VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

domingo, 23 de novembro de 2014

VOU MAL DAS PERNAS

ZERO HORA 23 de novembro de 2014 | N° 17992


ROBERTO DA MATTA

 

Aos 14 ou 15 anos, ouvi, surpreso e um tanto assustado, a frase-título sair da boca do meu avô Raul. É que ele, um desembargador aposentado pelo Amazonas, um Estado até hoje marginalizado neste nosso Brasil, que vai ficando republicano à custa de uma extraordinária ladroagem geral, universal e oficial, pouco falava e menos ainda reclamava.

Dele eu me lembro do charuto, da proverbial impaciência com crianças pequenas e da cadeira de rodas onde um derrame cerebral o condenou a ficar sentado até morrer. A frase foi um desabafo por um estado físico complicado e pouco entendido. Pois quando as pernas vão mal, o corpo – que, na verdade, corresponde ao todo físico da pessoa – também fica em péssimo estado. Afinal, esse corpo é tocado pelas pernas.

Eu imagino o sofrimento desse Raul que foi duas vezes casado e por duas vezes enviuvou; que teve a possibilidade, mas jamais usou pessoalmente a onipotência teológica-jurídica dada ao papel dos juízes e desembargadores no Brasil; que – alto, honesto e belo – detestava depender ou dar trabalho, imóvel no vime de sua cadeira movediça.

O seu “vou mal das pernas” foi dito quando não pôde levantar-se para cumprimentar a viúva do seu filho mais amado. Um médico paradoxalmente perdido aos 30 e poucos anos por uma doença autoimune então incurável. A moeda mais procurada, a ovelha mais preciosa, o amor mais idealizado, a profissão que mais traria sucesso é justamente a que sumiu, não ocorreu e, por causa disso, foi desesperadamente procurada ou ficou como uma frustração traumática, destinada a um permanente retorno.

O tempo que, mesmo quando ficamos parados, passa de qualquer modo e, modesto, existe e se faz sem ser percebido, me fez mais velho do que esse “velho Raul”, morto aos 76 anos. Esse mesmo tempo faz com que, aqui e agora, eu venha a dialogar com o rapazinho inocente que, lá e então, jamais pensou no significado de uma paralisia que produziu um desabafo tão profundo e dramático como esse “vou mal das pernas” do meu avô Raul. De fato, para o menino que, como todo menino, vive correndo e, para quem, correr é viver; era simplesmente impossível compreender as frustrações de um prisioneiro do próprio corpo. Um corpo, aliás, que surge como um extraordinário subversivo e um grande traidor em todas as nossas doenças. Um traiçoeiro amigo íntimo do qual não podemos escapar.

Tive uma experiência idêntica, mas felizmente passageira, à do meu avô quando, num tombo, rompi o músculo da coxa de minha perna direita. Enfrentei as frustrações do me movimentar com ajuda de muletas, mas – pior que isso – de depender dos outros para coisas triviais. Pois o trivial é aquilo que fazemos sem pensar e fazer sem sentir é ser dono de si mesmo – algo raro neste cada dia mais imponente vale de lágrimas, no qual estamos com corpo e alma e, mais que isso, em corpo e em espírito. Um tendo a inevitável tarefa de dialogar com o outro.

Mal das pernas, virei ranzinza, tornei-me um chato impaciente – quase viro um medalhão machadiano. Claro que aproveitei as muletas para viver o papel cheio de pequenos e detestáveis privilégios de um deficiente. Mas o básico dessa experiência foi o de ser obrigado a ficar fora do mundo. De viver olhando as pessoas subindo uma escada ou se ajoelhando sem problemas.

Eu não podia me ajoelhar, eis o fato crítico. E aqui está o centro dessa narrativa. Se a pessoa não “cai de joelhos”, não anda de joelhos e não sabe se ajoelhar, ela não se entende e não consegue ouvir e falar com o outro. E não vendo o outro, ela fica invisível, pois sem o outro nada somos e o outro mais amado e necessário é justamente o que nos faz ajoelhar. Seja para prometer ou implorar amor, seja para jurar fidelidade, seja para implorar ajuda, seja para fazer isso que o Brasil – paralisado pelos dilemas lulo-petistas – não consegue realizar faz uma década e dois anos: pedir perdão a si mesmo, antes que seja tarde demais. Não basta, como afirma um veemente ministro da Justiça, que é petista, dizer que vai apurar. É preciso que algo substitua a mendacidade. E esse algo não é o banal e sempre falado “cortar a própria carne” ou o rotineiro mentiroso “doa a quem doer”. Não! É ajoelhar para reconhecer que estamos péssimos das pernas e fazer alguma coisa para sair da cadeira de rodas. Reconhecer não é fazer ou promover o acontecimento. E para nós, brasileiros comuns, o acontecimento esperado é ficar bom das pernas que movimentam o corpo.

No caso desse inusitado e histórico roubo da Petrobras, trata-se de acabar com a mendacidade e com as mistificações; trata-se de colocar um ponto final num sistema jurídico desenhado para criar e soltar quem é nobre ou, mesmo bandido, chega no centro da nobreza.

FAXINA GERAL NA POLÍTICA BRASILEIRA



ZERO HORA 23 de novembro de 2014 | N° 17992

POR LEONARDO BARRETO


OPERAÇÃO LAVA-JATO. Por que as investigações e as prisões da Operação Lava-Jato são parte de um longo processo que está mudando o Brasil para melhor


Se você ouvisse que a Operação Lava-Jato está mostrando o quanto o Brasil mudou para melhor, você acreditaria? Pode parecer loucura ou propaganda eleitoral dizer que um escândalo que envolve dezenas de políticos, partidos, o governo federal, alguns governos estaduais, as maiores construtoras do país e a Petrobras esteja mostrando que ventos novos estão soprando por aqui, mas não é.

Sem querer parecer ingênuo (único pecado que a política não admite), o fato é que nunca houve um ambiente institucional tão hostil para suspeitos de corrupção como agora. Tudo resultado de um processo paulatino e incremental de mudanças que, sem que muita gente percebesse, fez com que a lei passasse a jogar a favor de quem vigia e investiga.

A Operação Lava-Jato dificilmente teria chegado aonde chegou sem a nova lei do crime organizado, aprovada pelo Congresso Nacional em 2013. Foi ela que potencializou o instrumento da delação premiada que serviu de catalizador das denúncias feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Os acordos de leniência previstos na lei de defesa econômica estão sendo importantes para que as empresas colaborem em troca do alívio penal, e quando a Lei Anticorrupção, aprovada também em 2013, for regulamentada, não apenas os executivos de empresas responderão criminalmente como as pessoas jurídicas que eles representam poderão sofrer consequências. A tendência é que as companhias criem regulamentações éticas mais rígidas para controlar o comportamento dos seus operadores e melhorem suas estruturas de governança.

No campo político, duas mudanças tornaram os políticos envolvidos com corrupção mais suscetíveis de punição. A primeira é a conhecidíssima ficha limpa, que retira das disputas eleitorais personagens com condenação em segunda instância. Criada em 2010, ela foi fruto de uma intensa campanha da sociedade civil que apresentou a ideia na forma de um projeto popular e pressionou o Congresso Nacional pela sua aprovação. A segunda é o fim do voto secreto em processos de cassação parlamentar, aprovado em 2013 sob o calor gerado pelas manifestações de junho. Com as pessoas vigiando o voto dos parlamentares, dificilmente algum réu com indícios de problemas sobreviverá a julgamentos de perda de mandato.

Sobre o funcionamento da Justiça, recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu mudar o seu regimento interno, transferindo o julgamento de autoridades com direito a foro privilegiado do plenário para as turmas, diminuindo o número de julgadores de onze para cinco. O objetivo é reduzir o tempo dos julgamentos pelo menos pela metade, dado que se passa a ter com a alteração menos votos para serem lidos, menos juízes para pedirem vistas ao processo, menos movimentos protelatórios, etc. Como sinal de que a medida é efetiva e torna a vida dos acusados mais difícil, o ato do Supremo despertou a reação do Congresso Nacional, que entrou com uma ação de inconstitucionalidade para reverter a medida.

Tudo isso sem falar da independência do Ministério Público, garantida pela Constituição de 1988 e pela decisão política do fortalecimento da autonomia Polícia Federal, que data de antes deste governo.

É natural que governantes queiram obter o crédito pelas mudanças institucionais relatadas. Isso sempre vai acontecer e, convenhamos, será muito bom para o país se o combate efetivo à corrupção se tornar um poderoso ativo eleitoral, pois teremos mais gente empenhada nisso. No entanto, as variáveis que melhor explicam os acertos recentes são a vigilância e a pressão da sociedade. Não é coincidência que o fim do voto secreto para cassações e as leis de combate ao crime organizado e anticorrupção tenham sido aprovadas em 2013. Mesmo reconhecendo que há mérito quando as organizações de poder são sensíveis às demandas de seus cidadãos, o verdadeiro fator de mudança é a presença das pessoas no processo político.

Há uma agenda enorme ainda por enfrentar, como a reforma do Judiciário, do processo penal, entre outros. Como trabalhos de construção institucional nunca ficam prontos, precisando sempre de aprimoramentos, o importante é saber que estamos caminhando em uma boa direção. Durante a campanha, a presidente Dilma sinalizou com cinco projetos que aumentam o cerco à corrupção e seria muito bom que ela cumprisse com sua palavra. No entanto, a esta altura, já espero que tenha ficado claro que o que faz a diferença é a eterna vigilância (e cobrança) das pessoas, como dizia Thomas Jefferson.

Sem deixar de reconhecer o mérito do juiz paranaense Sérgio Mouro, que hoje é candidato a substituir o ex-ministro Joaquim Barbosa como herói nacional, a recuperação recorde de recursos desviados, a colaboração de empresários e o receio geral que tomou conta do meio político é consequência de um aprimoramento institucional intenso e importante que vem acontecendo desde a redemocratização. Além disso, se é bom que um país tenha capacidade de produzir heróis, não é recomendável que um povo dependa deles. Um bom país se faz com a aplicação de boas regras.

POR LEONARDO BARRETO | Doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB)

A CORRUPÇÃO NO ATACADO



ZERO HORA 23 de novembro de 2014 | N° 17992


POR RENATO JANINE RIBEIRO


OPERAÇÃO LAVA-JATO

Ações da Lava-Jato atingem pela primeira vez um personagem atuante mas aparentemente invisível da sociedade brasileira: o corruptor



O Brasil está mudando. Este mês, pela primeira vez em nossa História, foram presos mais corruptores do que corruptos. Vivíamos o paradoxo do efeito sem causa, da destruição sem destruidor, do crime sem autor. Aumentou a visibilidade dos casos de corrupção, a indignação com eles – mas, tudo isso, convivendo com um absurdo: as pessoas eram corrompidas, mas por um sujeito oculto ou mesmo inexistente. Servidores públicos eram comprados para favorecer empresas privadas, mas estas não existiam. Isso agora mudou. Foi preso, sim, um dirigente da Petrobras, acusado de corrupção, mas junto com ele foram também uns 20 empresários poderosos.

Como observou o procurador-geral Rodrigo Janot, as empreiteiras diziam que funcionários da Petrobras exigiam dinheiro delas, que se justificavam alegando que, se não pagassem, morreriam à míngua. “Mas você está sendo extorquido para ganhar dinheiro? Para ter que botar US$ 100 milhões no bolso?”

Uma lei recente prevê a punição de corruptores – e de empresas em cujo nome se pratique a corrupção. Várias delas reforçaram seus sistemas de controle interno, sabendo que agora correm riscos se um seu representante agir de forma antirrepublicana. Explico: “república” quer dizer coisa pública ou, simplesmente, o bem comum. Se você desvia o bem comum para o privado, ataca o cerne da vida em comum. Por isso mesmo, fique claro: o contrário de república não é monarquia. O contrário da república é a corrupção.

Na América Latina, a corrupção tem um irmãozinho, o patrimonialismo. Ele existe quando um servidor público, eleito ou nomeado, incorpora o bem público a seu patrimônio privado. Durante muito tempo isto foi normal. Hoje, é intolerável. Nossos padrões éticos são mais elevados que os do passado. Nossos avós se indignavam com a mulher que desse o corpo a quem quisesse, mas toleravam que um “coronel” usasse o poder como se fosse bem seu. Que os gaúchos se refiram com carinho a uma avenida que chamam de “a Borges” não deve fazer-nos esquecer que “o Borges”, o da história e não a da geografia, tratou o Rio Grande, durante décadas, como se fosse ele o dono do Sul. O patrimonialismo é tenaz, resiste a sucessivas leis contra o nepotismo, mas a corrupção é mais ampla que ele.

No patrimonialismo, o “dono do poder” político dá as cartas. Na corrupção, o poder econômico invade o político. Alguns empresários mandam no Estado. Mas hoje o momento é propício para a necessária limpeza. Depois que foram presos dois ex-presidentes do partido governista no caso do mensalão, como justificar que criminosos da elite de dinheiro escapem à cadeia?

Várias campanhas nos têm dito: não corrompa. Não suborne policiais, não povoe o cotidiano com infrações. Das pequenas corrupções nascem as grandes – dizem. Mas a propina a um guarda rodoviário é da mesma natureza que um empreiteiro dar fortunas a diretores da Petrobras?

O princípio pode ser parecido. Mas não concordo que pequenos delitos tenham a mesma natureza de crimes devastadores. Não posso comparar a corrupção no varejo à formação de “clubes” que manipulam licitações. Não posso culpar uma vaga “cultura brasileira”, leniente com a corrupção, pelos desvios de dinheiro público que deixa de servir a construir escolas e hospitais. Desvios de grande porte, que matam ou mutilam seres humanos. Todas as condutas antirrepublicanas devem ser punidas, mas sobretudo esses casos, que prejudicam muito mais do que os outros. Faz tempo que me pergunto se o grande corrupto não deveria ser condenado também pelas mortes que causou, pelas vidas que floresceriam se tantas pessoas tivessem as oportunidades que megacriminosos lhes tiraram. São apenas ladrões? ou assassinos?

Quando um potentado sequestra a coisa pública, ele fere o coração de nosso viver em comum. Para a corrupção do policial abalar a vida social, precisa haver milhares de pequenos atos de corrupção (e infelizmente há). Mas o grande corruptor faz, sozinho, o trabalho ruim de milhares.

Esta nova percepção é importante. Até há poucos meses, quando muito se punia o corrompido, não o corruptor. Ora, é este quem mais lucra com o malfeito. Na verdade, a corrupção era considerada mais como um crime do gestor ou funcionário, do que como uma agressão do indivíduo privado ao bem público. É como se fosse uma falha administrativa, não um crime contra a essência mesma da sociedade. Em que pese minha decidida oposição à pena de morte, e minha descrença na honestidade do sistema político e econômico da China, entendo que punir a corrupção com a pena máxima (como se faz por lá) traduz a ideia de que o maior mal que se pode fazer à sociedade é, depois da traição à pátria, a destruição da coisa pública.

A grande mudança é esta. De agora em diante, as empresas desonestas estão em risco. Podem ser punidas. O delito deixou de ser atribuído apenas ao elo mais fraco. É um possível passo para que o crime compense cada vez menos. Não basta passivamente esperar para que assim seja. Devemos apoiar esta mudança.


POR RENATO JANINE RIBEIRO | Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP)

GOVERNO RESPONDE ACUSAÇÃO DE QUE DILMA SABIA DOS DESVIOS DA PETROBRAS

ZERO HORA 22/11/2014 | 14h22

Em nota, governo responde a acusação de que Dilma sabia dos desvios da Petrobras. Reportagem da revista Veja divulgou e-mail de Paulo Roberto Costa o Planalto




Foto: Altus / Divulgação

O governo federal divulgou uma nota na tarde deste sábado na qual afirma que a matéria da revista Veja que afirma que Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, em 2009 alertou o Planalto de que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigava irregularidades, é "um episódio de manipulação jornalística". A reportagem tem como base um documento apreendido pela Polícia Federal na sede Petrobras.

O Planalto afirma que "as práticas ilegais o senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014".


Leia abaixo a íntegra na nota do governo:


A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Aos fatos: Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.

No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:

“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.

Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:

a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;

b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;

c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.

Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.

A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:

1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;

2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e

3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.

A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.

E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.

A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão competente, a CGU.

Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.

Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar.

UM MILHÃO PARA LIDER DO PT NO SENADO

ZERO HORA 22/11/2014 | 23h58

Ex-diretor da Petrobras acusa líder do PT no Senado de ter recebido R$ 1 milhão, diz jornal. Gleisi Hoffman, Eduardo Campos e Sérgio Guerra também foram citados pelo delator


Humberto Costa (PT-PE) foi citado por Paulo Roberto Costa como um dos beneficiados pelo esquema da Petrobras Foto: Wilson Dias / ABR


O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), teria recebido R$ 1 milhão para sua campanha em 2010 vindos dos esquemas de corrupção e propina na Petrobras. Quem afirmou foi o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, em um de seus depoimentos de delação premiada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o jornal, o petista é um dos muitos políticos citados por Paulo Roberto Costa em seus depoimentos sigilosos. Outros nomes lembrados pelo ex-diretor da Petrobras seriam o da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffman (PT), do ex-senador Sérgio Guerra (PSDB), já morto, e do ex-governador de Pernambuco e candidato a Presidente Eduardo Campos (PSB), também já morto.


Em um de seus depoimentos, Paulo Roberto teria informado que o dinheiro foi solicitado por Mário Barbosa Beltrão, empresário, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra) e amigo de infância do petista. O dinheiro teria saído da cota de 1% do PP, que controlava politicamente a diretoria de abastecimento da Petrobras – que era dirigida por Paulo Roberto. Além do PP, PT e PMDB tomavam conta de unidades da estatal – cada diretoria arrecadava 1% de cada grande contrato assinado.

Ainda segundo o Estadão, a lista de parlamentares beneficiados com o esquema da Petrobras teria 32 nomes, entre deputados e senadores.

sábado, 22 de novembro de 2014

LULA E DILMA PODERIAM TER INTERROMPIDO O PROPINODUTO

REVISTA VEJA 22/11/2014 - 01:00

Em VEJA desta semana

E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto. O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, mensagens encontradas pela PF em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, impediram a investigação sobre os desvios

Robson Bonin e Hugo Marques





(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo e Cristiano Mariz/VEJA)

Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato. Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:

“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.

O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso. Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo­cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de um corrupto em um homem honesto da noite para o dia.

O TESOUREIRO, A CHAVE NA INVESTIGAÇÃO DO PETROLÃO


REVISTA ÉPOCA 21/11/2014 22h00


Como João Vaccari Neto se tornou peça-chave na investigação do petrolão. O tesoureiro do PT, João Vaccari, está na mira da Operação Lava Jato. Seu envolvimento no petrolão assusta o PT e o governo

ALBERTO BOMBIG E PEDRO MARCONDES DE MOURA COM LEANDRO LOYOLA



Capa escolhida - edição 860 (Foto: reprodução)

>> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana:

Desde 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão, uma palavra é capaz de tirar o sono dos militantes do PT: tesoureiro. Foi a ligação entre o responsável pelas finanças do partido, Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério que levou à ruína de líderes históricos do PT, como José Dirceu e José Genoino. “Presidente, o Delúbio vai botar uma dinamite na sua cadeira”, afirmou o ex-deputado federal Roberto Jefferson, em junho de 2005, ao relatar uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva meses antes. O desfecho do mensalão é conhecido. Dirceu, Genoino, João Paulo Cunha e o próprio Delúbio acabaram condenados e presos. Lula enfrentou sua maior crise política, e seu mandato ficou sob risco. Transcorridos nove anos, o rastilho de pólvora do petrolão, o escândalo de corrupção na Petrobras, ameaça chegar até o Palácio do Planalto. A dinamite agora atende pelo nome de João Vaccari Neto, sucessor de Delúbio na Tesouraria do PT.

Nos últimos dias, o nome de Vaccari ressurgiu com força nas investigações sobre o petrolão. Mesmo diante da cautela com que o juiz federal Sergio Moro vem conduzindo as apurações da Operação Lava Jato, a quantidade de citações a Vaccari e as evidências que o ligam ao esquema sugerem que ele, mesmo sem ter sido indiciado pela Polícia Federal, será um dos próximos alvos da operação.



Sem compromisso com a cautela que rege o bom processo judicial, a CPI mista da Petrobras, no Congresso Nacional, quebrou os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Vaccari, numa vitória da oposição. “Como o tempo da Justiça é outro, a CPI tem a função de investigá-lo, porque Vaccari é o elo direto do esquema com o PT”, afirma o senador José Agripino (DEM-RN), um dos líderes da oposição no Congresso. Assim como Delúbio cuidou das contas da campanha de Lula em 2002, Vaccari atuou nas finanças das campanhas de Dilma, em 2010 e neste ano. A quebra de seu sigilo preocupou o Palácio do Planalto.



Um advogado que atua na defesa dos presos na Lava Jato e é ligado ao PT disse a ÉPOCA que o futuro de Vaccari está atrelado aos depoimentos de Renato Duque, o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras, cuja prisão preventiva foi decretada na semana passada pelo juiz Sergio Moro. Em seu despacho, Moro disse que ele tem uma “fortuna” em contas secretas no exterior. Com base na delação premiada do executivo Julio Camargo, da empresa Toyo Setal, os investigadores identificaram uma empresa offshore, a Drenos, controlada por Duque e com contas na Suíça. Camargo afirmou ter pagado propina a Duque. Em seu depoimento, Duque negou.“Se Duque contar tudo o que sabe, não há como Vaccari resistir”, diz o advogado.