ministérios é a maior expressão da falência da estrutura política nacional, especialmente em relação à representação partidária. O excesso de ministérios reflete o excesso de partidos e suas consequências para a gestão pública e a democracia.



ELEIÇÕES E VOTO CONSCIENTE


Fila para votar


Importância das eleições, importância do voto consciente, escolhendo um bom candidato


Introdução

É muito comum ouvirmos que todos os políticos são iguais e que o voto é apenas uma obrigação. Muitas pessoas não conhecem o poder do voto e o significado que a política tem em suas vidas.

A importância do voto


Numa democracia, como ocorre no Brasil, as eleições são de fundamental importância, além de representar um ato de cidadania. Possibilitam a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Escolher um péssimo governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Sem contar que são os políticos os gerenciadores dos impostos que nós pagamos. Desta forma, precisamos dar mais valor a política e acompanharmos com atenção e critério tudo que ocorre em nossa cidade, estado e país.

O voto deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com um passado limpo e com propostas voltadas para a melhoria de vida da coletividade.

Como votar conscientemente

Em primeiro lugar temos que aceitar a ideia de que os políticos não são todos iguais. Existem políticos corruptos e incompetentes, porém muitos são dedicados e procuram fazer um bom trabalho no cargo que exercem. Mas como identificar um bom político?

É importante acompanhar os noticiários, com atenção e critério, para saber o que nosso representante anda fazendo. Pode-se ligar ou enviar e-mails perguntando ou sugerindo ideias para o seu representante. Caso verifiquemos que aquele político ou governante fez um bom trabalho e não se envolveu em coisas erradas, vale a pena repetir o voto. A cobrança também é um direito que o eleitor tem dentro de um sistema democrático.

Durante a campanha eleitoral

Nesta época é difícil tomar uma decisão, pois os programas eleitorais nas emissoras de rádio e tv parecem ser todos iguais. Procure entender os projetos e ideias do candidato que você pretende votar. Será que há recursos disponíveis para que ele execute aquele projeto, caso chegue ao poder? Nos mandatos anteriores ele cumpriu o que prometeu? O partido político que ele pertence merece seu voto? Estes questionamentos ajudam muito na hora de escolher seu candidato.

Conclusão

Como vimos, votar conscientemente dá um pouco de trabalho, porém os resultados são positivos. O voto, numa democracia, é uma conquista do povo e deve ser usado com critério e responsabilidade. Votar em qualquer um pode ter conseqüências negativas sérias no futuro, sendo que depois é tarde para o arrependimento.


http://www.suapesquisa.com/religiaosociais/eleicoes_voto.htm