VOTO ZERO significa não votar em fichas-sujas; omissos; corruptos; corruptores; farristas com dinheiro público; demagogos; dissimulados; ímprobos; gazeteiros; submissos às lideranças; vendedores de votos; corporativistas; nepotistas; benevolentes com as ilicitudes; condescendentes com a bandidagem; promotores da insegurança jurídica e coniventes com o descalabro da justiça criminal, que desvalorizam os policiais, aceitam a morosidade da justiça, criam leis permissivas; enfraquecem as leis e a justiça, traem seus eleitores; não representam o povo e se lixam para a população.

domingo, 9 de outubro de 2011

RISCO DE FRUSTRAÇÃO

PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA - ZERO HORA 09/10/2011

Todas as formas de participação popular são bem-vindas numa democracia, mas não se pode vender a ilusão de que quem decide os rumos do governo é o cidadão que vota pela internet numa lista de prioridades ou participa de uma assembleia. O norte do governo Tarso Genro foi dado por sua equipe ainda na campanha eleitoral. O plano de governo é o fio condutor dos programas que ganharam a etiqueta de prioritários. O poder da participação popular ainda é reduzido, apesar de todos os instrumentos criados no Piratini para popularizar o rótulo de governo digital.

O projeto Governador Pergunta – A Primeira Assembleia Digital do Brasil, que será lançado em novembro, tem tudo para se transformar em sucesso de marketing, no Brasil e no Exterior. É questionável, no entanto, a utilidade de se mobilizar a população, pela internet ou pessoalmente, para que diga como se pode melhorar o atendimento e o acesso à saúde pública. Os gestores sabem muito bem o que falta aos usuários do Sistema Único de Saúde. Por ser médico, o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, sabe melhor do que ninguém. Não precisa fazer pesquisa. Sabem, também, que para atender às demandas mínimas da população é preciso ter recursos.

Soa estranho o governo consultar a população para saber o que fazer para melhorar o acesso à saúde pública e se comprometer a “adotar as 50 propostas mais votadas”, se o Estado aplica menos de 7% da receita líquida em saúde, quando deveria aplicar 12%. Com dinheiro, Estados e municípios poderiam contratar mais médicos para programas de prevenção e mais especialistas para reduzir as filas, comprar equipamentos de última geração para oferecer diagnósticos mais precisos, aumentar a oferta de leitos, reduzir o tempo de espera nas emergências, oferecer melhor qualidade no atendimento à gestante e ao idoso, tornar realidade as maravilhas prometidas numa campanha eleitoral.

O excesso de canais para a sociedade se comunicar com o governo traz um risco ao futuro da consulta popular: o da frustração, se as demandas não forem atendidas por falta de dinheiro.

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