
Onde o asfalto ficou apenas na promessa - CARLOS ETCHICHURY, ZERO HORA 08/11/2011
Com pavimentação que não saiu do papel, a Transbrasiliana foi percorrida pela equipe multimídia da RBS, que constatou as péssimas condições da estrada
Conhecida como Transbrasiliana (BR-153), a estrada que liga o Rio Grande do Sul ao Pará tem 70 quilômetros pavimentados em solo gaúcho apenas no papel. No trecho entre Erechim e Passo Fundo, no norte do Estado, sete municípios produtores de grãos e especializados em suinocultura e pecuária leiteira são penalizados pela ausência do asfalto e péssimas condições da via. Moradores apelidaram a rodovia de “Transburaqueana”.
Estreito e sem sinalização, o trecho esquecido da estrada que simbolizou a integração nacional nos anos 70 oferece riscos para quem ultrapassa os 50 km/h. Para evitar sacolejos, comerciantes buscam rotas alternativas, aumentando em até 25 quilômetros deslocamentos para cidades vizinhas.
– É um desgaste muito grande para os veículos, sem falar no combustível que poderia ser economizado – reclama Roberto Gonçalves, 24 anos, funcionário de uma serraria.
A situação torna-se quase insuportável no inverno, quando as chuvas são frequentes, e no final do verão, que coincide com a safra da soja e o trânsito intenso de caminhões. Presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), Gilberto Tonello diz que sucessivos governos, há 20 anos, anunciam a pavimentação. O produtor e caminhoneiro Antonio Jaime Neumeister, 66 anos, afirma que as promessas são bem mais antigas:
– Falam em asfalto desde a década de 60.
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