VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

domingo, 22 de janeiro de 2017

ESTADOS UNIDOS PRIMEIRO



ZERO HORA 21 de janeiro de 2017 | N° 18748


TRUMP REAFIRMA "EUA PRIMEIRO"



Com um discurso marcado por um forte tom protecionista, o magnata do setor imobiliário Donald Trump prestou juramento ontem como o 45° presidente dos Estados Unidos e anunciou que todas as decisões de Washington serão orientadas a priorizar o país.

– A partir deste dia, uma nova visão governará nossa pátria. A partir deste dia, os Estados Unidos vêm primeiro – disse Trump em seu discurso de 20 minutos.

O altivo ex-astro de reality show sem qualquer experiência política assumiu as rédeas da primeira potência mundial das mãos do democrata Barack Obama.

Trump, que pretende deportar até 4 milhões de migrantes ilegais com ficha criminal e construir um muro nos 3,2 mil quilômetros de fronteira com o México, também enumerou em seu discurso “duas regras simples: compre (produtos) americanos e empregue (funcionários) americanos”. Foi aplaudido várias vezes por milhares de simpatizantes vindos de todo o país.

Antes e depois da cerimônia de posse, centenas de manifestantes anti-Trump entraram em confronto com a polícia no centro de Washington. Eles atiraram projéteis, quebraram vidraças e foram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo.

– A cerimônia de hoje (sexta-feira) tem um significado muito especial porque não estamos meramente transferindo o poder de um governo a outro, de um partido a outro. Estamos transferindo o poder de Washington e devolvendo-o a vocês, o povo – disse o septuagenário Trump à multidão.

Ele lamentou que o país “enriqueça as indústrias estrangeiras” e “subsidie exércitos estrangeiros”.

– Defendemos as fronteiras de outros países, enquanto nos negamos a defender as nossas. Devemos proteger nossas fronteiras dos estragos de outros países que fabricam nossos produtos, roubam nossas empresas e destroem nossos empregos – acrescentou o presidente.

Na cerimônia de posse, celebrada nas escadarias em frente ao Capitólio, sede do Congresso americano, também prestou juramento mais cedo o novo vice-presidente, Mike Pence.

A vitória de Trump, que deixou o planeta atônito, está ancorada sobretudo nos votos de uma classe trabalhadora branca que desconfia dos políticos tradicionais e que sente que a globalização a prejudicou, transferindo empregos para outros países.

NA PÁGINA DO EXECUTIVO, AMEAÇA DE RETIRADA DO TPP E DO NAFTA


Em um documento publicado na página da Casa Branca na internet, Trump anunciou que retirará os Estados Unidos da Aliança Transpacífico (TPP, na sigla em inglês, formado por 12 países, como Chile, México e Peru, que respondem por 40% da economia mundial) e que foi assinado em fevereiro, mas ainda não foi ratificado. Também ameaçou abandonar o acordo de livre comércio com o México e o Canadá (Nafta). “Se nossos parceiros se recusarem a uma renegociação que ofereça aos americanos um tratamento justo, então o presidente comunicará a decisão dos Estados Unidos de se retirar do Nafta”, acrescentou o texto.

O México observa o bilionário nova- iorquino com inquietação. Suas políticas já lhe custaram milhões em investimentos empresariais não materializados e poderiam arrastar o país para uma recessão.

O gabinete de Trump é o mais branco e o mais rico em décadas. Tem um único negro e, pela primeira vez em quase 30 anos, nenhum hispânico, o que lhe rendeu fortes críticas da principal minoria do país, com mais de 55 milhões de pessoas (17% da população). A ausência de hispânicos no gabinete não é surpreendente para um presidente que promete tomar medidas duras contra a minoria.

Trump também poderia voltar atrás na aproximação com Havana, impulsionada por Obama, e tudo indica que será mais agressivo com a Venezuela.

Milhares de pessoas se manifestaram pacificamente, mas também houve protestos violentos e confrontos com a polícia. Pouco antes, dezenas de manifestantes, muitos encapuzados e vestidos de preto, atiraram pedras, quebraram vitrines de várias lojas, incluindo uma cafeteria Starbucks, uma agência do Bank of America e uma limusine. “Não às deportações, não à Ku Klux Klan, não aos Estados Unidos fascistas!”, repetiam. EM TOM FORTEMENTE PROTECIONISTA, o 45º presidente americano tomou posse com a promessa de transferir o poder de Washington para vocês, o povo e de empregos

Washington


+ ECONOMIA | Marta Sfredo

RISCO TRUMP OUTRA VEZ EM ELEVAÇÃO

Pelas reações dos mercados, ainda havia muitos otimistas. Desde a surpreendente eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, mantinha-se a interrogação: quem assumiria a Casa Branca seria o mesmo candidato de frases abertamente xenófobas, manifestamente protecionistas? Em seu discurso da posse, ele fez questão de responder que sim.

Se o primeiro discurso após a vitória havia reforçado a esperança de quem esperava o arquivamento das teses agressivas, o da posse reavivou os temores de quem vê no poder um Trump igual ao que percorreu os EUA com suas palavras segregadoras. Durante a fala, houve deslizes em todos os principais índices de bolsas de valores do planeta. Os de Nova York, que andavam animados com as perspectivas de estímulo à economia, não caíram, mas encurtaram os ganhos.

Como o pronunciamento foi pesado no tom mas não trouxe medidas concretas, o desânimo foi temporário. O que se projeta para os próximos dias – há expectativa de medidas de curto prazo, especialmente para mudar deliberações do governo Obama –, é muita volatilidade: altas se não houver novidade, baixas acompanhando “trumpices”. É provável que seu primeiro alvo, como ele tem avisado, seja o programa de saúde apelidado de Obamacare. Mas estão na economia alguma das principais preocupações e, portanto, ações do novo presidente.

Para poupar os leitores apenas de adjetivos autorais, a coluna recolheu algumas reações, no Twitter – para se beneficiar da concisão –, de economistas, historiadores e filósofos que escolheram viver nos EUA, assim como o avô alemão de Trump há mais de um século. Nouriel Roubini, espécie de fruto da globalização, com origens israelense, iraniana, turca e italiana, que se tornou famoso ao “prever” a crise de 2008, caracterizou assim: “raivoso, populista, nacionalista, unilateralista, depressivo, insultante, mau, sem meios-tons, intolerante, arrogante”. O filósofo descendente de japoneses Francis Fukuyama, considerado ideólogo do governo Reagan e autor da tese do “fim da história” – o que incluía a vitória final do capitalismo liberal: Trump só falou para um fatia específica dos EUA, não para todos nós”.

Uma das frases de Trump mais espantosas – não por acaso, virou manchete do site do The New York Times – foi “this american carnage stops right here” (essa carnificina americana para aqui). Jornalistas americanos compararam a frase com a famosa citação de John Kennedy “não pergunte o que a América pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pela América”, que se tornou um clássico. Não houve trechos edificantes no pronunciamento. Apenas uma coleção de ameaças, bravatas e palavras duras. Não foi à toa que colheu protestos violentos nas ruas. O risco Trump voltou a subir.


MAL DONALD TRUMP CHEGOU AO SALÃO OVAL, MANDOU MUDAR O SITE DA CASA BRANCA. SUMIRAM DE LÁ, POR EXEMPLO, AS SEÇÕES DEDICADAS AOS DIREITOS LGBT E ÀS MEDIDAS PARA CONTENÇÃO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

DEMAGOGIA

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ZERO HORA 21 de janeiro de 2017 | N° 18748. PROA


FRANCISCO MARSHALL


Na Guerra do Peloponeso, Tucídides distingue alegações apresentadas por Atenas e Esparta para iniciar o conflito e analisa suas causas reais. No plano diplomático, descreve a ambição imperial de Atenas e a contrariedade de Esparta, mas o melhor de suas análises está no plano interno de Atenas, quando examina os processos decisórios que levaram esta pólis à dupla catástrofe, guerra e derrota. Neste passo, o historiador age como sociólogo, antropólogo e cientista político, examinando como agem os homens em certas condições e o que podemos aprender para evitar erros no futuro. Admirador de Péricles, Tucídides induz o leitor a crer que foi a morte deste (no segundo ano da guerra que duraria 27 anos, de 431 a 404 a.C.) e o consequente triunfo da demagogia em Atenas a causa da derrocada. Analisa, então, o líder Cléon e sua relação com a massa (demos) na assembleia ateniense (a eclésia); é o primeiro estudo sobre a demagogia, apresentada em caráter negativo, como parte da insensatez que pode ameaçar a democracia. A palavra-chave é manipulação: o demagogo manipulando as massas, estas jogando com a ambição de poder do líder.

É este caráter negativo que predomina na cultura política contemporânea, em que demagogia e demagogo são adjetivos de ataque, sobretudo aos líderes populistas, de enorme expressão na América Latina do século XX. Ocorre que há, paradoxalmente, um aspecto positivo na demagogia clássica: a interpretação da vontade popular e a produção de políticas que a atendam. A demagogia pode ser uma forma de comunicação entre o povo e o poder, e permite que se amplie a legitimidade política e a realização de programas cujo beneficiário é o povo. Foi assim com a ação dos líderes populistas no Brasil, responsáveis por modernizações importantes, no rumo de uma sociedade burguesa com classe média proficiente, projeto ainda inconcluso.

Entre as figuras negativas da demagogia, estão o uso perdulário dos recursos públicos para adular o povo, a apresentação do líder vestido em imaginário heroico e a substituição da ação pela propaganda. O líder quer ser visto como providente, e comemora inaugurações e entregas de ambulâncias, mesmo que estas sejam a realização de sua obrigação. O demagogo não tem pudor de dizer que é o cara e que uma nova era se inicia, nem deixa de se apropriar de frases de efeito, mesmo que não as compreenda ou pratique. A desconexão entre ação e propaganda permite que um político hostil ao ambiente se apresente como campeão da sustentabilidade, que um promotor do atraso se diga homem do progresso, ou que pose de sambista faceiro quem trata da morte do samba.

Foi o poder da imprensa e da propaganda que produziu a mutação decisiva da demagogia na sociedade de massas, desde o início do século XX. Sem contato com o povo, o político (com o vilão marqueteiro) formula imagens e as justifica como populares. A dinâmica histórica fica opaca, sem fluxo e refluxo entre povo e lideranças, pois a vontade popular passa a ser tutelada, induzida por mensagens que levam o povo a apoiar candidatos, governantes e medidas que o prejudicam. Assim o povo torna-se refém de uma vontade exótica, e é conduzido a um destino alienado. Para piorar, cada vez mais as pesquisas de opinião balizam a política, intensificando o efeito da máquina de propaganda que hoje move opinião pública e poder. Bons tempos os da demagogia clássica, pois a demagogia atual, midiática, é mais uma fonte da crise política. E sobrevive a pergunta: o que é e como interpretar a vontade popular? Ainda existe povo no mundo atual?

ARQUEÓLOGO E PROFESSOR DA UFRGS

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

CRÔNICA DE UMA MORTE ANÚNCIADA

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ZERO HORA 23 de dezembro de 2016 | N° 18722. EM DIA


VINICIUS OCHOA PIAZZETA




Ainda que o título desta minha última coluna em 2016 remeta à célebre obra de Gabriel Garcia Márquez, não pretendo traçar maiores paralelos entre a morte de Santiago Nasar e a morte do “velho” Brasil, mesmo que a ideia seja bastante sedutora.

O ano vai chegando ao fim e gostaria de poder conversar com os leitores um pouco também sobre o Natal, seu significado e algumas reflexões sobre o crescente nacionalismo e egoísmo no mundo, ou ainda sobre o aspecto da data simbolizar também um momento de nascimento.

A vida é feita de escolhas, afinal, e o ano vai chegando ao fim legando-nos a inescapável conclusão de que muitas das opções feitas se mostraram equivocadas.

Um dos anos mais conturbados da história política e econômica do país. A destituição de mais um presidente da República, a recessão mais forte desde a quebra da bolsa em 1929, a prisão de congressistas, a escalada da inflação, o drible do presidente do Senado em um oficial de justiça, nosso Supremo Tribunal, sem falar nas quase 40 fases da Operação Lava-Jato, acrescidas das recentes movimentações do governo federal em revisitar a CLT, publicar programa de parcelamento de débitos tributários, e algumas outras, acabam impondo-se como assunto em todas as rodas de conversa que tenho participado, o que julgo auspicioso para o futuro.

No âmbito estadual, igualmente as coisas andam movimentadas. Sou um defensor do Jardim Botânico e tantas outras causas e iniciativas nobres; contudo, o fato é que o velho Brasil estava com sua morte anunciada e fizemos nada, ou muito pouco para reverter o quadro que nos trouxe até aqui, a essas difíceis decisões. Será preciso reconstruir o país, o Estado e o município em 2017.

E o único caminho para tanto é um engajamento cívico da população. Ativo e prévio à publicação das leis! Um interesse e uma participação maior nos assuntos econômicos, legais e tributários. Afinal, tudo é construído com o nosso dinheiro (contribuintes). Os ingleses pagam algo em torno de 710 reais por ano para manter a BBC, e há protestos regulares quanto a essa obrigatoriedade, por exemplo. Discussões assim são a verdadeira essência da cidadania, prática há muito esquecida ou negligenciada em terras brasileiras. Pelo que desejamos pagar?

Se o velho Brasil morreu de fato em 2016 e um novo Brasil precisa ser construído, somos nós, cidadãos, que deveremos tomar a trolha, o maço e o cinzel em nossas mãos. Feliz Natal a todos os leitores e a suas famílias e que todos façamos as melhores escolhas no ano que vai nascer.

 PRESIDENTE DA PACTUM CONSULTORIA EMPRESARIAL

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PAUTA MORAL




ZERO HORA 06 de dezembro de 2016 | N° 18707



ARTIGO | DENIS LERRER ROSENFIELD




Mais de meio milhão de brasileiros foram às ruas clamando pela ética na política, pela moralidade na administração da coisa pública. Os cidadãos não mais aguentam a corrupção e a apropriação privada e partidária dos recursos públicos, que pertencem à sociedade sob a forma de impostos, transferidos compulsoriamente para o Estado.

Cabe a este administrar os bens da sociedade, sem o que o próprio fato de cidadãos pagarem impostos, contribuições e taxas não teria nenhuma significação. As ruas hoje fiscalizam a utilização desses recursos. Trata-se de um dado incontornável, ao qual os políticos em geral não têm prestado a devida atenção.

O Brasil mudou. A classe política não acompanhou essa mudança. Permanece esta arraigada a práticas patrimonialistas que não são mais toleradas pela sociedade. Há uma espécie de estranhamento da cidadania que não se reconhece em seus representantes.

Prova disto consiste nas manobras operadas na Câmara dos Deputados e na Presidência do Senado para desvirtuar as 10 medidas contra a corrupção, que contaram com amplo respaldo popular. A operação consistiu em iniciativas de parlamentares, muito deles investigados e sob a mira da Lava- Jato, que procuraram, desta maneira, salvar a própria pele.

A inoportunidade das iniciativas foi completa. No momento em que estamos prestes a conhecer os detalhes das delações da Odebrecht, há uma evidente tentativa de impedir que políticos envolvidos sejam responsabilizados por seus crimes.

Evidentemente, o pacote de medidas contra a corrupção exigiria uma análise mais cuidadosa, porém exige o bom senso que não sejam os investigados os responsáveis por tal tarefa. Não possuem a qualificação moral necessária. E a moralidade tornou-se uma condição da política no Brasil.

As bandeiras das ruas foram “Contra a corrupção”, “Fora Renan” e “Fora Maia”, personificações, no caso, daquilo que não deveria ter sido feito. Aliás, esses presidentes exibiram uma ausência completa de sintonia com o que sente e pensa a sociedade brasileira.

O descompasso é total. Se persistirem nesta via, o meio milhão de participantes facilmente atingirá alguns milhões em pouco tempo. Se isto ocorrer, marcharemos inexoravelmente para uma crise institucional.

Enquanto isto, Lula e Dilma, dois ex-presidentes, dão adeus a um dos mais sanguinários e repressores ditadores, Fidel Castro. Sentirão, certamente, saudade. A reação moral da sociedade brasileira não lhes diz respeito. Não escutam as ruas. Faz sentido!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O CONGRESSO NA MIRA DOS BRASILEIROS

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ZERO HORA 05 de dezembro de 2016 | N° 18706


POLÍTICA + | Juliano Rodrigues



A exemplo dos protestos que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, milhares de brasileiros foram às ruas ontem em uma mobilização contra os políticos. Dessa vez, o principal alvo é o Congresso, personificado pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Depois do Fora Cunha, que ajudou a empurrar Eduardo Cunha para uma cela em Curitiba, surgiram novos slogans: o Fora Renan e o Fora Maia.

O motivo das mobilizações é o movimento dos políticos, capitaneados por Renan e Maia, de mutilar o pacote anticorrupção. O discurso dos procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato de que projetos como o do abuso de autoridade por parte de magistrados e membros do Ministério Público podem custar o andamento das investigações conquistou a adesão de parte da população. Diversos cartazes em defesa da Lava-Jato e dos responsáveis por investigar e julgar os crimes praticados no seu âmbito foram vistos nas ruas.

Além disso, foram estendidas faixas contra os deputados e senadores. A maior e mais expressiva estava na Avenida Paulista, em São Paulo, com os dizeres: “Congresso Corrupto”. Assim como nos protestos contra o governo Dilma Rousseff, as manifestações foram convocadas pelo Vem Pra Rua e pelo MBL. Embora os dois grupos tenham deixado claro que a mobilização não era contra o governo Temer, houve menções, em menor escala, contra o peemedebista. Um dos líderes do Vem Pra Rua, Rogério Chequer, foi para as redes sociais explicar:

– O Vem Pra Rua não é a favor de Fora Temer. Não temos nenhum interesse de tirar o Temer do poder.

A série de protestos aumenta a pressão sobre o Congresso em uma semana que promete votações polêmicas pelo Legislativo. Resta saber se os protestos terão efeito prático sobre os parlamentares, que já se mostraram insensíveis na terça-feira passada, quando mantiveram a sessão mesmo após a tragédia envolvendo o avião da Chapecoense. O mesmo Congresso que cancela sessões para que parlamentares nordestinos possam participar de festas juninas em suas bases.

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domingo, 27 de novembro de 2016

REPÚBLICA DO RABO PRESO

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ZERO HORA 6 de novembro de 2016 | N° 18699


OUTRA VISÃO


ASTOR WARTCHOW*



Hoje é a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Ontem foi o Fiat Elba, o dinheiro nas cuecas, a Petrobras, os fundos de pensão e muitos etceteras. A sucessão de escândalos permite três óbvias constatações que agravam nosso pessimismo. São apenas a ponta de um imenso iceberg denominado Estado brasileiro, um gigante fora de controle público. Afinal, predomina o império do “jeitinho” e da omissão, não havendo consequências administrativas e penais.

O espírito e ânimo do saque ao dinheiro público é uma epidemia nacional. Emprego de parentes, compadrio, favorecimentos e manipulação licitatória são comuns em todas as esferas da administração pública. Aliás, essas constatações me fazem lembrar de um comentário (dos eleitores) que muito ouvi ao longo das inúmeras campanhas eleitorais de que participei.

Em tempos de ditadura e abertura democrática, empenhados e otimistas na renovação político-partidária, éramos surpreendidos. Muitos cidadãos diziam: “É tudo igual mesmo. Melhor deixar o cachorro gordo no poder do que colocar um magro. Vai custar caro engordar outro!”

Ouvia triste e a contragosto porque não concordava. Como não concordo até hoje. Mas, no olhar e sentir de muitas pessoas do povo, a sucessão e a renovação político-partidária é uma simples troca de cachorros. Cachorros atrás do osso!

Voltando no tempo e na história, à época da colonização, e depois do fracasso das capitanias hereditárias, o governo português inventou os governadores-gerais. E com eles, a burocracia. Há registros históricos sobre o desembarque de nobres, funcionários públicos, soldados e criminosos (réus e degredados). Aliás, quase todos solteiros e interessados em grana fácil. Resultou uma estrutura estatal forte, organizada, centralizadora e burocrática. Que não encontrou resistência civil. Consequentemente, nossa sociedade de então se adaptou a essa estrutura estatal.

Trata-se do domínio de uma casta de altos funcionários aliada ao patronato político cujos interesses comuns formam uma associação parasitária. Juntos compõem uma rede que, espalhada pelo país, extrai dele tudo o que pode. Leia mais em Os donos do poder (1958), do gaúcho Raimundo Faoro (1925-2003).

O fruto principal dessa deformação histórica e dessa adaptação da sociedade é o “jeitinho brasileiro” e o famoso “querer levar vantagem em tudo”. Repito: nepotismo, compadrio, fraudes, falsificações, desrespeito a contratos, entre outros exemplos, são ações e atitudes que não sofrem reprovação moral. Ou então, quando descobertos, “não dá nada!”

De modo que o espírito do saque e o ânimo dominante confirmam a máxima de Aparício Torelly, o popular Barão de Itararé: “Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados!”

Em verdade, estamos a merecer, como povo e sociedade, um apurado estudo de caráter sociológico sobre nosso caráter e nossa natureza (a)ética. Ou tudo será, simplesmente, falta de educação, repressão, punição e cadeia?

*Advogado

sábado, 19 de novembro de 2016

A SÍNTESE DO DESESPERO DOS POLÍTICOS ENLAMEADOS


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ZERO HORA 19 de novembro de 2016 | N° 18692




HUMBERTO TREZZI


A noite de quinta-feira terminou com imagens fortes. Desesperado ao saber que teria mesmo de passar uma temporada atrás das grades do temido complexo penitenciário de Bangu, o ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PR) grita, esperneia, ameaça fugir. Tenta escapar da ambulância, mesmo de camisolão reservado aos pacientes (quando foi preso, na quarta-feira, alegou doença cardíaca e pediu para ser submetido a tratamento coronariano). O juiz não se comoveu e Garotinho foi mesmo para o presídio, ante gritos de protesto de sua filha.

Cobri para Zero Hora a eleição de Garotinho como governador do Rio em 1998. Ex-comunista na juventude, ele estava brizolista na época em que chegou ao governo fluminense. Passaria depois pelo PMDB e finalmente desembocaria no PR, onde está até hoje, numa encarnação da volubilidade ideológica dos políticos brasileiros. Impressionava sua postura, entre triunfante e debochada, ante qualquer pergunta.

Tinha resposta para todos os problemas do Rio – e conseguiu convencer a população, tanto que emplacou a mulher, Rosinha, como sucessora no governo (eleita em primeiro turno).

Que contraste entre o Garotinho daqueles anos e o homem grisalho que luta para fugir da prisão, filmado na quinta-feira... O segredo por trás dessa mudança atende pelo nome de foro especial (ou privilegiado). Garotinho perdeu essa condição ao não se eleger para cargo político. Foi para a prisão. O mesmo aconteceu, um dia depois, com seu adversário político e também ex-governador (e ex-aliado) Sérgio Cabral (PMDB).

Até pouco tempo atrás, políticos importantes no Brasil tinham direito aos salamaleques reservados para autoridades, na base do ditado “quem é rei não perde a majestade”. Não mais, a se julgar pelos presos da Lava-Jato e outras operações anticorrupção lideradas por policiais federais e procuradores. Garotinho perdeu não só a majestade, mas a altivez e o ar jovial que combinavam com o apelido. É apenas mais um entre os ex-políticos encarcerados – basta lembrar José Dirceu (PT), Eduardo Cunha (PMDB), Antonio Palocci (PT), João Cláudio Genu (ex-tesoureiro do PP), entre outros.

É por isso que muito parlamentar enlameado teme um castigo nas urnas em 2018. Podem se tornar os próximos ocupantes do cárcere.