
Desestímulo à cidadania - Zero Hora Editorial, 22/07/2010
Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que o eleitorado brasileiro é hoje de 135,8 milhões de votantes, o que faz do Brasil uma das maiores democracias do mundo, guardam uma surpresa: ao contrário dos anos recentes, a faixa de jovens eleitores, que têm 16 e 17 anos, decresceu em vez de aumentar, quebrando uma tendência. Em 2006, essa faixa abrigava 2,5 milhões de pessoas, número que passou para 2,8 milhões em 2008 e que, agora, caiu para 2,3 milhões. A explicação para a redução dessa faixa do eleitorado – que é a parcela da população que pode votar, mas não é obrigada – deve ser buscada com responsabilidade, inclusive porque uma das hipóteses, se for a correta, poderia revelar um inaceitável desestímulo à cidadania.
Os especialistas não coincidem sobre a causa dessa realidade. Alguns atribuem a redução dos jovens eleitores a um fenômeno puramente demográfico, pelo qual há uma diminuição gradativa da população jovem em geral, o que transparece também nas matrículas das escolas do ensino básico. Uma outra explicação levantada é a de que, depois de governos que mantiveram a estabilidade política e econômica, reduziu-se a necessidade de uma mobilização por mudanças nos caminhos do país. Mas há uma terceira possibilidade de explicação: o desencanto dos jovens com a política e os políticos em razão dos sucessivos escândalos, do envolvimento de governantes e de parlamentares em falcatruas e no uso pouco republicano do poder.
Seria desastroso se a razão para a queda do número de jovens eleitores fosse esta última. Além de péssimo para a qualidade da administração pública e do sistema representativo, o conjunto de escândalos teria perpetrado um crime de lesa-democracia. Esta situação exige um trabalho de conscientização sobre a importância do voto numa sociedade democrática e sobre o exercício da cidadania como caminho para a transformação da sociedade.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Não é só o jovem que não quer votar, pois há uma grande massa de brasileiros que irá anular o voto ou se abster de votar. O atual sistema político não deixa opção de renovação e nem de mudança comportamental, pois os profissionais da política podem usar a máquina e o dinheiro público e os novatos que conseguem vagas são subjugados por caciques ou aliciados por cargos, emendas, farras e privilégios durante o mandato. Todos os eleitos acabam enriquecendo, trabalhando apenas 3 dias por semana e sendo servidos por um extravagante número de assessores e terceirizados, muitos fantasmas.
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