VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

domingo, 29 de março de 2015

DILMA REFÉM DE TODOS

REVISTA ISTO É N° Edição: 2365, 27.Mar.15 - 20:00




Carlos José Marques, diretor editorial

Dilma está refém de Cunha. Dilma está refém de Renan. Dilma está refém de Levy. Dilma está refém de Lula. Do próprio partido, PT. E da oposição em geral. Experimenta sonoras derrotas no Congresso e vê encurtar, dia a dia, sua margem de manobra para governar. Não há sinais de trégua. Ao contrário. Tudo indica que o movimento tende a se acentuar. A presidente caiu na armadilha que ela própria criou. Imaginou que poderia fazer o que bem entendesse no segundo mandato, sem dar satisfações, disparando determinações e esbanjando autossuficiência, uma vez que não precisaria mais de votos de apoio. Nem do eleitor que a colocou lá. Ledo engano. Nos últimos dias, desmontou-se por completo o chamado governo de coalizão. Sem contar a rejeição nas ruas que cresce geometricamente. A base aliada registrou rebeliões de tradicionais simpatizantes. Ministros foram caindo em sequência por equívocos primários. Críticas e reversões de suas decisões são feitas, de maneira aberta, por parlamentares que parecem confrontar o presidencialismo, exigindo uma nova ordem. Os erros de Dilma provocaram o quadro de ingovernabilidade. Ela quis, de novo, sabotar o PMDB endossando a criação do partido PL, de seu ministro Kassab. Levou o troco. A Câmara, comandada pelo PMDB, aprovou a mudança na indexação das dívidas de Estados e Municípios, ferindo brutalmente o escopo do ajuste fiscal, enquanto o Senado (também sob o tacape do PMDB) estabeleceu prazo para que ela apresente alternativas. Na queda de braço, perde o País e a economia. Não dá para esquecer que foi a própria Dilma quem incitou a ideia de renegociação dessas dívidas no ano passado, em mais um ímpeto populista. Agora volta atrás. Foi alertada sobre o tamanho do buraco que estava criando. Calcula-se um rombo de ao menos R$ 3 bilhões por ano na brincadeira. De onde tirar tamanha dinheirama para cobrir as contas, se os parlamentares fincarem o pé? A presidente resiste em cortar na própria carne, enxugando a pesada máquina do Estado que conta com 39 ministérios, milhares de servidores e um gasto anual que ultrapassa os R$ 400 bilhões em custeio. Sem alternativa terá que, finalmente, ceder nesse campo. Mesmo a contragosto. Está cada vez mais claro que ela não tem como medir forças com os adversários. Dilma reina, o Congresso comanda. Houve um reequilíbrio de forças e no novo arranjo o Governo não sabe para onde ir. Nem como ir.

O QUE SEGURA VACCARI?

REVISTA ISTO É N° Edição: 2365 | 27.Mar.15


Agora réu na Operação Lava Jato, o tesoureiro do PT segue como o dono do cofre petista apesar das pressões do Planalto para deixar o cargo


Ludmilla Amaral (ludmilla@istoe.com.br)



Na última semana, João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, tornou-se réu na investigação da Operação Lava Jato por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de intermediar o pagamento de propinas ao PT por meio de doações oficiais ao partido feitas entre 2008 e 2010. Apesar da gravidade das denúncias, Vaccari segue como o dono da chave do cofre do partido, equilibrando-se há meses – e com maestria – em uma corda bamba que balança principalmente sob o ataque do Palácio do Planalto. São claras as mensagens que saem da sede do governo federal para que deixe o cargo, reduzindo, dessa forma, o desgaste da figura da presidente Dilma Rousseff.


SEGREDOS
Vaccari possui informações que podem prejudicar ainda mais o PT

Vaccari não dá sinais de que irá ceder. Ele já informou ao comando petista que pretende continuar no cargo, pelo menos até prestar seu depoimento à CPI da Petrobras ainda como tesoureiro do partido. A depender do PMDB e do PSDB, isso pode ocorrer no dia 9 de abril, três dias antes dos protestos marcados para o dia 12. A avaliação dos dois partidos é a de que o depoimento de Vaccari pode esquentar ainda mais a disposição de as pessoas irem às ruas.

Além da persistência pessoal de Vaccari em permanecer no cargo, o que o mantém à frente de uma posição estratégica dentro do partido é o próprio PT. É verdade que o tesoureiro enfrenta pressão para renunciar por parte do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de alguns de seus outros companheiros, como o senador Paulo Paim (PT-RS). “Seria muito bom se ele pedisse uma licença”, defende o parlamentar gaúcho. No entanto, o grupo do qual Paim faz parte está longe de ser a maioria entre os petistas. Paim, inclusive, já demonstrou a intenção de deixar o partido, seguindo o mesmo caminho da senadora Marta Suplicy.

Entre o comando do partido, o consenso é o de que, hoje, é melhor ter Vaccari por perto do que longe dos olhos. O tesoureiro guarda informações que podem prejudicar ainda mais o PT e, portanto, o ideal seria que, se fosse para sair, que deixasse o cargo após a consolidação de um acordo no qual o partido fosse preservado. Não se sabe até quando essa situação será mantida e quem terá mais força na queda de braço – se Dilma e seus aliados ou os companheiros petistas de Vaccari. Quando estava sob investigação no escândalo do mensalão, o ex-tesoureiro Delúbio Soares cedeu à pressão e acabou pedindo seu afastamento do cargo.

A INSUSTENTÁVEL MÁQUINA DO GOVERNO

REVISTA ISTO É N° Edição: 2365 | 27.Mar.15


Os 39 ministérios de Dilma custam mais de R$ 400 bilhões por ano e empregam 113 mil apadrinhados. Só os salários consomem R$ 214 bilhões - quase quatro vezes o ajuste fiscal que a presidente quer fazer às custas da sociedade


Izabelle Torres (izabelle@istoe.com.br)




Diante da necessidade imperativa de disciplinar as desordenadas contas públicas, legadas da farra fiscal praticada no mandato anterior, a presidente Dilma Rousseff impôs ao País um aperto de cintos. Anunciou como meta de sua segunda gestão um ajuste fiscal capaz de gerar uma folga de R$ 66 bilhões no Orçamento até o fim do ano. O necessário ajuste seria digno de louvor se as medidas anunciadas até agora pela presidente não tivessem exigido sacrifícios apenas de um lado dessa equação: o dos cidadãos brasileiros. Mais uma vez, a conta da irresponsabilidade fiscal de gestões anteriores sobra para o contribuinte. Ao mesmo tempo em que aumenta impostos, encarece o custo de vida da população, ameaça suspender a desoneração de empresas e retira dos trabalhadores direitos previdenciários e trabalhistas, Dilma Rousseff segue no comando de uma bilionária máquina pública aparelhada, inchada e – o mais importante – ineficiente.




Na semana passada, pressionada por líderes no Congresso, especialmente do PMDB, a presidente sacou mais uma de suas promessas. “A ordem é gastar menos com Brasília e mais com o Brasil”, disse. A despeito do efeito publicitário indiscutível da frase, a presidente dá sinais de que seguirá na toada já recorrente de dizer uma coisa em público e praticar outra bem diferente no exercício do poder. O governo, na realidade, sempre resistiu em cortar na própria carne. Por isso, permanece desde 2010 com uma colossal estrutura administrativa composta por 39 ministérios, a maioria deles criados para acomodar apadrinhados políticos, cujos custos de manutenção – o chamado custeio – consomem por ano R$ 424 bilhões. Desse total, o gasto com pessoal atinge a inacreditável marca de R$ 214 bilhões, o equivalente a 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Esse universo de servidores soma quase 900 mil pessoas distribuídas pela Esplanada, sendo 113.869 ocupantes de funções comissionadas e cargos de confiança, as chamadas nomeações políticas baseadas no critério do “quem indica. A credibilidade do governo está no fundo do poço, e é impossível imaginar a sociedade acreditando no ajuste fiscal sem que sejam tomadas medidas radicais para reduzir o tamanho dessa monumental máquina. Sem cortar na própria carne, o governo do PT não tem autoridade para pedir sacrifícios ou falar em ajuste fiscal”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).



Não bastassem os 39 ministérios com seus milhares de cargos de indicação política, o que se vê hoje na Esplanada em Brasília é o claro desperdício do dinheiro público, facilmente ilustrado pelo excesso de regalias e benesses à disposição dos ocupantes do poder. A principal função do ministério da Pesca, por exemplo, é distribuir o seguro-defeso – espécie de seguro-desemprego pago a pescadores. A pouca expressividade da pasta não limita as vantagens e os benefícios de quem garantiu um cargo executivo no órgão provavelmente chancelado por algum partido aliado de Dilma. Segundo apurou ISTOÉ, há carros de luxo com motoristas disponíveis aos sete integrantes da cúpula do ministério para deslocamento em Brasília. O custo estimado com a regalia é de R$ 1,5 milhão por mês. Embora o ministério esteja constantemente ameaçado de extinção, a pasta vem se mantendo com estrutura que chama a atenção. São mil servidores em exercício, sendo 440 indicados políticos.



O benefício de ter carros e motoristas à disposição não é uma exclusividade do ministério da Pesca. Segundo gestores públicos ouvidos por ISTOÉ que já atuaram em diferentes órgãos do governo petista, pelo menos 28 das 39 pastas permitem a benesse para quem está até cinco níveis da hierarquia abaixo do ministro. Isso sem contar os celulares, os cartões corporativos e uma dezena de assessores cujas funções frequentemente coincidem. No ministério do Turismo, que tem uma estrutura mais enxuta e apenas 268 cargos de confiança, o que causa espécie é a quantidade de garçons e copeiras disponíveis para atender a cúpula da pasta. Segundo um dos servidores, há 16 funcionários para servir água e cafezinho aos executivos do ministério.


No ministério do Turismo, 16 garçons e copeiras foram
contratados para servir os executivos do órgão

Embora prometa cortar despesas, Dilma e sua equipe econômica não querem ouvir falar em redução de pessoal, que consome muito mais do que os principais programas sociais do governo. O Bolsa Família, por exemplo, receberá R$ 27 bilhões – o correspondente a 12% do que o País gasta com servidores federais. Já a Saúde, considerada área prioritária para os brasileiros em todas as pesquisas realizadas, terá investimentos de R$ 109 bilhões neste ano. Custará, portanto, metade do gasto do governo com o funcionalismo. Atualmente, o ministério da Educação é a pasta com maior número de funcionários da Esplanada e serve para mostrar que o tamanho da máquina está longe de ser sinônimo de eficiência. No órgão, há mais de 44 mil cargos de confiança, além dos 285 mil efetivos. Nos últimos anos do governo Dilma, foram criadas 50 mil novas vagas. Em 2015, se a presidente preservar os recursos previstos para a pasta, serão R$ 101 bilhões destinados a cumprir a promessa utópica de campanha de transformar o Brasil em uma “pátria educadora”. Mas até aqui as demonstrações de gestão dadas pelo MEC são da mais completa ineficiência. Um exemplo é o programa de financiamento estudantil, o FIES. O governo flexibilizou as regras relacionadas aos fiadores dos estudantes e reduziu as taxas de juros. Mas falhou no controle dos preços das mensalidades e forçou a ampliação do programa sem analisar os reflexos financeiros. Um exemplo típico de má gestão em um órgão aparelhado por servidores.


FARRA DOS CARROS OFICIAIS
Não é rara a utilização dos veículos oficiais pelos ministros
fora do horário do expediente

A Presidência da República figura em segundo lugar no ranking do número de servidores: emprega 6.969 pessoas. Os cargos vêm acompanhados das benesses, o que significam mais e mais gastos com o dinheiro do contribuinte. Em outubro do ano passado, para atender aos seus servidores, a Presidência comprou 130 taças de cristal por R$ 4,5 mil. No apagar das luzes de 2014, além de eletrodomésticos, toalhas de banho e de rosto, o Planalto adquiriu aparelhos de malhação e até roupões de banho. Ao todo, a conta saiu por R$ 262,8 mil. O conjunto de banho completo custou R$ 7,8 mil. Já a aquisição de 20 frigobares, 100 bebedouros e 30 fragmentadoras de papel custou ao órgão R$ 155,7 mil. A Presidência justificou a compra por eventuais atendimentos em cerimônias oficiais. Outros R$ 99,3 mil foram gastos pela Presidência na reposição de aparelhos de ginástica. Na lista, figuram um crossover angular, um banco extensor e outro flexor, um apolete, um crucifixo, duas esteiras eletrônicas e um smith machine (plataforma para a realização de vários exercícios). Segundo o órgão, a aquisição dos equipamentos ocorreu em função da necessidade de manutenção ou melhoria do treinamento de força e do condicionamento físico do pessoal da segurança e para melhoria da qualidade de vida dos servidores.


UNIDOS PELA REFORMA ADMINISTRATIVA
Os presidentes da Câmara e Senado, Eduardo Cunha e Renan
Calheiros, propõem a redução dos ministérios

A criação desenfreada de ministérios é obra recente da democracia do País e se acentuou na era petista no poder. O ex-presidente Getúlio Vargas (1951-54) contava com apenas 11 pastas de primeiro escalão. Juscelino Kubitschek (1956-61), 13. O governo Fernando Henrique Cardoso terminou seu mandato (1994-2002) com 24 órgãos. Lula (2003-2010), para abrigar a aliança que o elegeu, criou mais 11, chegando a 35 – um recorde até então. Dilma o superou: subiu para 39. O cenário de distribuição de poder em Brasília é uma anomalia especialmente se comparado a outros países, como França, Portugal, Espanha e Suécia, que possuem uma média de 15 ministérios. Para se ter uma ideia do despropósito do aparelhamento, quem hoje discute corte de ministérios como ocorre atualmente no Brasil é o pobre Moçambique, que possui 28 pastas e está sendo pressionado a reduzir a própria estrutura por países que o apóiam financeiramente. “Essa forma de gestão caminha na contramão da história e de tudo aquilo que seria o ideal para a administração pública, não só no Brasil, mas em qualquer País. A criação desses ministérios é uma forma de abrigar a base aliada do governo e acelera ainda mais as distorções dentro da máquina pública”, afirma José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB).





A necessidade de enxugamento da máquina administrativa ganhou eco durante a última campanha presidencial. O então candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) propôs a fusão de ministérios, de modo a reduzir drasticamente os gastos e a estrutura governamental. Nos últimos dias, foi a vez de o PMDB encampar a bandeira da reforma administrativa. Como se não ocupasse fatia considerável da Esplanada e não exigisse a nomeação de um sem-número de afilhados políticos como condição ao apoio ao governo – a qualquer governo, diga-se – caciques peemedebistas, caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, querem limitar a 20 o número de ministérios. Um projeto de sua própria autoria já está em tramitação na Casa. Na semana passada, depois de discursar para empresários, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), engrossou o coro. Afirmou, em tom de ironia, que o momento exigia o lançamento pelo governo do programa Menos Ministérios, numa brincadeira com o programa Mais Médicos. Renan promete apoiar a proposta de Cunha. “Isso vai gerar menos cargos comissionados, menos desperdício e menos aparelhamento. Devemos aproveitar a oportunidade”, disse ele.

Pressionada pelo Congresso e pelos protestos nas ruas, Dilma pode ser forçada a repensar a estrutura da portentosa burocracia que ajudou a criar. No final da última semana, informações oriundas do Planalto deram conta de que um estudo teria sido encomendado à Casa Civil visando à redução no número de pastas. Resta saber se a presidente ficará mais uma vez na retórica ou atenderá ao clamor público.

sábado, 28 de março de 2015

CORTES DESGASTAM O GOVERNO SARTORI ATINGINDO ÁREAS PRIORITÁRIAS



CORREIO DO POVO 28/03/2015, 13:33

Cortes do governo atingem áreas prioritárias do RS. Base aliada começa a sentir desgaste político das medidas


Flávia Bemfica




Passados dez dias da publicação do decreto do Palácio Piratini que readequou o orçamento do Estado, diminuindo em pelo menos R$ 1 bilhão as despesas no ano, a base aliada começa a sentir o desgaste político das medidas. Ao mesmo tempo, representantes dos setores da saúde, segurança e educação apresentam dados para demonstrar o quanto as áreas foram atingidas.

“O governo simplesmente está transferindo responsabilidades. Desde o início de fevereiro tínhamos conhecimento do corte e estabelecemos uma discussão. Há duas semanas, falamos com o governador, que ficou de nos dar uma resposta. Temos uma assembleia no dia 10, na qual tomaremos um posicionamento definitivo”, alerta o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS, Julio de Matos.

Conforme os números da federação, os cortes incluem R$ 25 milhões mensais que deixaram de ser repassados às instituições a partir de janeiro, quando teve início a atual administração. São valores relativos ao cofinanciamento estadual, utilizado para reduzir o déficit decorrente dos atendimentos pelo SUS. “São R$ 300 milhões ao ano. Isso sem falar nos R$ 132,6 milhões dos repasses atrasados de outubro e novembro, que não recebemos, e sobre os quais não há qualquer encaminhamento”, afirma Matos. Entre as consequências, ele lista o agravamento das situações das santas casas em Rio Grande, Ijuí, Candelária, Bagé, Santana do Livramento e Uruguaiana.

Na área da segurança, a lista de problemas também é extensa. Segundo dados da Abamf, que reúne os servidores de nível médio da Brigada Militar, viaturas que antes percorriam 80 quilômetros por dia tiveram os percursos máximos reduzidos para 30 quilômetros em função do contingenciamento de gasolina. “A ordem é que as viaturas fiquem em PB (ponto fixo). Não fazem policiamento, só atendem a ocorrências”, aponta o presidente da entidade, Leonel Lucas.

Ele adianta ainda que, ao contrário do que ocorria anualmente na Páscoa, quando parte do efetivo era deslocada ao Litoral porque muita gente passa lá o feriado, neste ano, para conter despesas, não há previsão de deslocamento. Segundo Lucas, além do efeito imediato, o contingenciamento gera ainda projeções negativas. Ele cita como exemplo as informações de que o governo pode extinguir ou diminuir a chamada gratificação de permanência, o que gerou uma enxurrada de pedidos de aposentadoria. “No ano passado inteiro, 800 brigadianos saíram da corporação. Este ano, devido aos boatos, em dois meses e meio já são 1,2 mil pedidos”, revela.


Base aliada já ouve queixas

Diariamente, chegam aos deputados dos partidos da base aliada na Assembleia pedidos de informações ou reclamações de diferentes regiões do RS a respeito da diminuição de serviços nas chamadas áreas estratégicas. A pressão não gera apenas apreensão dos parlamentares com suas próprias bases eleitorais. Ela causa ruído entre as siglas que apoiam o governo de José Ivo Sartori (PMDB).

Entre os quatro maiores aliados na Assembleia – PDT, PP, PSDB e PSB –, são claras as divergências a respeito de como estão sendo encaminhados os cortes. “Entendemos que estão sendo buscadas soluções, mas, no momento em que acharmos que as coisas não estão sendo bem conduzidas, deixaremos clara nossa posição”, adverte o líder da bancada do PDT, deputado Diógenes Bassegio. O parlamentar lembra que ele e os colegas Juliana Brizola e Enio Bacci possuem vinculações com as áreas de saúde, educação e segurança, respectivamente, e completa: “Estamos preocupados porque, na realidade, houve cortes nas áreas. Além disso, os cortes do primeiro decreto, o de janeiro, têm prazo para terminar. E depois, o que vai acontecer? Haverá outro decreto ou o governo vai voltar a cumprir com pagamentos?”, questiona.

O PSB tem posição semelhante. O líder da bancada, deputado Elton Weber, avalia que os cortes foram feitos para equilibrar as contas, mas ressalva: “Eles afetam com certeza saúde, educação e segurança. Não é verdadeiro dizer que não afetam em nada o atendimento básico.” No entendimento do partido, “o governo precisa fazer todo o esforço necessário para ‘poupar’ as áreas essenciais”, considera Weber.


PP e PSDB culpam governo anterior

Ao mesmo tempo em que PDT e PSB externam preocupações, tucanos e progressistas reforçam discurso de “terra arrasada” sobre o governo Tarso Genro e dão munição para a oposição, que acusa Sartori de adotar práticas de encolhimento do Estado que integrariam programas do PP e do PSDB. “As pessoas estão ressentidas e vão ficar cada vez mais ressentidas. Elas precisam mesmo sentir quem provocou esta situação e teremos quatro anos para mostrar”, diz o líder da bancada do PP, Frederico Antunes.

“É claro que, quando corta dinheiro de algum lugar, tem desgaste. Mas a responsabilidade é totalmente do governo passado. Mas o contingenciamento não vai prejudicar saúde, educação e segurança”, afirma o líder da bancada do PSDB, deputado Jorge Pozzobom.

EM QUEM CONFIAR?



ZERO HORA 28 de março de 2015 | N° 18115



 POR DIONE KUHN*



Em meus mais de 25 anos de jornalismo, além do prazer em atuar nessa profissão, carreguei comigo algumas certezas. Entre elas, a de que o exercício da cidadania era uma arma poderosa nas mãos de qualquer pessoa e de que dela jamais poderíamos abrir mão. Por isso, nunca deixei de comparecer a uma eleição e sei até hoje o nome de todos os candidatos em quem depositei na urna o meu voto de confiança. Por isso, costumava sair de peito estufado da seção eleitoral 20 do Colégio Anchieta direto para o trabalho – sim, porque desde que passei a atuar como jornalista, sempre trabalhei nos domingos de eleição, seja como repórter, seja como editora dos assuntos que sairiam no dia seguinte no jornal.

O jornalismo também me deu ferramentas para escolher bem os meus candidatos, um privilégio de que a maioria dos eleitores não dispõe. Sem falar que na maior parte dos meus anos de profissão atuei na área de política, o que tornava a minha escolha ainda mais refinada. E, com orgulho, posso dizer que foram poucas as decepções.

Por tudo isso, custei a entender: na eleição do ano passado, um desânimo tomou conta de mim. Fui votar, é claro, e também do Anchieta fui direto para a redação de ZH. Mas não saí com a sensação de dever cumprido. A sensação era de fadiga. Também, pela primeira vez, não comentei com a Lore, minha mãe, sobre em quem votar. Ela sempre se aconselhou comigo. Dessa vez, evitei falar com a mãe – e ela, por coincidência ou não, não me procurou.

Desde outubro, esse desânimo só cresce. Já não sei mais em qual candidato ou partido confiar. Não tenho mais as mesmas convicções de outrora. A cada novo bilhão desviado da Petrobras, uma certeza se vai. A cada novo político que surge nessa repugnante teia de falcatruas que toma conta do Brasil, mais uma esperança desaparece.

O que esperar de um país onde pessoas “de bem” roubam bilhões de reais? Dinheiro que era para ser investido em hospitais, escolas, universidades, estradas, pontes, pesquisas científicas. É como se cada um de nós estivesse tirando do bolso a toda hora uma quantia de dinheiro e entregando, passivamente, para uma quadrilha de engravatados, para que esse bando de ladrões possa garantir a sua vida e a de seus familiares para todo o sempre às nossas custas.

O que esperar deste país? Não tenho mais respostas.

Mas ainda acho que exercer a cidadania da forma que sempre exerci é única solução.



Editora de Notícias

O PAÍS ESTAGNADO



zero hora 28 de março de 2015 | N° 18115


EDITORIAL


Os equívocos da política econômica provocaram perdas generalizadas e empurraram a economia brasileira para uma posição constrangedora no cenário mundial.



O decepcionante crescimento do PIB brasileiro em 2014, agora divulgado pelo IBGE, atesta os equívocos da política econômica adotada pelo governo no primeiro mandato de Dilma Rousseff e indica claramente os corretivos que devem ser feitos para que o país saia da estagnação. Repete-se um índice semelhante ao de 2009, após a crise mundial provocada pela quebra do sistema financeiro, quando houve recuo no PIB de 0,2%. Qualquer argumento, mesmo o que tenta buscar explicações no cenário internacional, não justifica a performance constrangedora para um país que pretende se perfilar ao lado das potências econômicas mundiais.

Os números do IBGE mostram que a economia parou quando as circunstâncias externas deixaram de favorecer o Brasil, ao contrário do que ocorreu na primeira década deste século. Esgotaram-se, entre outros fatores, as condições favoráveis de grandes mercados que contribuíam para a prosperidade brasileira. E chegou-se ao limite de uma política que, por uma sucessão de equívocos, prolongou o processo de endividamento do setor público para além do que seria suportável. O fato positivo disso tudo, mesmo que manifestado em declarações tardias, é o de que a própria presidente da República enxerga o ajuste fiscal como única saída contra a desconfiança e a falta de investimentos.

Se as medidas agora propostas, e ainda dependentes de aprovação do Congresso, tivessem sido adotadas muito antes, o país poderia pelo menos enfrentar uma eventual recessão em bases mais sólidas. O efeito mais perverso da estagnação é, como decorrência da queda da produção, um previsível abalo nos níveis de emprego. A taxa de ocupação no Brasil vinha sendo apresentada como o grande trunfo dos últimos governos, apesar do baixo crescimento. Estagnação significa também menos consumo, com queda na qualidade de vida e na autoestima da população.

O ajuste é parte decisiva da reação, que deve provocar mudanças profundas na postura e nas convicções equivocadas que o Planalto manteve por tanto tempo. O fracasso que levou a economia ao atual estágio, empurrando o Brasil para a incômoda posição de nação emergente com pior desempenho em 2014, é uma lição para que o governo abandone a gastança e o intervencionismo e confie em quem empreende e produz.

FELIZ ANIVERSÁRIO, PORTO ALEGRE!!!!



ZERO HORA 28 de março de 2015 | N° 18115


INFORME ESPECIAL | Tulio Milman






Desculpem o atraso. Sei que a festa foi quinta-feira. Mas não consegui chegar antes. Acordei, tomei banho, me vesti. Só que, na hora de sair, faltou luz. O portão da garagem travou. Levei meia hora para abrir.

Peguei a Ipiranga. Trancada. Era uma manifestação livre e democrática. Desci do carro para ver de perto. Me distraí. Roubaram minha carteira.

Levei duas horas para cancelar os cartões e o talão de cheques. Call center. Você me entende.

Fui dar queixa na delegacia. Não tinha gente pra me atender. Cortaram as horas extras. Fiquei nervoso, minha pressão subiu. Chamaram o Samu. Três horas pra chegar.

No hospital, passei na triagem. Meu caso não era grave, fiquei ali esperando. Me levaram pra uma sala grande, cheia de gente. Tinha um cara algemado do meu lado. Sem estresse, #somostodossereshumanos.

De repente, começou a gritaria. Quatro caras encapuzados invadiram o hospital. Tiros. Me joguei pra baixo da mesa. “Desculpe, desculpe, eu juro que já paguei o IPTU”, berrei.

Logo vi que o alvo era o cara algemado do meu lado. Entrei em choque. Me deram um remédio. Apaguei.

No outro dia, mais calmo, tentei de novo. Achei que ainda pegaria o fim da festa. Essas celebrações sempre se estendem. Na segunda esquina, meu carro caiu num buraco. O pneu dianteiro estourou. A roda entortou. Chamei a EPTC. “Seus documentos, por favor”, pediu o azulzinho. Botei a mão no bolso. Lembrei que haviam me roubado. “Então, tu estavas dirigindo sem carteira de habilitação...” Veículo apreendido. Multa. Processo. Prisão perpétua.

Mas milagres acontecem. Pouco depois, recebi um telefonema animador. Acharam minha carteira. Sem dinheiro, mas com os documentos. “Sai uma recompensa aí, né, patrão?”. Sai, claro que sai.

Fui buscar a carteira. Com ela, tentei liberar o carro. Tinha que pagar uma taxa, ou multa ou sei lá o quê. Cheguei ao banco. A porta estava trancada por manifestantes. “Mas é urgente”, dissemos eu e um aposentado que precisava comprar remédio. Nada. Não nos deixaram entrar.

O jeito foi pegar um busum e tentar voltar pra casa. No caminho, o motor fez um ruído estranho. Um estrondo. E parou. Todos pra fora. A renovação da frota está atrasada. Mais de 200 ônibus novos deveriam estar nas ruas. Não estão.

Começou a chover. A rua alagou. Tirei a camisa e comecei a nadar. Da sacada, alguém berrou: “Bem feito, colorado f.d.p.”.

Algumas braçadas depois, cheguei a um bar.

Entrei. Comecei a beber. Lá pelas tantas, cantei Parabéns a Você sozinho para Porto Alegre. “Muizos anuz ze vidaaaaaa....”. Depois não me lembro. Acordei em casa, cercado pelo carinho e pelo amor da família. “Não foi nada, não foi nada”, me dizia minha filha de nove anos.

Espero que vocês acreditem nos motivos do meu atraso. Porque se eu tiver que buscar um atestado, talvez só chegue para a festa do ano que vem. Mas faço questão de estar nela.

A gente só celebra, exagera na ficção e pega no pé porque gosta. E isso faz toda a diferença.