VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

QUEM ESTÁ COM A RAZÃO: LULA OU OLÍVIO?



ZERO HORA 13 de fevereiro de 2015 | N° 18072



SERGIO ARAUJO*




A coincidência cronológica entre o depoimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, à Polícia Federal e a comemoração dos 35 anos da criação do Partido dos Trabalhadores intensificou uma discussão interna entre as lideranças petistas. Afinal, quem mudou? Foi a oposição ao PT que se tornou mais eficaz ou foi o próprio partido que se fragilizou?

Se o responsável pelo envolvimento do PT nos escândalos do mensalão e do petrolão é a oposição, como explicar a parceria identificada nos dois episódios? Observem como isso se torna de difícil compreensão para a opinião pública. O antigo algoz implacável dos partidos por ele classificados como defensores do neoliberalismo e de atitudes lesa-pátria agora se vê envolvido em acontecimentos de gravidade similar.

E aqui parece estar o grande equívoco do PT. A negação precipitada dos fatos. Nunca houve mensalão, disseram as suas principais lideranças. E o que o Brasil observou? A condenação à prisão de boa parte dessas lideranças. Aí veio o episódio da Operação Lava-Jato e a negaça se repetiu. E mais uma vez apareceu o envolvimento de lideranças do PT.

Agora tentem imaginar o impacto disso na cabeça do cidadão. O partido que pregava o combate à corrupção hoje está na posição de réu. A sigla que mais defendia a abertura de CPIs hoje é contra elas. E não foram poucos os alertas de descontentamento. Entre os mais recentes, os protestos de junho de 2013 e a reeleição apertada de Dilma.

Diante desse quadro, o pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva em Belo Horizonte indica que a bússola política do PT ainda rodopia sem rumo definido. Para o ex-presidente, a culpa pelo envolvimento do PT nas denúncias de corrupção, classificada por ele como briga política, está na forma equivocada da atuação da Polícia Federal e da imprensa e na tentativa golpista da oposição. “Se ficarmos quietos, a sentença já está dada. O PT vai ter que voltar à luta. Não podemos permitir que quem não tem moral venha dar moral na gente.”

Na contramão do discurso de Lula, outro ícone histórico do PT, Olívio Dutra, defende a imediata expulsão dos petistas envolvidos nas suspeitas de malversação do dinheiro público. “Tem uma ferrugem contaminando as engrenagens do partido. Medidas têm que ser tomadas e já vêm tarde. É evidente que o PT, primeiro, tem que reconhecer que houve figuras importantes do partido e do governo que cometeram atos totalmente contrários aos princípios que fundamentaram a criação do PT e a sua existência.”

E agora? Quem tem razão? Lula ou Olívio?



*JORNALISTA E PUBLICITÁRIO

O PT ESTÁ VIVO



ZERO HORA 13 de fevereiro de 2015 | N° 18072

MIRIAM MARRONI*



O ano era 2001, não faz tanto tempo. O Brasil herdeiro do colonialismo português e das oligarquias, subordinado ao sistema financeiro internacional, matava 280 crianças, vítimas diárias da fome. Eram parte dos 36 milhões de brasileiros condenados à miséria e que não tinham direito a alimentar- se dignamente. A fome, essa chaga brutal em uma sociedade, ceifava vidas que recém se iniciavam.

Voltemos a 1980. No seio de uma sociedade desigual, sob ditadura, milhares de sindicalistas, estudantes, católicos das Comunidades Eclesiais de Base, ex-guerrilheiros, donas de casa, feministas, pobres, fundam um partido pouco provável. Inviável, profano, destinado a representar uma vanguarda até então em segundo plano.

Contra todas as previsões de “analistas”, esse partido chega em 2015 a 35 anos de fundação mais vivo do que nunca. E por conta desse idealismo que uniu milhões, o Brasil celebra sua maior conquista: a saída do mapa da fome. A partir da eleição do PT ao governo federal, mães não enterram mais seus filhos vítimas de desnutrição.

Em 35 anos de construção política, levamos um metalúrgico à Presidência da República. Um legítimo representante dos trabalhadores. Mesmo contra as apostas promovidas pelas elites, Lula foi eleito e, em todas as pesquisas realizadas desde então, o legado do PT é reconhecido, tendo o melhor presidente da história do Brasil.

Fomos além: elegemos a primeira presidenta. Os brasileiros escolheram livremente por quatro vezes ter um governo que extirpasse a fome, levasse milhões às universidades e fizesse da Petrobras a maior produtora de petróleo do mundo.

A direita neoliberal – que não pode revelar seu projeto ao país – busca através de seus porta- vozes na mídia encobrir a revolução social brasileira. Transformam casos de corrupção, nunca antes tão combatidos, no centro das preocupações nacionais.

Capaz de construir o mais importante partido de esquerda democrático do mundo e de superar em apenas 12 anos o maior crime de nossa história – a fome –, o povo não cairá em armadilhas. O Partido dos Trabalhadores está vivo.

*DEPUTADA ESTADUAL, LÍDER DO PT NA ASSEMBLEIA

CRIADA SECRETARIA PARA PRIMEIRA DAMA DO RS

ZERO HORA 13 de fevereiro de 2015 | N° 18072


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira



STATUS DE SECRETÁRIA



Um mês e meio depois da posse, o governo de José Ivo Sartori criou a 20ª secretaria para permitir que a primeira-dama, Maria Helena Sartori, se licenciasse da Assembleia sem precisar renunciar ao mandato.

O Gabinete de Políticas Sociais ganhou status de secretaria, vinculado ao Gabinete do Governador, porque Maria Helena é a segunda suplente da bancada do PMDB e assumiria na Assembleia com a ida de Fábio Branco e de Juvir Costella para o secretariado. Em outubro, ela fez 31.234 votos.

O governo Sartori tem agora 20 secretarias e 21 secretários. O coordenador de Comunicação, Cleber Benvegnu, tem status de secretário.

Antes da posse, Sartori anunciou que o papel de Maria Helena no governo seria “apenas de primeira-dama”, sem remuneração. Como a lei prevê que um deputado só pode se licenciar do cargo para ser secretário de Estado, a solução jurídica encontrada foi acomodá-la numa secretaria extraordinária.

A cadeira na Assembleia será ocupada por Ibsen Pinheiro, que ficou na terceira suplência.



TESOURA AFIADA ANTES DO DECRETO


Estava tudo preparado para a divulgação do decreto que revisa o orçamento de 2015 para torná-lo mais adequado à realidade financeira do Estado, mas o governador José Ivo Sartori pediu tempo para analisar os cortes durante o feriadão. Na prática, a chamada reprogramação orçamentária, feita normalmente no primeiro trimestre de cada ano, já começou.

A Fazenda definiu cotas para cada secretaria, com cortes que variam de 25% a 40% nas despesas de custeio. Os chefes das pastas tiveram de informar como reduzirão os gastos para atingir a meta. O receituário varia de secretário para secretário.

Na Educação, Vieira da Cunha decidiu não cortar nenhum programa, mas reduzir os recursos destinados a parte deles. Na Cultura, Victor Hugo optou por eliminar cargos de confiança, designando diretores que responderão por mais de uma instituição.

Até agora, o corte de maior impacto é o do repasse para santas casas e hospitais filantrópicos. Desde que o secretário João Gabbardo comunicou a redução do repasse de R$ 103 milhões mensais para R$ 70 milhões, o setor está em pé de guerra. No próximo dia 27, haverá assembleia para debater a suspensão dos atendimentos pelo SUS. A Federação das Santas Casas cobra também o pagamento de uma dívida de R$ 255 milhões.

O governo concluiu que só na Saúde as contas deixadas pela gestão anterior passam de R$ 700 milhões. No total, os restos a pagar chegam a R$ 1 bilhão.

A radiografia da situação das finanças, já com os números de janeiro e da primeira quinzena de fevereiro, serão apresentados publicamente depois do Carnaval, com os cortes previstos no decreto.

O governo optou por não divulgar agora as medidas mais duras que pretendia anunciar com a radiografia das finanças. A avaliação é de que, antes, é preciso convencer a população e os aliados de que a situação do Estado é mesmo crítica. A crise deve se agravar a partir de março.


RELAÇÃO ESTREMECIDA

Insatisfeitos com a falta de protagonismo no governo Sartori e com a relutância do governador em nomear indicados pela sigla, líderes do PDT vão se reunir com o peemedebista na Quarta-feira de Cinzas para discutir a relação.

– Existe um ambiente de preocupação com a inserção do partido no núcleo duro de governo – explica o presidente estadual Pompeo de Mattos.

O PDT ainda não desistiu de emplacar os ex-deputados Kalil Sehbe e Vinicius Ribeiro, além de Flávio Lammel, no segundo escalão.

NA SEMANA PASSADA, O PDT AMEAÇOU BOICOTAR UM JANTAR OFERECIDO POR SARTORI, EM REPRESÁLIA À SUPOSTA FALTA DE ATENÇÃO COM O PARTIDO. NA ÚLTIMA HORA, INTEGRANTES DA SIGLA FORAM AO ENCONTRO.



VOZ DE INDIGNAÇÃO


Desde o início do ano legislativo, nem os deputados da oposição bateram tanto no governo Sartori quanto o pedetista Enio Bacci. Secretário da Segurança no governo Yeda Crusius e nome descartado pelo governador para chefiar a pasta, Bacci voltou a criticar, ontem, a política de segurança do Estado:

– Falta o governo definir prioridades para enfrentar a crime.

Bacci reclama da inércia do governo para lidar com homicídios, tráfico de drogas e o caos prisional.



ALIÁS

Com a montagem do secretariado, a Assembleia terá de pagar os subsídios de 62 parlamentares. Os deputados que assumem cargos no Executivo podem optar por levar o salário (pago pelo órgão de origem, no caso, o Legislativo).



PROMESSA CUMPRIDA

O deputado Pedro Ruas (PSOL) começou a cumprir ontem a promessa feita quando da aprovação do aumento do subsídio dos parlamentares. Ruas doou a diferença a que teria direito a duas entidades de assistência social: o Instituto de Amparo ao Excepcional (Inamex) e o Instituto do Câncer Infantil.

Após os descontos legais da quantia de R$ 5,2 mil, cada instituto ficou com R$ 1,8 mil. O deputado diz que fará doações a diferentes entidades durante todo o mandato, mesmo que um suplente assuma, já que a decisão é do PSOL.



EM CAUSA PRÓPRIA

Impedidos de assumir cargos no segundo escalão dos governos estadual e federal sem correr risco de perder o mandato, os vereadores de Porto Alegre podem mudar a Lei Orgânica do município.

A iniciativa partiu do vereador Márcio Bins Ely (PDT), que diz ter sido convidado pelo governador José Ivo Sartori para assumir como adjunto da Secretaria da Educação.

– A mudança da lei seria uma forma de os vereadores poderem contribuir em outras esferas – justifica o trabalhista.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

UM ESTADO EM EBULIÇÃO

ZERO HORA 12 de fevereiro de 2015 | N° 18071


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira





A reação dos servidores públicos e da oposição ao pacote do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), dá uma ideia do que José Ivo Sartori enfrentará se seguir pelo mesmo caminho no Rio Grande do Sul.

O receituário de Richa para ajustar as finanças do seu Estado inclui aumento de impostos (IPVA e ICMS), redução de benefícios a servidores públicos e pagamentos de RPVs, além de uma medida extrema: o saque de R$ 8 bilhões do fundo de previdência do Paraná.

A votação depende da desocupação da Assembleia pelos servidores que estão no local desde terça-feira para obstruir o trabalho do Legislativo.

Entidades de servidores públicos e ex-dirigentes da Paranaprevidência garantem que o saque do montante, que seria utilizado para pagamento de contas da administração, pode deixar os servidores ao relento quando chegar a hora da aposentadoria.

O pacote despertou críticas de magistrados e advogados. A OAB-PR afirmou, em nota, que a crise “não pode ser equacionada com a oneração excessiva à população e aos funcionários públicos”.

Se comparado ao RS, o quadro das finanças do Paraná é menos preocupante. A dívida consolidada dos paranaenses é de R$ 20 bilhões, enquanto a do Rio Grande do Sul é de quase R$ 60 bilhões.

TRANSPARÊNCIA OBRIGATÓRIA



ZERO HORA 12 de fevereiro de 2015 | N° 18071


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira


Até aqui, o governo está perdendo a batalha da comunicação no tema do transporte aeromédico. Para uma população comovida com a tragédia do menino argentino que caiu da sacada do hotel em Capão da Canoa, a mocinha da história é a médica Rossana de Carli, que requisitou o helicóptero. No papel de vilão, está o secretário João Gabbardo, por dizer que a criança poderia ter sido trazida para Porto Alegre em uma UTI móvel e que a médica tentou de todas as maneiras criar uma situação de exigência do helicóptero.

Só a transparência total sobre o processo mostrará quem tem razão. No programa Gaúcha Atualidade, Gabbardo insinuou que a equipe responsável pelo Samu aeromédico usou o caso do menino argentino para tentar reverter a decisão do governo de substituir os profissionais contratados pela Futura, uma organização social sem fins lucrativos, por médicos e enfermeiros do quadro do Estado.

O secretário colocou sob suspeita a forma pela qual o serviço é operado. O Estado repassa dinheiro para a prefeitura de Imbé, que faz convênio com a Associação dos Municípios do Litoral Norte e esta firma uma parceria com a Futura, que contrata os médicos e enfermeiros.

A Secretaria da Saúde pediu ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público Estadual que investiguem a legalidade do convênio. O deputado e ex-secretário Osmar Terra questiona a falta de transparência e o fato de o médico Maicon Vargas ter sido, ao mesmo tempo, coordenador do Samu. como servidor público, e responsável técnico pelo serviço aeromédico, contratado pela Futura.

Uma planilha com timbre da Futura mostra que em outubro Maicon recebeu R$ 9,1 mil como coordenador técnico do Samu Aeromédico, mais R$ 5,2 mil como médico. Sua mulher, a enfermeira Camila Cardoso Selau, aparece na lista da Futura com remuneração de R$ 8,2 mil.

Maicon Vargas garante que não há irregularidade no convênio.



VERSÕES DISTINTAS


A oposição na Assembleia aproveitou o cancelamento de um Grande Expediente que seria comandado ontem por Alexandre Postal (PMDB) para atacar o governo Sartori. Segundo a agenda oficial da Casa, Postal havia solicitado o espaço para fazer um balanço dos 40 primeiros dias da nova gestão. No entanto, o peemedebista cancelou o ato. Oposicionistas disseram que o motivo é a “falta de ações do governo” e se revezaram na tribuna para criticar a situação.



INTERROGAÇÕES SOBRE O METRÔ


A prefeitura de Porto Alegre deve finalizar o modelo de construção do metrô em março, quando terminará a análise das propostas de manifestação de interesse pela obra.

O secretário de Gestão, Urbano Schmitt, afirma que os recursos para o metrô estão garantidos pela União, mesmo com a crise.

Ele afirma que as fatias do município e do Estado na composição também estão asseguradas. Em Brasília, porém, há incertezas sobre a liberação de recursos em um ano de ajustes.



UM ESTADO EM EBULIÇÃO




A reação dos servidores públicos e da oposição ao pacote do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), dá uma ideia do que José Ivo Sartori enfrentará se seguir pelo mesmo caminho no Rio Grande do Sul.

O receituário de Richa para ajustar as finanças do seu Estado inclui aumento de impostos (IPVA e ICMS), redução de benefícios a servidores públicos e pagamentos de RPVs, além de uma medida extrema: o saque de R$ 8 bilhões do fundo de previdência do Paraná.

A votação depende da desocupação da Assembleia pelos servidores que estão no local desde terça-feira para obstruir o trabalho do Legislativo.

Entidades de servidores públicos e ex-dirigentes da Paranaprevidência garantem que o saque do montante, que seria utilizado para pagamento de contas da administração, pode deixar os servidores ao relento quando chegar a hora da aposentadoria.

O pacote despertou críticas de magistrados e advogados. A OAB-PR afirmou, em nota, que a crise “não pode ser equacionada com a oneração excessiva à população e aos funcionários públicos”.

Se comparado ao RS, o quadro das finanças do Paraná é menos preocupante. A dívida consolidada dos paranaenses é de R$ 20 bilhões, enquanto a do Rio Grande do Sul é de quase R$ 60 bilhões.



TRANSFERÊNCIA DE CCs

Por avaliar que havia excesso de cargos em comissão lotados na Casa Civil no governo Tarso Genro, o Piratini está transferindo CCs da pasta para outras secretarias.

Ontem, o Diário Oficial do Estado comunicou a realocação de 17 funcionários da Casa Civil para a Secretaria de Minas e Energia, e de outros sete para a pasta de Justiça e Direitos Humanos. O chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, pretende trabalhar com uma equipe mais enxuta.



OITENTA POR OITO

Aos poucos, tornam-se mais visíveis os cortes de cargos em comissão promovidos pelo governador José Ivo Sartori. Na Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (um dos órgãos que pode ser extinto pelo governo), 58 detentores de cargos em comissão foram exonerados e outros 22 servidores de carreira transferidos do setor.

No lugar desses 80 empregados que estavam na Fepps desde o governo Tarso Genro, Sartori nomeou oito pessoas.



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PETROBRAS, EXPLOSÃO E MORTES EM ALTO-MAR






ZERO HORA 12 de fevereiro de 2015 | N° 18071


DRAMA NO ESPÍRITO SANTO

PELO MENOS TRÊS PESSOAS morreram, seis estão desaparecidas e 10 ficaram feridas em acidente em navio-plataforma usado pela Petrobras para a extração de gás e óleo em campo de pós-sal


Uma explosão em um navio-plataforma alugado pela Petrobras e que operava no litoral de Aracruz, no Espírito Santo, deixou pelo menos três trabalhadores mortos, seis desaparecidos e 10 feridos.

O acidente é um novo golpe para a estatal, mergulhada em um escândalo de corrupção que revelou o pagamento de propinas milionárias a altos funcionários da petroleira e políticos e servidores públicos, em troca de contratos com empreiteiras.

A explosão aconteceu às 12h50min, a bordo do navio-plataforma Cidade de São Mateus, contratado pela Petrobras da empresa norueguesa BW Offshore. Havia 74 pessoas a bordo.

Segundo a Petrobras, o navio-plataforma, que produzia gás natural e petróleo, operava desde 2009 em jazidas de pós-sal nos campos de Camarupim e Camarupim Norte, distante cerca de 120 quilômetros da costa.

Dos 10 feridos, entre eles um trabalhador filipino, quatro apresentaram queimaduras graves e oito sofreram traumas. As vítimas foram levadas de helicóptero e conduzidas a hospitais de Vitória em ambulâncias.

A estatal informou que, com a BW, está “prestando toda a assistência aos seus funcionários e familiares” afetados pelo acidente. Mas não foi confirmado se algum empregado da empresa brasileira estava na embarcação – as informações eram de que todos seriam funcionários terceirizados.

Em nota, a companhia norueguesa informou que, depois do acidente de ontem, a produção na plataforma foi interrompida e a unidade, fechada. Além disso, garantiu que a BW está dando suporte às autoridades nas buscas aos desaparecidos.

O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo informou que a explosão ocorreu devido a um vazamento de gás. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), reguladora do setor, informou que não houve vazamento de petróleo no mar e que a plataforma está estabilizada. Duas equipes da ANP vão investigar o acidente. A Capitania dos Portos vai abrir um inquérito administrativo para apurar causas e responsabilidades.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante dos trabalhadores da Petrobras, criticou o tratamento dado por órgãos fiscalizadores do governo e pela estatal à segurança nas plataformas produtoras de petróleo.

MARINHA DETECTOU FALHAS EM INSPEÇÃO

A Petrobras “investe em segurança, porém mal”, afirmou o diretor da federação, José Maria Rangel. Além disso, alertou que falta fiscalização por parte da ANP e do Ministério do Trabalho para verificar se as melhores práticas de prevenção a acidentes são cumpridas:

– A atividade de exploração de petróleo cresceu de forma rápida no país, e esses órgãos não se prepararam para isso. Não há auditores suficientes para acompanhar essas plataformas – disse Rangel.

Conforme o dirigente, em abril do ano passado, na última visita feita à plataforma, a Marinha detectou que o sistema de alarme não funcionava e que as mangueiras utilizadas para apagar o fogo estavam enferrujadas. Ele não soube dizer se o problema foi resolvido. A federação estima que o ideal seria que as autoridades fiscalizassem as plataformas a cada seis meses.

No caso de uma plataforma operada por um terceiro, nesse caso a empresa BW Offshore, a Petrobras tem a obrigação de manter um fiscal da área de saúde e segurança no local, mas em geral a tripulação costuma ser em sua maior parte terceirizada, explica Rangel.

O sindicato de petroleiros condena essa prática, por considerar que torna o trabalho precário e aumenta os riscos de acidentes.


Um hotel no meio de dutos


MARTA SFREDO

A experiência de passar algumas horas circulando em uma plataforma de petróleo dá uma vaga ideia do potencial destrutivo de uma explosão a bordo. Em outubro de 2009, uma equipe de ZH esteve na P-53 – uma FPSO como a Cidade de São Mateus –, ancorada no campo Marlim Leste, Bacia de Campos. Com mar calmo, dá para esquecer que se está a 50 ou cem quilômetros de terra firme.

Numa área que fica na popa – parte de trás da embarcação – existe o chamado “módulo de hospedagem”. São salas de controle, escritórios, refeitórios, banheiros e quartos, quase como um hotel, só que tudo em escala reduzida. Esse extremo da estrutura corresponde a uma décima parte da área total, ocupada por canos e tubos por onde circulam petróleo, gás e água em processamento.

Os corredores são estreitos, as portas têm pouca largura. São características que não ajudam em situações de acidente. A explosão na casa de bombas, também na popa, poderia ter sido mais trágica. O acidente ocorreu na hora do almoço, quando se concentra movimento no módulo de hospedagem. A vida a bordo costuma ser regrada para permitir mais controle e simular uma rotina tranquilizadora para quem enfrenta situação tão fora do comum. Trabalhar em plataforma exige ficar 14 dias “embarcado” – sem sair, sem ver família e amigos. Algumas têm salas de ginástica, de jogos e até piscina. Mas a correria para desembarcar antes que a chuva e o vento impedissem a retirada por helicóptero deu a noção exata de quanto a atividade é arriscada.

Cada acidente – os casos de Enchova, em 1984, e da P-36, em 2001 –, suscita embate político. Saber que o naufrágio da P-36 matou mais do que a explosão de ontem não dá conforto à atual gestão da Petrobras, que enfrenta desafios tão gigantescos quanto a empresa. Todos os equívocos recentes devem ser julgados. Mas a vida dos embarcados não pode ser objeto de disputa.




OUTRAS TRAGÉDIAS NO BRASIL
AGOSTO DE 1984 - Mais grave acidente do setor no Brasil, a explosão da plataforma de Enchova, da Petrobras, na Bacia de Campos (RJ), deixou 37 mortos e 23 feridos. A perfuração de um poço provocou a explosão, seguida de incêndio. Quando um dos cabos de aço da baleeira na qual alguns trabalhadores tentavam escapar ficou preso, o outro se rompeu e a embarcação despencou de 30 metros de altura. MARÇO DE 2001 Então considerada a maior plataforma do mundo, a P-36, na Bacia de Campos, naufragou em 2001, após três explosões, causando a morte de 11 trabalhadores. Eram todos integrantes da equipe de emergência. O acidente foi consequência de erros de projetos, manutenção e operação. Em 2007, a P-36 foi substituída pela P-52.
NOVEMBRO DE 2011 - Um acidente em poço da americana Chevron na Bacia de Campos resultou no vazamento de petróleo. O incidente poderia ter sido evitado se a empresa tivesse conduzido suas operações conforme regulamentação da ANP e seu próprio manual de procedimentos.
JANEIRO DE 2014 - Fogo na plataforma P-62, na Bacia de Campos, deixou apenas danos materiais. Na época, a Petrobras explicou que o incidente havia sido provocado durante o deslocamento da plataforma para o campo, quando ocorreu um incêndio de “pequenas proporções” em um gerador temporário a bordo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O PT ACABOU



ZERO HORA 11 de fevereiro de 2015 | N° 18070


DAVID COIMBRA



A estratégia do PT para se defender das denúncias de corrupção que apodreceram o partido pode criar precedente jurídico. Os petistas não negam que tenha havido roubo nos governos Dilma e Lula. Não. Eles se contentam em provar que houve roubo também no governo Fernando Henrique. Já estou vendo os advogados do país se valendo da jurisprudência:

– É verdade, meritíssimo, o meu cliente é traficante de drogas. Mas o Elias Maluco também é!

– Sim, senhores do júri, o meu cliente matou, mas 92% dos assassinatos no Brasil não são resolvidos. Por que querem resolver justamente este? A quem interessa condenar o meu cliente?

Compreensível o esforço dos petistas. O PT surgiu como uma bela ideia de que seria possível fazer política ética. Lembro de uma entrevista do Cazuza para o Jô Soares no final dos anos 80, em que ele falava com simpatia da “pureza” dos petistas, que não aceitavam negociatas. Tal era o espírito do PT, ao ser fundado num fevereiro como este, 35 anos atrás. Era essa pureza.

O PT ganhou o poder e perdeu a pureza. “De que adianta ganhar o mundo inteiro, se você perder a própria alma?”, escreveu Marcos, citando Jesus. O PT perdeu a própria alma. Seria melhor não ter conquistado a Presidência, melhor não ganhar o mundo inteiro. Ainda teríamos a ilusão da ideia fundadora do PT: de que fazer política decente é possível.

Quando o PT se apresenta como um novo Adhemar de Barros, um rouba mas faz do século 21, quando o PT se apresenta como um Robin Hood caboclo, que tira dos ricos para dar aos pobres, quando o PT se justifica argumentando que rouba porque todos roubam, só torna tudo mais triste e sombrio. Porque parece não ser possível.

Antes os petistas dignos reconhecessem que as coisas deram errado, que não saíram como eles queriam, e tentassem de novo, de outra forma, não mais pelo PT. Porque o PT acabou. O PT tomou o rumo de outras legendas históricas do Brasil. O velho PCB de Prestes se liquefez com as contradições da União Soviética, o PTB de Brizola hoje é um balcão de fisiologismos, o MDB de Simon virou uma geleia disforme, o PDS se orgulhava de ser “o maior partido do Ocidente”, mas era sucedâneo da Arena e hoje não existe mais nem como sigla, o PSDB surgiu como um seguidor da moderna social-democracia europeia e se mostrou um servidor da plutocracia paulista, e o PFL... Bem, o PFL sempre foi o PFL.

Hoje, o Brasil não precisa da ladainha supostamente ideológica dos defensores do governo. Ninguém mais acredita nessa conversa de que há uma luta entre os representantes das elites versus os representantes dos pobres. Todos sabemos que só há uma luta, no Brasil: a luta pelo poder.

Hoje, o Brasil não precisa de um bom governo, não precisa nem de um governo competente. Só precisa de um governo honesto. Porque o brasileiro não é um povo de corruptos, como querem fazer crer os interessados na relativização da roubalheira. Corrupto é o governo do PT. Corruptos foram governos passados. Porém, há petistas honestos. Há muita gente dos outros governos que é honesta. A maioria das pessoas que conheço é honesta. O povo brasileiro é tão honesto quanto qualquer povo do mundo.

O PT errou. Muitos outros erraram. Mas a indignação do brasileiro com esses erros já basta para mostrar que isso se tornou intolerável. Que nós iremos em frente. Que é possível. Sim, é possível.